Dr. Dejanir e Dra. Brigitte Perecini

Com o envelhecimento da população brasileira, cresce também o desafio das famílias em encontrar formas de cuidado que conciliem segurança, autonomia e qualidade de vida. Entre as maiores preocupações estão o Alzheimer, outras demências, as quedas, o isolamento social e a sobrecarga de familiares que, muitas vezes, tentam cuidar sozinhos.

Nesse cenário, a moradia assistida vem se consolidando como um modelo moderno de cuidado, centrado na promoção da saúde, na preservação das capacidades da pessoa idosa e no respeito à sua história de vida.

Para falar sobre essa transformação, a Revista Circuito conversou com Dr. Dejanir Perecini, médico especialista em Geriatria, Clínica Médica e Medicina de Família, diretor técnico das unidades Terça da Serra Granja Viana e Terça da Serra Vargem Grande Paulista, e com Brigitte Perecini, psicóloga, psicanalista e gerontóloga, especialista em envelhecimento e demências, responsável pelos programas de acolhimento às famílias e desenvolvimento humano das duas unidades.

Muitas pessoas ainda associam a moradia assistida às antigas casas de repouso. O que mudou?

Dr. Dejanir Perecini: Mudou praticamente tudo. Hoje, a moradia assistida é um ambiente pensado para promover qualidade de vida. O cuidado vai muito além da assistência médica. Envolve acompanhamento multiprofissional, estímulos físicos, cognitivos e sociais, convivência, alimentação adequada e monitoramento contínuo da saúde.

Nosso objetivo é preservar a autonomia pelo maior tempo possível, prevenir complicações e permitir que o idoso viva cada etapa do envelhecimento com segurança, dignidade e propósito.

Quando a família deve começar a pensar nessa possibilidade?

Brigitte Perecini: Muito antes de uma situação extrema. Quando o idoso começa a ficar isolado, apresenta quedas, esquecimentos frequentes ou já não consegue manter sozinho sua rotina, é hora de conversar sobre novas formas de cuidado. Esperar uma crise quase sempre reduz as oportunidades de preservar sua independência e sua qualidade de vida.

Ao longo da minha prática clínica, passei a chamar esse momento de Parentalidade Reversa: quando os filhos passam a assumir decisões importantes em nome dos pais. É uma inversão delicada de papéis, que exige maturidade, responsabilidade e, principalmente, amor.

Nessa fase, amar não significa fazer tudo sozinho. Significa garantir que eles recebam o cuidado mais adequado às suas necessidades.

Muitas famílias sentem culpa ao pensar em uma moradia assistida. Como vocês enxergam isso?

Brigitte Perecini: A culpa costuma nascer da ideia de que cuidar significa estar presente o tempo todo. Mas cuidar é muito mais do que permanecer ao lado de alguém. Cuidar é garantir segurança, estímulos, convivência e acompanhamento especializado.

Muitas vezes, manter o idoso em casa, isolado ou sem uma estrutura adequada, aumenta o sofrimento tanto dele quanto da família. Buscar ajuda não é abandonar. É reconhecer que algumas fases da vida exigem uma equipe preparada para oferecer aquilo que, por mais amor que exista, a família sozinha nem sempre consegue proporcionar.

Que mensagem vocês gostariam de deixar para as famílias?

Dr. Dejanir Perecini e Brigitte Perecini: O envelhecimento não precisa ser vivido em solidão, e as famílias também não precisam enfrentar esse caminho sozinhas. Nas unidades Terça da Serra Granja Viana e Terça da Serra Vargem Grande Paulista acreditamos que envelhecer com qualidade exige ciência, equipe preparada e relações humanas verdadeiras. Buscar apoio representa responsabilidade, e não abandono.

“O amor nunca será substituído. Mas o cuidado pode — e muitas vezes deve — ser compartilhado com quem dedicou a vida a cuidar de idosos. Porque envelhecer com dignidade não depende apenas do afeto; depende também de conhecimento, estrutura e presença qualificada.”

 

Serviço:

Rua São Vicente, 411 – Parque Rincão – Cotia/SP

(11) 92085-1166

@tercadaserragranjaviana

 

 

 

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