Morador da Granja Viana, Solano Ribeiro foi capa da edição 193, de janeiro de 2016.

Solano Ribeiro, um dos nomes fundamentais na história dos festivais de música popular brasileira na televisão, morreu na madrugada de 31 de outubro, aos 87 anos, em São Paulo. O produtor estava internado e recebia cuidados paliativos em decorrência de um câncer.

Nos anos 1960, Ribeiro esteve à frente de festivais que levaram a música brasileira ao centro da programação televisiva e ajudaram a projetar artistas e compositores que se tornariam referências nacionais. Entre eles estavam Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Nara Leão, Jair Rodrigues e Francis Hime.

Em 1965, na TV Excelsior, produziu o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira. A apresentação de “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, na voz de Elis Regina, tornou-se um dos momentos emblemáticos daquela edição. No ano seguinte, já na TV Record, outro festival entrou para a memória do público: “A Banda”, de Chico Buarque, e “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, dividiram o primeiro lugar.

Mais do que competições musicais, os festivais eram grandes acontecimentos ao vivo, capazes de reunir artistas, público e televisão em torno de novas canções. O trabalho de Solano ajudou a criar esse espaço e a dar projeção a uma geração que renovou a música popular brasileira. A própria sigla MPB se consolidou a partir do nome dos festivais.

Uma história também ligada à Granja Viana

Em entrevista para o Circuito Almanaque, em setembro de 2020.

Solano Ribeiro veio morar na Granja Viana em 1985, ainda em uma rua de terra. Sua ligação com a comunidade também passou pelas páginas da Revista Circuito, que registrou em entrevistas diferentes momentos de sua vida e de sua visão sobre a música brasileira.
Em janeiro de 2016, ele foi capa da revista e compartilhou histórias de uma carreira marcada pelos bastidores da televisão e pelos festivais. Em setembro de 2020, voltou a conversar com a publicação no Circuito Almanaque, em uma entrevista no YouTube. Na ocasião, falou sobre sua trajetória, os festivais e o crescimento da música independente no Brasil.

A perda de Solano Ribeiro encerra uma trajetória que ajudou a moldar a relação entre a música brasileira e a televisão. Seu legado permanece nas canções, nos artistas que ganharam projeção nacional e na memória de festivais que fizeram do país inteiro uma plateia.

Leia e assista:
Revista Circuito — edição 193, com Solano Ribeiro na capa

Circuito Almanaque — entrevista com Solano Ribeiro

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