
Solano Ribeiro, um dos nomes fundamentais na história dos festivais de música popular brasileira na televisão, morreu na madrugada de 31 de outubro, aos 87 anos, em São Paulo. O produtor estava internado e recebia cuidados paliativos em decorrência de um câncer.
Nos anos 1960, Ribeiro esteve à frente de festivais que levaram a música brasileira ao centro da programação televisiva e ajudaram a projetar artistas e compositores que se tornariam referências nacionais. Entre eles estavam Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Nara Leão, Jair Rodrigues e Francis Hime.
Em 1965, na TV Excelsior, produziu o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira. A apresentação de “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, na voz de Elis Regina, tornou-se um dos momentos emblemáticos daquela edição. No ano seguinte, já na TV Record, outro festival entrou para a memória do público: “A Banda”, de Chico Buarque, e “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, dividiram o primeiro lugar.
Mais do que competições musicais, os festivais eram grandes acontecimentos ao vivo, capazes de reunir artistas, público e televisão em torno de novas canções. O trabalho de Solano ajudou a criar esse espaço e a dar projeção a uma geração que renovou a música popular brasileira. A própria sigla MPB se consolidou a partir do nome dos festivais.
Uma história também ligada à Granja Viana

Solano Ribeiro veio morar na Granja Viana em 1985, ainda em uma rua de terra. Sua ligação com a comunidade também passou pelas páginas da Revista Circuito, que registrou em entrevistas diferentes momentos de sua vida e de sua visão sobre a música brasileira.
Em janeiro de 2016, ele foi capa da revista e compartilhou histórias de uma carreira marcada pelos bastidores da televisão e pelos festivais. Em setembro de 2020, voltou a conversar com a publicação no Circuito Almanaque, em uma entrevista no YouTube. Na ocasião, falou sobre sua trajetória, os festivais e o crescimento da música independente no Brasil.
A perda de Solano Ribeiro encerra uma trajetória que ajudou a moldar a relação entre a música brasileira e a televisão. Seu legado permanece nas canções, nos artistas que ganharam projeção nacional e na memória de festivais que fizeram do país inteiro uma plateia.
Leia e assista:
Revista Circuito — edição 193, com Solano Ribeiro na capa













