É pique, é pique! Ecofeira, Ecofeira, Ecofeira!

O projeto comunitário que ajudou a fortalecer os agricultores locais está completando sete anos.

A causa foi uma só, mas as consequências foram muitas! Preservação do Cinturão Verde de Cotia, divulgação dos benefícios do cultivo de orgânicos para a terra e para a saúde, criação de um ponto de encontro da comunidade na Granja Viana…

Quando o Movimento Transition Towns Granja Viana, imbuído pelo sonho de uma comunidade mais sustentável, propôs um projeto comunitário que tratasse da questão dos agricultores locais, a ideia foi imediatamente acolhida por escolas, prefeitura, imprensa e comerciantes locais. Nascia, assim, a Ecofeira. Era setembro de 2010. Trinta e dois expositores da região apresentaram sua produção de verduras e legumes, artesanatos, conservas, geleias, shimeji e shiitake, flores, mel, compotas, pães, granolas, origamis, chocolates, cerâmicas… Sem falar da música ao vivo, sorteios, atividades lúdicas e sustentáveis com as crianças. Foi um sucesso! Setecentas pessoas prestigiaram este primeiro evento.

Em sete anos, muita água rolou. Mudanças de local, horário, expositores, apoiadores, reavaliações, crises… Mas permaneceu firme e forte. De mensal passou a semanal: aos domingos, das 8h às 13h. E, depois de passar por diversos locais, estacionou no Parque Teresa Maia.

Para celebrar seu sétimo aniversário, escritores, colunistas e jornalistas granjeiros foram incumbidos de pesquisar e contar a história de cada um dos feirantes. O resultado pode ser conferido na exposição Histórias Reveladas, que aconteceu no início do mês na Galeria de Arte Solange Viana, e também no ecofeiradagranjaviana.blogspot.com.br.

O casal Tomita

por Jany Vargas

Cheguei à casinha rodeada de natureza em Vargem Grande Paulista. Lá estavam Toshie e Gituso Tomita na porta.

Ali me senti num outro tempo que não é o mesmo que me rege. Eles vivem no tempo do plantar e colher. Convivência íntima e diária com a natureza. Produzir para vender. Muito trabalho a vida toda.

Ela é miúda, só de corpo. Gigante e delicada mulher. Ficou vários anos no Japão numa rotina estafante de trabalho para ajudar a família.

Três filhos, um altar para os antepassados na cozinha. Amam música. Tem um teclado na casa. Ambos tocam.

Nele sempre vejo o sorriso, o humor inteligente. Fez questão de nos acompanhar pela estrada que escurecia. Olhamos para trás, Toshie vinha apressada para nos encontrar. Tínhamos esquecido os presentes que nos deram. Tão generosos.

Vendem na EcoFeira na Granja Viana, quinzenalmente. A roça é do tamanho da força deles, uma vez que trabalham sozinhos. Tem lá também flores de corte que naqueles dias uma vizinha encomendou. Colheram muitas. Primeiro prêmio da melhor alcachofra na década de 1960. Plantam, atualmente, berinjela, orégano, aspargo, alface, bardana, hortelã…

Quando a família dele veio para o Brasil era a época da Segunda Guerra, foram acolhidos com desconfiança em Itapecerica da Serra. Por isso resolveram enterrar seus livros que tinham trazido. Que pena! A umidade estragou aquele tesouro.

Ambos nasceram no Brasil. Ela em 1942 e ele em 1939. A família dela veio no famoso navio Kasato Maru, que em 1908 trouxe os primeiros imigrantes japoneses.

É muito bom estar perto deles. Ela é uma graça, ele é um gentleman. Ele é muito curioso com a tecnologia, política. Ela é da cozinha e sua alquimia, fala das amigas, das relações, filosofa. São abertos, acolhem. Com ela, olhos nos olhos; com ele, sorriso que contagia. Lindos!

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