O que o investidor Warren Buffett; o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg; o fundador da Microsoft, Bill Gates; e o brasileiro dono da construtora Cyrela, Elie Horn, têm em comum? Se você respondeu que são bilionários, acertou. Mas eles são um tipo diferente. São os “bilionários filantrópicos” que enfrentam o mesmo dilema: não sabem o que fazer com tanto dinheiro. Outro ponto em comum destes megaempresários, e o mais importante, é que eles vão usar suas fortunas para, se não salvar o mundo, melhorá-lo. Todos comprometeram-se em doar a maior parte de seu dinheiro para ações sociais no The Giving Pledge.
Fundada em 2010 por Bill Gates e Warren Buffet, a campanha The Giving Pledge, em tradução livre “promessa de doação”, incentiva os afortunados a contribuir com uma grande parte de sua riqueza para causas filantrópicas. Mas não pensem que por isso vão ficar pobres, ou melhor, deixarão de continuar bilionários, pois suas fortunas não param de crescer. Um exemplo é o próprio Buffet que, quando da fundação da campanha, doou US$ 30 bilhões e seu patrimônio atual é 80% maior que naquela época.
O The Giving Pledge não é uma organização não governamental, uma empresa ou uma associação. Como próprio nome diz, é uma promessa de doação. Não há formalidade: quem adere à proposta apenas escreve uma carta prometendo a doação e explicando o porquê e para quê quer doar. Simples assim. Mas uma regra deve ser seguida: é preciso doar, no mínimo, metade de suas fortunas.
No site oficial da campanha, 184 pessoas ou casais de 22 países fizeram a promessa de doação. Além dos quatro citados, acima a lista tem nomes como Elon Musk, o extravagante Richard Brenson, o diretor de cinema George Lucas e Larry Ellison, entre outros. Elie Horn e sua esposa Susy, da Cyrella, são os únicos brasileiros da lista.
As promessas para melhorar o mundo
Não poderíamos deixar de iniciar com ele, Bill Gates, reconhecidamente o empresário mais filantrópico do mundo. Hoje, com quase US$ 100 bilhões, foi ele, junto com sua esposa, quem criou a Fundação Bill & Melinda Gates, uma organização que atua no combate à fome e problemas de saúde no mundo todo, especialmente nos países mais pobres. Já foram mais de US$ 30 bilhões em doações. Entre as ações da fundação, destaque para as doações feitas ao Rotary International para ações de combate à poliomielite no mundo todo. “Para nós, as vacinas são milagres, pequenos vasos de esperança e promessa. E o mundo fez progressos na vacinação de milhões de crianças. Mas ainda há milhões que morrem de doenças evitáveis. Por isso, queremos garantir que as vacinas que salvam vidas alcancem todos os que precisam delas e que o mundo desenvolva novas vacinas”, escreveu em sua carta de compromisso. Seu compromisso é doar cerca de US$ 77 bi às causas sociais.
“Se usássemos mais de 1% de minhas verificações de crédito em nós mesmos, nem nossa felicidade, nem nosso bem-estar seriam melhorados. Em contraste, os restantes 99% podem ter um enorme efeito na saúde e no bem-estar dos outros”, escreveu o parceiro de Bill na iniciativa, o investidor Warren Buffet, 88 anos, cujo patrimônio líquido soma US$ 87,1 bilhões. Ele pretende destinar 99% de sua fortuna para a filantropia.
O jovem fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, 34 anos e US$ 61 bilhões na conta, casado com a médica Priscilla Cham, comprometeu-se a doar US$ 35 bilhões. “Comprometemo-nos a ser aprendizes ativos, ouvintes e participantes nos próximos anos. Vamos dedicar nossos recursos, bem como nosso tempo e energia pessoal. Passaremos nossa vida trabalhando para garantir que as gerações futuras tenham as maiores oportunidades possíveis.”
O representante do Brasil, Elie Horn, que ocupa a 65ª posição no ranking dos bilionários brasileiros da Forbes, cujo patrimônio ultrapassa os R$ 3 bilhões, doou 60% de sua fortuna. E declarou em sua carta: “Como seres humanos, não levaremos nada conosco para o outro mundo – as únicas coisas que devemos tomar são as boas ações que realizamos neste mundo. Estamos neste mundo para ser testados, e cada um de nós deve conceder o fruto de suas habilidades”. De acordo com a Forbes, o bilionário sírio radicado no Brasil, antes de assinar o compromisso com o The Giving Pledge, já era considerado um dos maiores doadores da comunidade judaica, apoiando projetos de educação para escolas e universidades.

















