Hoje, aos 25 anos de idade, a esgrimista Bia Bulcão, moradora do Jardim Santa Isabel, em Cotia, está na fase mais intensa de sua carreira. A atleta vem se consolidando no cenário internacional com boas posições em todos os torneios. Sua meta: ser uma medalhista olímpica.
No dia 5 de agosto, Bia conquistou sua primeira medalha nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. Ela parou na semifinal do torneio individual, depois de um grande confronto nas quartas de final contra a mexicana Nataly Silva, quando venceu por 15 a 13, ficando com o bronze. Esta foi a primeira medalha do florete feminino – uma das três armas utilizadas no esporte – do Brasil na história do Pan.
A esgrima é uma das 42 modalidades que estarão presentes nos Jogos Olímpicos de Tóquio. E é lá que Bia quer estar. “Estou focada em cada prova da temporada para buscar a vaga Olímpica para Tóquio 2020. Toda competição é importante e todo treinamento é importante. Vou focar em cada dia para evoluir o máximo nesse período e a classificação vai ser consequência disso”, disse.
Em entrevista à Circuito, Bia falou da esgrima, das dificuldades de chegar no patamar onde se encontra hoje e também dos seus sonhos. “Mais pra frente, espero usar minha experiência e causar maior impacto com os meus resultados para difundir ainda mais o esporte no Brasil”, idealizou. “É bom ver que estou no caminho certo, mas espero que seja só o começo.”

VIDA COM OBSTÁCULOS
Alcançar as conquistas requer esforço e vontade. E disto Bia sabe bem. Negra e adotada na infância por uma família com recursos modestos, ela teve que organizar até uma vaquinha virtual para conseguir crescer no esporte e financiar seus treinamentos.
“Já vendi rifa. Fiz vaquinha. Já levei enlatados na mala para economizar na comida. Sempre estou juntando tudo o que tenho e o que não tenho para poder evoluir na esgrima”, conta.
Em muitas provas, Bia disse que viaja sem técnico e sem nada de luxo. Quando treina fora, a atleta chega a passar meses distante da família. Por esses e outros motivos é que ela sonha em difundir a esgrima no Brasil.
“Acredito que todo mundo passa por obstáculos para poder chegar em seus objetivos. Para chegar nesse nível, sempre tive que treinar muitas vezes fora do Brasil, pois aqui não temos muita gente praticando. Muitas vezes não sei se terei recursos ou não para participar de uma prova.”, declara.
A esportista ressalta que em outros países onde a esgrima é mais difundida, a situação é diferente. “O atleta tem o seu planejamento e ele é realizado. Os resultados aparecem mais rápidos.”
Para finalizar, a Circuito questionou se por ser uma mulher negra, ela acreditava que as dificuldades tinham sido maiores em sua vida. Eis a sua resposta:
“Como disse, acredito que todos passam por dificuldades. Não sei te dizer se tive mais dificuldade por ser mulher e negra. Mas com certeza, nada na minha vida veio fácil.”
Por José Rossi Neto
Esgrimista de Cotia conquista bronze no Pan e sonha em difundir o esporte no Brasil
Bia Bulcão conquistou a primeira medalha do florete feminino do Brasil na história do Pan. Em entrevista à Circuito, Bia falou da esgrima, das dificuldades de chegar no patamar onde se encontra hoje e também dos seus sonhos. “É bom ver que estou no caminho certo, mas espero que seja só o começo.”
















