Jovens são grandes vítimas de acidentes com motos

Segundo o Infosiga SP, que registra dados sobre vítimas nas vias e rodovias paulistas, 42% das vítimas fatais têm entre 18 e 29 anos de idade

No mês de outubro, o número de vítimas motociclistas registrou aumento de 7,5% no Estado de São Paulo em comparação com outubro do ano passado de acordo com dados do Infosiga SP. Em outubro deste ano foram 173 vítimas contra 161 em 2018. Desde janeiro, 1.560 motociclistas perderam suas vidas em acidentes no Estado. Mesmo sendo uma redução de 0,2% na comparação com o mesmo período do ano passado (1.563 casos), é um número muito grande de vidas perdidas precocemente.
Segundo o Infosiga SP, 42,8% das vítimas motociclistas são jovens com idade entre 18 e 29 anos, e os acidentes ocorrem principalmente nos finais de semana (49,2%) e no período noturno (53,8%).
E não é só isso. Atualmente, a frota nacional de motocicletas no país é de 27,9 milhões – 90,5% maior que há 10 anos atrás -, tornando o Brasil o oitavo maior produtor do segmento no mundo. Seguindo o ritmo acelerado de busca pelo veículo de duas rodas, o índice de acidentes e mortes no trânsito também aumenta.
O último balanço do Ministério da Saúde, realizado em 2017, indica que mais de 12,1 mil motociclistas morreram em um ano. Entre os fatores contribuintes para essa estatística estão a imprudência, desatenção, condições climáticas e das vias, vulnerabilidade e falta de segurança.
De acordo com Isabelle Siqueira, coordenadora de Comunicação do Instituto Mobih, não bastassem esses motivos, nos últimos anos nos deparamos com a ascensão dos aplicativos de entregas e delivery, que passaram a “reforçar” este cenário negativo. “Acontece que algumas empresas passaram a estimular seus motoboys a serem mais ágeis nas entregas, passando a oferecer bonificação por metas atingidas”, comenta. “O problema é que quanto mais desenvolvido for o município, mais serviços de entregas estarão disponíveis ao consumidor e, com eles, mais tragédias de trânsito, principalmente em decorrência do excesso de velocidade e distrações”, afirma Isabelle.
No ano passado, o seguro DPVAT pagou mais de 167 mil indenizações às vítimas com acidentes de moto, sendo que as regiões Nordeste e Sudeste foram as com o maior número de indenizados. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o volume de incidentes teve salto tão considerável, que a Prefeitura fechou, neste ano, parceria com empresas de entrega para aumentar a segurança de motoboys vinculados a plataformas e evitar acidentes no trânsito. Entre os termos firmados, as empresas se comprometeram a fazer convênios para oferecer cursos de direção defensiva a todos os seus entregadores, além de realizar campanhas de conscientização e, por último, não pagarem premiações em dinheiro a quem fizer mais entregas em menos tempo – este último fator passou a ser visto como incentivador a condutas imprudentes no trânsito.
Para Isabelle, esta medida tem tudo para trazer impactos positivos e se mostrar um acerto, porém com ressalvas. Uma das preocupações é que da mesma maneira que o condutor de carro realiza cursos em CFCs somente com a finalidade de passar na prova final e obter sua CNH, os motociclistas também sigam a lógica de “fazer por obrigação” só para cumprir protocolo. Deste modo, vale o questionamento: como realizar treinamentos adequados para condutores de motos?
A especialista sugere que unir recursos tecnológicos é o caminho a ser seguido, pois além da capacitação adequada para que os motociclistas entendam as leis de trânsito, é possível conscientizá-los de que o mais importante são as vidas.
“A partir de tecnologias imersivas com simuladores de realidade virtual e conteúdos interativos de aprendizagem, os motociclistas teriam modernidade e eficácia pedagógica na hora da capacitação”, diz. “A simulação virtual, por exemplo, seria capaz de reproduzir e incorporar com realismo a condução de uma motocicleta e as situações cotidianas de trânsito como trafegar em cenários urbanos, rodovias e serras, além de possibilitar um melhor preparo para condução de motos em condições climáticas adversas como chuva, neblina e geada, além de testar e aprimorar o reflexo defensivo com intervenções de pedestres, ciclistas e obstáculos nas pistas”, explica.
Junto a isso, segundo Isabelle, o ideal seria estimular o aprendizado do código de trânsito a partir da parte teórica, levando também para a parte prática no simulador, em ambiente controlado. Para a especialista, tão importante quanto a capacitação correta para que os motociclistas compreendam as leis de trânsito é conscientizá-los de que o principal é a preservação de vidas, sejam as deles ou de todos os outros envolvidos no trânsito. Neste sentido, a simulação virtual, antes vista como algo distante e impalpável, torna-se uma prática e sua aplicabilidade é possível e necessária para a construção de uma sociedade mais humana.

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