Universo colorido da artista granjeira Roberta Caruso

A primavera chegou. O apelo da estação ao colorido e ao florescimento é inspiração
para muitos. Afinal, encanta pela multiplicidade de cores e formas e os artistas sabem muito bem aproveitar esta paleta de possibilidades, seja na moda, na fotografia, na literatura ou nas artes plásticas. Veja o Monet: suas obras mais famosas foram inspiradas pela natureza e ele, inclusive, criou, cultivou e preservou um imenso jardim, o Giverny, aos arredores de Paris.

Assim como o mais célebre entre os pintores impressionistas, a artista plástica e designer de acessórios Roberta Caruso também empresta os motivos primaveris em suas criações. “As minhas criações interagem entre si, impregnadas da simbologia das cores e formas florais. São uma janela para um refúgio íntimo, um desligamento do mundo urbano, um convite à reflexão e à contemplação”, descreve.

As flores, para ela, não são só uma paixão puramente botânica, mas que, associadas geralmente ao feminino, traduzem sua sensibilidade. É possível perceber seu trabalho, composto em grande parte por pinturas a óleo e colagens, em três facetas. Um lado clássico e intimista que remete às naturezas mortas da produção artística do período 1890-1920, inclusive espelhando-se na obra de algumas artistas mulheres; uma linha de expressão desestruturada e estilizada deste mesmo universo; e por fim, uma produção de acessórios com cores e formas inusitadas, utilizando materiais reciclados.

Estes últimos, aliás, são frutos do interesse que Roberta tem pela moda e, sobretudo, de sua preocupação pela preservação da natureza. “O processo criativo das joias artísticas, verdadeira extensão da minha pintura, segue a mesma filosofia. Um outro olhar para materiais recicláveis que, espero, possa incentivar um consumo mais responsável e o respeito à natureza”, explica. Ela, inclusive, criou o projeto 365 dias de reciclagem em que convida, dessa forma, o público a repensar suas formas de consumo.

Já sobre as pinturas, algumas de suas últimas telas, Flores do Caminho, nasceram durante o período de confinamento. “As ruas de São Paulo, vazias, viraram campo de estudo e, assim, graças às caminhadas diárias em uma cidade adormecida, pude retratar os canteiros floridos e as árvores diversas que, outrora, estavam ofuscados pelo ritmo frenético da cidade” , contou a artista. E as mais recentes foram inspiradas na temporada
de dois meses que acaba de passar em Paris. Por lá, ela ficou não só desfrutando da companhia dos filhos Victor, Antonia e Gabriel (os dois primeiros primeiros moram na França, e Gabriel com os pais no Brasil), mas coletando imagens dos jardins e visitando exposições diretamente ligadas ao trabalho. “Ao chegar em Paris fui presenteada com a exposição Vegetal na L’ecole des Beaux-Arts, que apresentava olhares de diversos artistas sobre a natureza através do prisma universal da arte e da beleza. Uma verdadeira troca e imersão”, celebra.

Roberta abandonou o direito para se dedicar a arte. A então advogada trocou, em 2008, os tribunais pelo ateliê, o terninho pelo avental e os livros pelas tintas. “A arte, para mim, sempre esteve presente, num lugar de destaque e respeito”, ressalta. O gosto pelas artes plásticas vem desde cedo pela influência de parentes e familiares que transitavam nesse meio. Entre eles, destaca-se o avô materno, colecionador e amigo de vários artistas brasileiros, que proporcionou um convívio fundamental em sua formação artística e pessoal. “Em sua casa, tinham quadros de diversos artistas e muitos livros de arte”, lembra. Aliás, esse mesmo avô foi criado praticamente como irmão do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, filho da irmã do bisavô de Roberta.

Roberta formou-se pela Escola Panamericana de Artes em 2011, participando durante este período de estudos de vários cursos livres e ateliers em São Paulo proporcionados pelo MAM, Colégio das Artes, MUB e Instituto Tomie Ohtake, e formando parte de exposições e salões organizados por essas instituições, entre outras. Seguiu também, durante esta época, estudos de desenho e pintura a óleo no atelier do artista plástico Cirton Genaro.

E a paixão por jardins e flores, temas centrais da sua obra? A artista explica que isso se deve ao fato de ter passado a juventude na Granja Viana, em uma chácara cercada de muito verde. “Vim morar na Granja com 9 anos, em um lugar com jardins enormes e muita natureza. E mesmo antes, quando vínhamos a passeio para o sítio, lembro que minha mãe
sempre parava em grandes estufas de flores para montar seus arranjos. Eu adorava. Amava o cheiro de terra úmida. Nunca me esqueço disso. Então, o trabalho é inspirado nessas felizes lembranças da minha infância”, conta.

Em resumo, a natureza, somada ao universo feminino, está presente em seu trabalho, que é sempre muito colorido. “Através das minhas obras, eu desejo para todos felicidade. Meu trabalho bebe um pouco da arte brasileira, mas também busca referências em pintores do início do século 20. Por isso, ele é tão colorido e, ao mesmo tempo, passa a ideia do
sonho. Quero que as pessoas olhem para meus quadros, se desliguem da realidade e possam sonhar um pouco. Meu trabalho é essa busca”, finaliza.

Seus quadros estão em exposição permanente no espaço Galeria do Haras Buona Fortuna.


Roberta Caruso
WhatsApp: (11) 9 9619-2103
@atelier.robertacaruso
robertacaruso.com

Por Juliana Martins Machado

Artigo anteriorCotia inicia implantação da governança e proteção de dados
Próximo artigoCâmara Municipal promove quatro palestras na próxima semana