Dez escolas da região manifestaram interesse em aderir ao modelo cívico-militar

Em Cotia e Carapicuíba, são três escolas.

Em uma recente consulta realizada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc), diretores de 302 escolas estaduais demonstraram interesse em adotar o modelo de ensino cívico-militar em suas unidades. Este movimento ocorre em meio a um debate acirrado sobre a implementação desse modelo – que, de acordo com a Secretaria de Educação (SEDUC), visa melhorar o desempenho escolar e a segurança nas instituições de ensino situadas em áreas vulneráveis.

Na região, algumas escolas de Cotia e Carapicuíba manifestaram apoio ao projeto, diferentemente de Itapevi, que optou por não aderir. A consulta foi direcionada exclusivamente aos diretores de escolas que atendiam a critérios estabelecidos pelo governo estadual, como baixo desempenho escolar e localização em áreas vulneráveis, totalizando 2.022 representantes.

A lista das escolas que demonstraram interesse foi divulgada no Diário Oficial do Estado, no final da semana passada. Em Cotia, a Escola Estadual Deputada Conceição da Costa Neves manifestou intenção em adotar o modelo cívico-militar. Em Carapicuíba, as escolas Estaduais Deputado Salomão Jorge e Basílio Bosniac também demonstraram interesse.

Além dessas, outras cidades da região também tem escolas interessadas. Em Barueri, a Escola Estadual Professora Myrthes Therezinha Assad Villela; em Embu das Artes, as Escolas Estaduais Doutor Eduardo Vaz, Parque Jane II e Marechal Henrique Teixeira Lott; em Jandira, as Escolas Estaduais Dorvalino Abílio Teixeira e Professora Terezinha Palone da Silva Domingues; e em Vargem Grande Paulista, a Escola Estadual Valêncio Soares Rodrigues.

A Seduc planeja iniciar o projeto cívico-militar no próximo ano, com a conversão de 45 unidades escolares para esse modelo. Antes disso, será realizada uma consulta pública para que a comunidade escolar das unidades interessadas possa se manifestar a favor ou contra a proposta.

Na sexta-feira (19/07), o Ministério Público e a Defensoria Pública de São Paulo ingressaram com uma ação judicial para anular o regulamento da Seduc que prevê a implementação do novo modelo de ensino, além de suspender os efeitos das consultas realizadas sobre o tema. A lei que autoriza a implementação do ensino híbrido em São Paulo foi sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas em maio deste ano e tem sido alvo de questionamentos por promotores de Justiça e partidos políticos no Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministro da Educação, Camilo Santana, já se posicionou contra o modelo cívico-militar, afirmando que ele é inconstitucional e que o governo estadual não possui competência para adotá-lo em suas escolas.

As reações na comunidade escolar têm sido mistas. Enquanto alguns pais e educadores apoiam a iniciativa, acreditando que a disciplina e a estrutura do modelo cívico-militar são essenciais para melhorar o ambiente escolar, outros expressam preocupações sobre a militarização das escolas e o impacto disso na liberdade e no desenvolvimento crítico dos alunos.

Por Juliana Martins Machado

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