
A UHELP foi criada para captar recursos online por meio de votação e doação para atender casos de pessoas com deficiência que necessitem de atendimentos multidisciplinares.
Entretanto, no trabalho diário de buscar parceiros e formas de prestar um melhor atendimento aos nossos usuários, levantamos a discussão: é possível falar sobre deficiência sem preconceito e promovendo igualdade de oportunidades? Nos dias de hoje, em que a hiper informação traz à tona, diariamente, casos claros de diferenças de capacidades e necessidades, é imprescindível eliminar preconceitos e aprender a valorizar as capacidades únicas de cada pessoa.
Tentamos simplificar o assunto, criando um glossário e tentando esclarecer e informar cada vez mais as pessoas para diminuir divergências e promover igualdade. E isso só se conquista com menos polêmica e mais trabalho.
Separamos os termos que consideramos mais importantes e que precisam fazer parte do nosso vocabulário diário, se queremos traduzir na prática um discurso correto:
Pessoa com deficiência / Pessoa sem deficiência – falar dessa forma valoriza e simplifica a realidade. Todos somos pessoas, com ou sem deficiência. Dependendo da ocasião, é só acrescentar o tipo de deficiência depois do termo: visual, física, auditiva. Simplificar é a chave para diminuir os muros que foram construídos por décadas de discurso mal elaborado.
Pessoa surda – não é preciso se preocupar, muitas pessoas aceitam o termo normalmente. Da mesma forma, pode-se usar pessoa cega e pessoa surdocega.
Pessoa com baixa visão ou baixa audição – o termo reflete que se trata de uma deficiência parcial.
Pessoa com tetraplegia – não se usa mais tetraplégico ou paraplégico, e sim, pessoa com paraplegia, tetraplegia etc.
Pessoa com deficiência intelectual ou déficit cognitivo – os termos definem a realidade de forma simples e direta.
Pessoa com transtorno mental – o termo é amplo e foge do pejorativo.
Pessoa com deficiência múltipla – o correto é usar todas as palavras no singular.
Sabemos que o discurso é apenas a ponta do iceberg. A realidade se faz também e principalmente de ações, mas aprender a falar sobre o assunto corretamente ajuda a diminuir preconceitos.
Quantas vezes presenciei a expressão de alívio quando alguém sente-se livre para dizer simplesmente que a pessoa é cega ou tem deficiência! O discurso empoado reflete apenas a falta de informação real em que viveu nossa sociedade nos últimos tempos.
Outro ponto importante é que precisamos parar de focar no problema ou no objeto e deixar a pessoa como protagonista da sua própria vida. Dessa forma, cadeirante cede lugar a usuário de cadeira de rodas. O objeto precisa ser colocado em seu devido lugar, o de simples acessório que facilita a locomoção.
por: Vanessa Dias, diretora da UHELP, Ong que atende pessoas com deficiência física (com perda parcial ou total das funções motoras de membros inferiores e/ou superiores ou amputação); deficiência visual ou cegueira; deficiência auditiva ou surdez, surdocegueira. Todo o processo UHELP é acessível, os vídeos e textos são disponibilizados em Libras e Audiodescrição.









