Antagonismo do comportamento real e virtual pode estar ligado a alguma psicopatologia

Pessoas cujas ações da vida real diferem de suas postagens em redes sociais. Vamos falar sério: duvido que entre os seus amigos inserido sem seu perfil não tem ninguém que se enquadra na situação acima descrita.

Muito comum em redes sociais, alguns indivíduos criam nas redes sociais um avatar, ou uma manifestação do que seria uma personalidade ideal, mas que no dia-a-dia deixa a desejar como pessoa.

“Acredito que as pessoas sempre gostam mais de mostrar seu lado que acreditam ser mais positivo ou melhor. Às vezes tem noção equivocada da realidade”, declara a psicopedagoga Elaine Cristina Vasconcelos.

E termina virando aquela velha expressão que, o indivíduo mente tantas vezes que termina acreditando em suas próprias mentiras.

“A impressão é que, assim como algumas pessoas mentem e acreditam em sua mentira. Criam um tipo de personagem nas redes sociais e acreditam ser aquela personagem, mas muitas vezes não são”, afirma Elaine.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Viviane Cornachini,existem alguns agentes de controle do comportamento das pessoas, a exemplo das religiões, educação, governo e sociedade de um modo geral. “Quando a pessoa encontra dificuldades para seguir as regras, leis ou condutas preconizadas por esses agentes de controle, podem acabar optando por esse antagonismo”, declara.

De acordo com Viviane, embora esse comportamento não corresponda a verdade, cumpre a função de proteger do provável julgamento/punição/ sanção que a sociedade impõe.

“A pessoa com esse tipo de comportamento pode ou não identificar essa discrepância entre o real e o idealizado, a depender da causa desse modo de existir (antagônico). No entanto, esse modo de se comportar pode estar ligado a alguma psicopatologia”, diz a neuropsicóloga.

As duas profissionais concordam que há tratamento para quem age dessa forma.

“Faz-se necessário compreender os motivos que conduzem essas pessoas a agirem dessa maneira, identificando se existe uma psicopatologia que dá base para esse comportamento ou qualquer outra condição que melhor explique o caso. A intervenção de um profissional de saúde mental pode ser feita, porém respeitando sempre o interesse, que a pessoa pode apresentar ou não, por essa intervenção”, declara Viviane.

Atualmente há estudos e tratamentos a respeito de possíveis transtornos envolvendo redes sociais.

“Os mais recentes estudos concluem que as redes sociais podem ser mais viciantes que o álcool, nicotina ou sexo. Um bom tratamento terapêutico pode ajudar quando fica caracterizado um transtorno de fato, seja pelo efeito viciante, ou pelo fato da pessoa ter uma falsa percepção da realidade, assim como em casos em que as pessoas têm uma visão distorcida de seu próprio corpo. No Hospital das Clínicas de São Paulo, há uma ala da psiquiatria que trata desses transtornos”, diz Elaine.

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