Carol Dias: de panicat a educadora financeira, uma transformação de sucesso

Carol Dias mostra que é possível para qualquer um alcançar independência financeira e construir uma fortuna a partir do zero, desde que haja disciplina e dedicação. Foi assim que, aos 33 anos, chegou aos R$ 4 milhões em patrimônio. E não pense que foi fácil: quando era adolescente, seus pais perderam tudo e, de uma hora para outra, viu a vida mudar do vinho para a água. Do Morumbi, chegou à Granja Viana, onde passou a ter uma vida mais simples e de onde se reergueu. Foi panfleteira, instrutora de academia, coordenadora de eventos, modelo, Legendete e Panicat. Mas um dia decidiu mudar o rumo da carreira e tomar as rédeas dos seus sonhos. Trocou os holofotes pelos estudos e se tornou especialista em finanças. Criou uma página no YouTube – Riqueza em Dias -, lançou um livro sobre o tema e se divide entre palestras e uma agenda para lá de ocupada. Tem 6 milhões de seguidores no Instagram, onde compartilha experiências e conhecimentos do mercado financeiro. Nesta entrevista, ela ensina a mudar hábitos e a mentalidade em relação ao dinheiro, defende a diversificação da carteira de ativos, dá dicas para poupar dinheiro e fala da sua relação com a Granja Viana, onde viveu por muito tempo. Planeja o futuro e, cheia de planos, não dispensa um retorno à TV. Mas desde que seja um programa sobre aquilo que ela de fato gosta de conversar: educação financeira.

Bela, milionária e protagonista da própria vida. Quem é, de fato, Carol Dias?
Menina dedicada, disciplinada e estudiosa. E que em uma época que tive oportunidade de
ganhar um bom dinheiro, tive boa educação financeira. Não sou de enormes luxos e, hoje,
claro, tenho meu conforto, mas nunca fui de colocar os sonhos na frente do que eu poderia. Sou alguém de hábitos simples e, ah, que não gosta de shopping (risos). Nunca
fui ultraconsumista e sempre muito equilibrada. Essa é a Carol Dias! Uma guerreira que já passou por fases difíceis, mas que hoje agradeço porque me fizeram crescer.

Quais fases foram essas?
Quando eu tinha por volta de 15 anos, meus pais passaram por uma forte dificuldade financeira. Morávamos em um imóvel grande, no Morumbi, e de repente, com o fechamento da empresa, tivemos que nos mudar para a minha vó, uma casa mais
simples. Mudei minha vida do vinho para a água, digamos assim, e tive que me adaptar.
Não tenho vergonha nenhuma de falar que minha família passou por momentos
difíceis, mas foram muito importantes para amadurecer.

Já foi panfleteira, vendedora de loja, coordenadora de eventos, modelo, panicat… Conte-nos um pouco de sua carreira.
Com 18 anos, eu trabalhava como panfleteira numa escola de computação, onde meu irmão era o telemarketing. Na época, fazia faculdade de nutrição. Larguei com 2 anos
e comecei a fazer Educação Física. Passei a estagiar na área e trabalhei em praticamente
todas as academias da Granja. Fui juntando um dinheirinho e, um dia, uma amiga que
trabalhava com eventos me convidou para participar de um. Como meus pais estavam em uma situação financeira ainda mais crítica, resolvi partir para esse ramo. Com 22 anos, já era coordenadora de eventos e, ao mesmo tempo, vendedora em shopping. Virei gerente. Assim, fui entendendo a importância do dinheiro, que era necessário economizar, investir e fui treinando esta mentalidade. Aprendi a viver um degrau abaixo, porque se a gente cair, não toma uma pancada.

Como chegou à TV?
Com 23 anos. O Marcos Mion me viu em uma revista e achou que eu poderia preencher o perfil da vaga de assistente de palco no programa Legendários, na TV Record. Fiz a entrevista e passei. Fiquei lá por dois anos e saí para buscar uma oportunidade melhor. Resolvi estudar inglês e fui para os Estados Unidos, onde fiquei 8 meses. Na volta, fui convidada para o Pânico. Ao mesmo tempo, peguei várias campanhas de marcas grandes e fiz muito merchan. Foi uma época boa, em que consegui poupar dinheiro e investir.

De panicat a educadora financeira: como foi a transformação de carreira?
Eu via pessoas na televisão que tinham ganhado muito dinheiro, mas gastavam mais do que tinham. Eu sempre fui mais pé no chão, porque sabia que era passageiro e tinha que fazer o dinheiro trabalhar para mim, não o contrário. Então, um dia, pensei: quero fazer o que eu gosto e o que eu acredito. Pedi as contas e decidi que queria ajudar as pessoas. Não era sobre dinheiro em si, era sobre sonhos e realizações. Era sobre ter uma velhice melhor. Para isso, tive que estudar, não teve outra saída. Eu sabia que seria difícil no começo e que teria preconceito por eu ter sido modelo de televisão. Mas, ao mesmo tempo, sabia que não seria impossível. Porque quando a gente quer algo, tem um desejo ardente de mudar, tem um sonho, quando está na veia (para e pensa) acontece. Precisa ter planejamento, dedicação e persistência. Não é nada fácil, mas se fosse fácil todo mundo faria igual? É preciso aprender a subir degrau por degrau, mas fazendo sempre o seu melhor. Fiz a escolha certa e, graças a Deus, está tudo indo muito bem.

Quando virou a chavinha e pensou: vou investir?
Como eu já disse, sempre fui uma menina muito tranquila com relação ao dinheiro. Vim de uma família com dinheiro e que, depois, perdeu tudo. Então, eu sabia muito bem a sua importância e o seu valor. Quando eu trabalhava no shopping, ou eu comia no Burger King – que eu adorava – ou pagava minha passagem para ir trabalhar. Então, me dava ao luxo do lanche apenas uma vez por mês e ficava feliz por isso. Nunca dei passos maiores do que eu podia. Meus sonhos sempre foram planejados. Como eu já tinha essa mentalidade blindada de não dar passos maiores que as minhas pernas, comecei a investir o dinheiro logo cedo. Separava um valor por mês para isso. Na Bolsa de Valores, estou há 10 anos. Muitas vezes, o virar a chave vem nas adversidades, como aconteceu comigo.

No site, a descrição: “especialista em se reinventar, a modelo estudou investimentos por cinco anos e percebeu que poderia se tornar uma voz relevante para desmitificar a relação das pessoas com o dinheiro”. Explique.
O que é importante na minha ressignificação é mostrar que as pessoas podem sempre mudar. Primeiro, tem que vir delas. Elas têm que acreditar, confiar e ter um projeto no qual elas foquem e acreditem. Isso fica claro na minha visão, quando a Carol modelo muda para a Carol educadora financeira. A todo momento, a gente pode se ressignificar. Para ir do A ao C, temos o B. E é dentro desse B que está o nosso plano de ação. Eu fui estudar para ter conhecimento e me sentir segura para falar sobre educação financeira, desmitificar esta questão e democratizar o mercado financeiro. Trago de forma simples e com uma linguagem descomplicada. Você pode investir com R$ 50 ou R$ 100, aquele mesmo dinheiro que você gasta em besteirinhas, e garantir o seu futuro. Não é mais desculpa que você não tem milhões, porque não é verdade. Todo mundo deve, pode mudar, melhorar, evoluir a cada dia e investir melhor o dinheiro para um futuro melhor.

Como aprendeu sobre finanças?
Sempre tive essa facilidade de buscar conhecimento e repassar. Quando eu estudava no Colégio Objetivo da Granja, queria ver todo mundo indo muito bem nas provas, então dava aula de reforço para meus amigos. Com as finanças, aconteceu o mesmo. Fui buscar conhecimento com pessoas que me influenciariam de maneira positiva. Estudava de 5
a 6 horas por dia. Hoje, estudo de 2 a 3 horas diárias. Leio, pelo menos, 3 ou 4 livros por
mês. Estou sempre antenada nas notícias. É uma obrigação saber o que está acontecendo,
né? Sou curiosa e estou sempre estudando. Aprender exige de nós. Exige dedicação. É preciso saber organizar os estudos. Por isso, uma dica que dou é: tenha momentos planejados. Quem organiza o tempo, facilita muito. Eu sei os horários que eu vou ter que
estudar. Foi desta maneira que aprendi e venho aprendendo.

Tem uma postagem no Instagram em que você diz: “Vão falar que você teve sorte. Vão falar que você não entende nada. Vão falar que você não merece nenhum reconhecimento. Vão falar que você fez algo errado para mudar. Vão falar que você é mulher, mimada, protegida e vão te ignorar. Vão ter mulheres que vão te criticar. Ah, mas também, ela é favorecida. Ah, mas também foi fácil pra ela. Ah, mas também, também e também…”. Sentiu preconceito no universo das finanças por ser mulher?
Sim, existe esse preconceito ainda. É inevitável e hipócrita falar que não. Existe, porque tem muito homem neste mercado que é ainda machista. Mas veja: se eu não soubesse realmente o que eu estou falando, você acha que as pessoas me dariam atenção? Claro que não! Podem falar que tive sorte, mas não foi. Foi estudo e dedicação. Quantas mulheres estão aí e hoje são representativas, mas ficaram trabalhando e estudando para subir degrau a degrau? No começo, eu tomei muita paulada. Era modelo, tinha saído de
um programa de televisão e nunca tinha falado de finanças. Cheguei a ouvir que eu era louca, biruta e que não ia dar certo. Só que eu não acreditei nessas pessoas, eu acreditei em mim! Sofri e sofro preconceito ainda, mas isso não pode jamais abalar a mim e à minha autoconfiança.

Quando começou a sua independência financeira?
Com 22/23 anos, eu já tinha um milhão em conta. Eu sempre poupei muito bem e os juros compostos me ajudaram muito. (risos) Eu comecei a investir e sabia que, dali para frente, eu teria ainda mais dinheiro porque aquilo ia render. Fui aprendendo e aplicando onde eu sabia que poderia dar certo. Investia muito mais do que gastava. Tinha pé no chão. Hoje, eu tenho meu conforto e realizo meus sonhos. Sonhos têm a hora certa para serem realizados. O tempo e minha paciência foram a meu favor. Assim, fiz o meu patrimônio. E quero, agora, que as pessoas façam o delas. É possível começar.

Como a Carol organiza e planeja sua vida financeira?
Primeiro passo, organização das finanças pessoais. Eu sei exatamente quanto eu ganho
e o quanto gasto. Isso é fundamental para qualquer investidor de sucesso. Segundo
passo, estipulo metas. Sempre faço o dinheiro sobrar para investir no mês. Sempre.
Terceiro passo, não antecipo sonhos. E quarto, uso o tempo a meu favor. Tenho paciência, não sou imediatista.

E qual sua dica para quem quer começar a investir e tem pouca grana?
Costumo dizer que quem não valoriza 5 centavos no chão, não valoriza um milhão na conta. Então, é preciso pensar onde pode economizar. Você não precisa ter o celular da moda, se não dá para ter. Hoje, há investimentos de R$ 50, R$ 100 em boas empresas na Bolsa de Valores. Investir é para todos! Não precisa ter milhões para isso. Recebeu o salário? Já tira uma parte que eu chamo de boleto do investimento, 15, 20 ou 30%. Mas antes de pagar as contas, porque só assim você vai aprender a se virar com menos dinheiro. No começo, pode ser doloroso. Mas é desta forma que você vai aprender, vai sair de dívidas e aumentar seu patrimônio.

Como perder o medo de investir?
Estudar. Não tem outro segredo, a não ser adquirir conhecimento. Estudando, você
perde o medo, fica mais seguro e confiante e entende que é totalmente possível.

Qual o maior erro que as pessoas cometem com relação ao dinheiro?
Imediatismo! Não existe milagre. Não tem como eu ensinar uma pessoa a ficar rica em 7 dias, mas posso ensiná-la a se organizar financeiramente. Infelizmente, o ser humano em geral é ganancioso e impaciente, e isso abre caminho para ele cair em pirâmides furadas. Oriento sobre isso quase que diariamente no meu Instagram: cuidado com os golpes! Tem gente que acha que Bolsa é aposta, mas não é. Por isso, é preciso ter calma. Certa vez, quando a Bolsa caiu e todo mundo entrou em desespero, eu ouvi de um economista: tenha paciência! É preciso diversificar a carteira, se planejar e ter reserva de emergência. Não coloque seu dinheiro num lugar só! Tenha paciência, tranquilidade e visão de longo prazo.

E você, qual sua relação com o dinheiro?
De amizade. Eu adoro ganhar dinheiro, mas eu sei o equilíbrio. Eu não sirvo ao dinheiro,
eu sirvo às pessoas e a Deus. Entendo que o dinheiro foi feito para que eu tenha uma vida melhor, de conforto, mas eu não o deixo me dominar.

Qual ação é a queridinha da sua carteira?
A queridinha da minha carteira (para e pensa) na verdade são três. A Itausa, que é uma holding gigante que tem várias outras empresas e que é uma boa pagadora de dividendos.
Tem a Taesa, uma transmissora de energia elétrica que também é boa pagadora de dividendos e uma empresa super estável. E a WEG, uma empresa multinacional, mas é
nossa, é do Brasil. É uma empresa de motores elétricos, envolvida com energias eólica e
solar, tintas, vernizes… tem um mercado grande lá fora e, para mim, é uma empresa
que ainda tem muito mais a crescer. Também gosto muito da Magazine Luiza, acho que tem história. São queridinhas da minha carteira; não é recomendação para comprar, mas são empresas que eu, Carol, gosto muito.

Qual o pior investimento que existe e por quê?
Poupança. Temos uma taxa SELIC baixa e uma inflação mais alta que o rendimento da poupança. Então, quem deixa o dinheiro lá vai apanhar da inflação. Eu nem chamo isso de investimento mais.

E o melhor investimento?
Poupar, investir e diversificar a carteira. Ou seja, a pessoa vai investir em ações do Brasil e no exterior, vai ter uma reserva de investimento na renda fixa e pode até investir em criptomoedas. Quando der algum problema de queda, a outra parte da carteira estará segura. Saber o seu perfil de investidor também é muito importante: você é mais conservador ou já aceita mais riscos para ter mais rentabilidade?

Você falou em criptomoedas… como avalia?
É uma pergunta que chega para mim todos os dias, porque virou a queridinha de muitos
que acham que vão ganhar dinheiro fácil. Entramos naquela questão do imediatismo.
Mas eu acredito sim, tanto que minha meta é 5% da carteira, enquanto tem gente que tem 1 ou 2%. Imagino que, no futuro, vamos ter ainda mais as cripto, porque elas não dependem da taxa de juros, não tem alguém por trás para controlar, mas precisamos ter calma. Ainda está se provando, e vindo devagar. Eu tive um lucro absurdo com Bitcoin, mas sei que é uma renda variável. Pode subir muito num dia e descer no outro. Sabendo disso, para o investidor que tem toda a carteira diversificada, ok. Mas o que não pode é colocar tudo em criptomoeda, achando que vai ganhar rios de dinheiro em um dia. E muito importante: não confundir bitcoin ou qualquer crypto com pirâmide.

Em entrevista recente, você contou a história do porteiro, que acreditou e começou a investir com uma pequena parte do salário, pensando em um futuro melhor para o seu filho. Como foi isso?
A história do porteiro é incrível para mim e acho que serve de exemplo para todo brasileiro. Um dia, eu estava passando e ele veio falar comigo sobre investimento. Sentamos e começamos a olhar os gastos dele. Ele passou a refletir onde gastava e entendeu que aquela parte do dinheiro poderia ser usada para investir. Ajudei a abrir uma conta na corretora, ele começou a estudar sobre o assunto, entrou na Bolsa de Valores, viu o dinheiro render… Um dia, ele chegou e me disse: “dona Carol, tô conseguindo juntar dinheiro e investir.” Isso mostra que todos nós podemos e devemos fazer isso. E essa é minha meta: transformar a vida das pessoas.

Você é dona do canal ‘Riqueza em Dias’, onde fala de finanças pessoais e investimentos no YouTube, o livro “Rumo à Riqueza”… o que mais vem por aí?
Sabe que foi tudo muito rápido? (para e pensa) Comecei do zero e, em pouco tempo,
conquistei 135 mil inscritos no YouTube. Tenho 6 milhões de seguidores no Instagram. Lancei o livro em abril e está entre os 10 mais vendidos do Brasil. Fico muito feliz e grata. Sou a única mulher desta lista. Já tenho outro livro em andamento, mas este focado em ações brasileiras. Tem o meu curso que está na terceira etapa. E em breve, vou lançar o podcast com meu irmão, De Frente com os Irmãos Dias, que vai trazer bastante conteúdo legal e convidados.

Voltar à TV está no radar?
Eu adoraria voltar para a TV, mas para falar sobre o que eu gosto: educação financeira.
Quem sabe um reality show sobre isso, umprogra ma informativo ou um para jovens. Acho válido e super importante que a gente fale mais a respeito e quebre tabus sobre dinheiro.

Por fim, você morou aqui na Granja Viana por muito tempo. O que o bairro significa para você?
Morei por uns 12 anos. Minha mãe e meus 10 cachorros ainda moram aí. (sorri) A Granja,
para mim, é sinônimo de tranquilidade e de família. Adoro esse contato com a natureza
que o bairro proporciona. Quando estou estressada, gosto de ir praí e ficar com meus bichos. E é isso o que o bairro representa pra mim: serenidade e, acima de tudo, meu
contato com o Senhor.

Por Juliana Martins Machado

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