Thomas Mainente é granjeiro, tem 23 anos e mudou-se para Londres há 2 anos. O que mais gosta por lá é o fácil acesso à cultura, como festivais, teatros, museus e, claro, os pubs, mas a cena que tem visto ultimamente é bem diferente daquele país que o atraiu. “Aqui está igual cidade fantasma de filme, misturado com a calmaria de cidade pequena do interior, o que é muito estranho para um lugar como Londres”, descreve.
O Reino Unido tornou-se o quarto país europeu em número de mortos, atrás de Itália, Espanha e França. Em número de contaminados é o quinto, logo atrás da Alemanha. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, de 55 anos, foi o primeiro líder mundial a ser internado por causa da doença. Ele mesmo que um mês antes havia minimizado o risco de contaminação e insistia na estratégia de imunização de rebanho, que consistia em permitir que as pessoas fossem contaminadas, na esperança de que desenvolvessem anticorpos aos poucos. A ideia foi abandonada no meio do caminho, mas o tempo perdido nela provocou um efeito previsível: a superlotação das unidades de saúde e o temor de colapso no sistema. Em 23 de março, foi decretada finalmente a quarentena, ou “lockdown”, como os britânicos chamam as medidas de confinamento. “Não estou indo trabalhar, a minha loja fechou e a universidade está sendo on-line”, comenta Mainente.
Ele tem tentado manter uma rotina, como dormir e acordar todos os dias no mesmo horário e estabelecer regras para estudo e prática esportiva. “Tenho corrido pelas manhãs, até porque aqui nós podemos sair para fazer exercício por até uma hora por dia, em parques que sejam perto de casa e mantendo distância de 2 metros de outras pessoas”, conta.
Ele enxerga o futuro com otimismo e crê que nos comportaremos diferente enquanto sociedade. “Posso estar errado, mas a visão que eu tenho para quando isso passar é que nós vamos nos comportar diferente como sociedade e repensar nossos valores ligados ao capital e costumes, especialmente os de consumo. Já faz um tempo que estamos precisando repensar isto, talvez este seja o momento mais propício”, aposta. E que ele esteja certo!
No último domingo, a Rainha Elizabeth 2ª fez um pronunciamento carregado de simbolismo e dramaticidade. Em aproximadamente quatro minutos, a rainha comparou o drama atual das famílias confinadas e separadas ao drama das crianças britânicas que foram enviadas a outros países-membros da Commonwealth para escapar dos bombardeios alemães durante a Segunda Guerra Mundial. A rainha defendeu as medidas extraordinárias de confinamento social, elogiou os funcionários do Sistema Nacional de Saúde e afirmou que a atual geração será conhecida no futuro por sua resiliência diante de uma das maiores crises sanitárias que o país já viveu.
Por Juliana Martins Machado















