Após meses de dificuldades vividas por comerciantes da região, datas como a Black Friday e as comemorações de final de ano não foram suficientes para aumentar o movimento na Granja Viana. Para quem teve a oportunidade de circular nos centros comerciais nos últimos dias, foi possível perceber que poucas lojas ou restaurantes se animaram para enfeitar os empreendimentos para o Natal, ou mesmo aconteceram problemas com aglomerações como tem sido visto no centro da capital.
Com o estado voltando para a fase amarela no início do mês e a preocupação em controlar a circulação durante as compras para as festas de final de ano, novas decisões voltadas para o horário de funcionamento começaram a funcionar. Aqui em Cotia, muitos donos de estabelecimentos ficaram insatisfeitos com as determinações, mas hoje percebem que as medidas pouco influenciaram na realidade do município. Isso porque o consumidor está com pouco orçamento para sair às compras, independente de horários de funcionamento.
A revista Circuito acompanhou mais de perto está o movimento de variados segmentos comerciais pela região. Algumas redes de lojas de roupas acreditam que a Black Friday tenha ajudado um pouco nas vendas de final de ano, mas para a maioria, não foi um movimento muito satisfatório para diminuir estoques. No shopping da Granja, a loja Le Lis Blanc, que é especializada em moda feminina, criou alternativas durantes os últimos meses para se adaptar aos dias de quarentena. Houve mudanças no atendimento da loja física, adicionaram o serviço “Whatsapp Business” para criar uma interação digital entre clientes e vendedores e ainda foi um momento de explorar o serviço “drive-thru” em que a loja entrega as roupas em casa. Apesar de todo esse jogo de cintura, a gerente da loja há 11 anos, Angela Maria, pontua que as vendas continuam fracas porque os consumidores estão procurando economizar. “Aqui na loja, a Black Friday ajudou um pouco. Mas agora no final do ano as coisas estão bem paradas. Não estamos com o movimento esperado, mesmo considerando a pandemia, as clientes que vem e procuram mais pelos produtos mais baratos”, comenta.
No segmento de produtos voltados para casa, a venda de móveis e eletrodomésticos sofreu redução durante o ano, mas como muitas pessoas procuraram investir no conforto de seus lares, as vendas não caíram tanto. Cláudio, gerente da Preçolandia, afirma que nesse ramo não há muito como inovar nas vendas, mas foi preciso seguir os protocolos de saúde rigorosamente para continuarem com as atividades. “Em relação aos últimos meses, aumentou um pouco o movimento. É que esse ano foi bem atípico, mas a Black Friday foi normal. Não dá para falar que ajudou, não foi nada de especial. E esse final de ano, em comparação aos outros, está bem fraco, até para o que esperávamos no meio disso tudo que está acontecendo”, avalia. Com base no movimento desse mês, Cláudio aponta que os negócios e empreendimentos ainda enfrentarão meses difíceis, mas ele tem esperanças de que no meio do ano as coisas voltem à normalidade: “Acredito que no primeiro semestre a gente ainda vai sofrer, talvez lá para julho que as coisas melhorem”.
Passando mais tempo em casa, muitas pessoas aproveitaram o tempo para colocar séries em dias, assistir filmes e ler aqueles livros que não tinham tempo para se dedicar na correria dos dias normais. Foi um momento em que houve muita procura em sites de livrarias por variados estilos de leitura. O proprietário da Barco de Papel, Luiz Carlos Ferreira, conta que a unidade do Shopping da Granja está completando dois anos de atividade e eles se reinventaram para manter tudo funcionando. Mas que graças ao serviço online criado pela livraria, sua loja conseguiu se sair bem, mesmo com o baixo movimento e, além de não mandar funcionários embora, ainda contrataram mais pessoas e expandiram o empreendimento. “Antes da pandemia, o site da livraria era parado. Era uma coisa que a gente não fazia questão de ter, mas no momento que a gente estava, acabou rendendo bastante. Eu acho que as pessoas ficam muito presas em seus trabalhos, não só na pandemia, e com o livre acesso para olhar os livros, ter aquela interação e o atendimento também, eles se sentem melhores, conversam, enquanto no site não tem essa interação”, analisa.
O empreendedor acredita que as vendas de livros funcionam melhor sem as restrições, para haver um bom atendimento e uma relação acolhedora no ambiente em que a pessoa está procurando espairecer. Contudo, a alternativa das vendas de livros online foi necessária para não fecharem as portas. Luiz Carlos Ferreira afirma que a Black Friday não fez muitas diferenças por causa dos impostos em cima dos produtos comercializados aqui no país, mas que esse baixo movimento pode servir para que lojistas tomem um fôlego antes dos próximos meses de incerteza. “Com os horários de funcionamento atuais, acho que vai se manter um pouco. Mas depois do natal e das festas, a tendência é baixar o movimento e os horários de funcionamento para oito horas. Os próximos meses na verdade são uma incógnita, né? Esperança a gente sempre tem, mas enquanto não chegar uma vacina que todo mundo tenha confiança será difícil. No nosso coração, a gente espera que tudo vá dar certo”, aposta.
Mas apesar das dificuldades vividas nesse ano e com as dúvidas quanto aos resultados práticos das vacinas, o proprietário da livraria acredita que quem passou por esse ano, no próximo estará mais preparado para os desafios que vierem. “Esse ano foi duríssimo para todo mundo. Para alguns, mais do que para outros. Mas para quem sobreviveu a esse ano, eu acho que no ano que vem estará mais fortalecido. E enquanto não houver a vacina precisaremos usar máscara, álcool gel e tomar sempre todas as precauções”, finaliza.
Victoria Sanches trabalha com artesanato e vê as vendas muito paradas, mesmo para um final de ano de pandemia. “A gente esperava que dezembro o movimento fosse surpreendente, mas está péssimo. Não está a mesma coisa. Com a Black Friday não houve mudanças, não. Continuou tudo muito parado”, lamenta. Assim como outros vendedores que conversamos, Victoria acredita que talvez ainda leve um tempo até que as vendas se normalizem. “Pelo menos para o começo do ano, acredito que as coisas não vão melhorar. Até porque independente de pandemia ou não, janeiro e fevereiro o movimento é bem ruim. Mas lá para o meio do ano, quem sabe”, acredita.

Já na Rua José Félix e na Av. São Camilo, há determinados horários em que o movimento aumenta, mas os comerciantes também afirmam baixas vendas e atividades. Bares e restaurantes começaram a seguir as novas medidas estabelecidas pelo estado de São Paulo nos últimos dias e, para alguns, essa restrição afetou ainda mais o movimento.
Mohamed Ayoub é gerente do restaurante Rosa Rosera e conta que o estabelecimento existe há cerca de um ano, mas começaram as atividades mesmo no meio do ano, quando os dias eram mais desafiadores. De lá para cá, precisaram explorar várias alternativas para manter o local de portas abertas, mas nesse final de ano, quando muitos achavam que as coisas poderiam melhorar, ficaram ainda mais paradas. “Está um pouquinho complicado, viu? O movimento nesse final de ano está bem devagar porque o pessoal ainda está com bastante medo e com essas novas restrições, dificulta ainda mais”, comenta.
Entre as medidas adotadas para manter as vendas de alimentos, eles prestaram serviços para hospitais, entregas de marmitex e até música ao vivo. Mohamed Ayoub assegura que as apresentações de música ao vivo ajudaram a manter o movimento do estabelecimento e espera que as festividades de natal ajudem um pouco nas atividades. “A gente conta com as confraternizações e esperamos que isso ajude um pouco. Vamos fazer a ceia de natal, mas fora do horário, porque dessa vez infelizmente não vamos poder ficar até a noite”, explica. ‘’Eu não sei muito como pode ser o ano que vem. É bem difícil dizer porque tudo vai depender dessa pandemia, vai depender de como vai acabar isso, se é que vai acabar. Mas eu tenho uma expectativa boa de que seja um ano melhor”, finaliza o gerente.
Até que a vacinação chegue a população trazendo confiança e talvez o fim para os isolamentos, a maioria dos comerciantes acredita que o futuro pode ser incerto, mas continuam determinados a esperar por dias melhores em 2021.
Novas regras que passam a funcionar no estado de São Paulo
(começaram a valer no dia 12 e devem durar 30 dias)
Comércio e Shopping
– Devem funcionar por até 12 horas
– Atividades até às 22h
– Para evitar aglomerações, os estabelecimentos devem permitir apenas 40% da capacidade máxima da entrada de pessoas no espaço.
– Uso de máscara e protocolos sanitários continuam obrigatórios.
Bares e restaurantes
– Atividades até às 22h para restaurantes e até às 20h para bares.
– Mesas com até 6 pessoas
– Venda de bebidas alcóolicas apenas até às 20h.
– Para evitar aglomerações, bares e restaurantes também devem permitir apenas 40% da capacidade máxima de pessoas.
– Uso de máscara e protocolos sanitários continuam obrigatórios.
Por Eric Ribeiro














