Cotidiano: O que você estava fazendo?

"O poder da memória afetiva, lembranças que cada um de nós tem que são guardadas no inconsciente para ser saboreadas quando nos convém", escreve Marcos Sá.

Onde você estava e o que estava fazendo? Quando algo marcante acontece, nos toca e nos emociona, nossa memória afetiva registra de forma indelével. E essa pergunta nos faz refletir e sentir a emoção do momento passado de forma presente. Cora Coralina, a poetisa goiana, definiu a memória afetiva muito bem nesses versos: “Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior. Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade. Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”. Nossa memória afetiva guarda imagens, sabores e cheiros da infância em um HD potente, capaz de sobreviver mesmo a chuvas e trovoadas. Lembro-me com detalhes algumas dessas cenas preservadas neste HD. Quem não se lembra do cheiro da comida na casa da vovó? E onde estava e o que estava fazendo quando um fato importante e prazeroso aconteceu? A primeira vez que você viu o Brasil ser campeão do mundo? Onde você estava? A queda do muro de Berlim? E quando aquele seu candidato a presidente ganhou? Quando seu time foi campeão do mundo? (não vale o Palmeiras, pois ele não tem mundial). Lembro-me quando ouvi, pela primeira vez, a canção Hey Jude, um clássico dos Beatles, que me marcou para sempre. Namorava a bordo de um Gordini (quem se lembra desse carro?). Foi um momento inesquecível. E quando você soube que entrou para a faculdade, ou foi aceito naquele tão desejado emprego? Primeiro amor e beijo arrancado da(o) namorada(o) ficou marcado para sempre. Lembra-se do primeiro dia na escola? Da professora querida, e quando conseguiu se equilibrar e andar sozinho(a) de bicicleta? E o primeiro tombo, o primeiro porre e a inevitável ressaca? Primeiro carro, casamento, nascimento de filhos, dos netos, são várias as lembranças que cada um de nós tem e as guardamos no inconsciente para saboreá-las quando nos convém. São delícias que tornam nossa vida mais feliz. E a memória afetiva é muito poderosa! Pois, onde você estava e o que estava fazendo em abril do ano 2000, quando leu a primeira edição do então Jornal Circuito da Informação? Eu me lembro bem. Peguei-o com curiosidade na guarita do condomínio e li com satisfação e prazer. Sempre achei que a Granja e região mereciam uma publicação de qualidade para expressar nossas demandas, preservar nossa história, defender nossos interesses e divulgar as novidades. A partir daí, acompanhei esta trajetória de perto, até ser convidado a escrever essa coluna mensal. “Crazy crise” foi minha primeira coluna publicada aqui, já Revista Circuito. Lá se vão muitos anos e, infelizmente, continuamos convivendo com crises e mais crises. Tive muita emoção e satisfação ao vê-la publicada e, a partir daí, passei a fazer parte da Circuito nesses anos de vida. País difícil para empresários e empreendedores, mas a Revista se superou e atingiu sua maioridade, cheia de energia, indispensável e se renovando sempre. Ao completar seus dezoito anos, parabéns a Revista Circuito e a toda a equipe que a mantém jovem e imprescindível! Ela faz parte da nossa vida!


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas

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