Dia Mundial da Saúde: vamos ‘conversar’ sobre essa data?

Conversamos com Alexander Bez, psicólogo e especialista em Relacionamentos pela Universidade de Miami (UM) e em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA), para refletirmos sobre a data.

O psicólogo Alexander Bez é especialista em relacionamento pela Universidade de Miami, especialista em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA) e atua na profissão há mais de 20 anos. Bez escolheu a profissão após sofrer de síndrome do pânico e encontrou na psicologia uma resposta para si e um meio de ajudar outras pessoas.

Para Bez, o Dia Mundial da Saúde é uma agenda essencial por permitir a reflexão sobre a saúde de forma mais ampla e profunda: “Essa data, comemorada hoje, 7 de abril, foi criada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) justamente para que todos nós pensemos sobre a saúde para além da questão física. Sim, ter saúde não é só não ter nenhuma doença física, sabia?”.

Parece contraditório, mas não é! Vejamos: a própria definição de saúde feita pela OMS diz que “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”.

Vamos desmembrar essa definição? “Acredito que uma reflexão mais ampla sobre a saúde pode nos ajudar a entender essa questão para além do aspecto físico e pessoal. Pense comigo: é claro que o nosso bem-estar físico é essencial. É claro que não termos enfermidades é algo maravilhoso, ficamos mais dispostos, temos vigor, não sentimos dores e nem nos sentimos limitados, certo? Mas tudo isso pode não significar muito se não estamos emocionalmente equilibrados, não é mesmo? Não temos dores físicas, mas podemos ter grandes angústias não resolvidas, uma depressão leve ou moderada; uma tristeza que não passa e quando não tratada pode se transformar em ‘traumas’ mais graves como as ‘famosas’ e sérias síndromes: síndrome do pânico; síndrome de Burnout, entre outras”, comenta o especialista.

Alexander Bez – Psicólogo; Especialista em Relacionamentos pela Universidade de Miami (UM); Especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA). Atua na profissão há mais de 20 anos.

Na atual fase do planeta, em meio à pandemia, muitos profissionais da saúde e da educação, por exemplo, estão vivenciando crises emocionais terríveis em razão do excesso de trabalho, da falta de apoio dos órgãos governamentais e da própria população. “Diante disso, podemos falar que estão plenamente saudáveis? Penso que não, pois embora muitos estejam trabalhando incansavelmente, estão emocionalmente abalados”, questiona.

Quando a OMS criou o Dia Mundial da Saúde, em 1948, foi justamente para provocar todas estas reflexões, para que as pessoas tentem enxergar que a saúde, como um todo, está ligada à outras questões importantes. “Quero lembrar que a cada ano, a OMS escolhe um tema para provocar essas reflexões: em 2009, o mote foram hospitais seguros em emergências; em 2013 o tema escolhido foi a hipertensão; em 2015 foram os alimentos seguros e assim por diante. Este ano, talvez em razão da pandemia, o tema escolhido foi Construindo um mundo mais justo e saudável”, declara o especialista.

Ele acredita que os debates em torno da saúde são importantíssimos, desde que todos sejam capazes de pensar a saúde como um todo: a nossa saúde física e emocional; bem como a saúde do lugar em que moramos e, claro, do país em que moramos. “Precisamos pensar se há, por exemplo, políticas públicas voltadas para todos, se os nossos governos têm oferecido condições de vida saudáveis para todas as pessoas e assim por diante”, pontua.

Para ele, uma reflexão importante que devemos fazer sobre a saúde é esta: muitas pessoas consideram-se saudáveis quando não apresentam, fisicamente, nenhuma doença. “À primeira vista, isto parece perfeitamente normal, porém, a falta de enfermidades físicas não significa, necessariamente, que uma pessoa esteja realmente saudável, como disse no começo desse texto. Acredito que somente uma análise ampla e que contemple vários aspectos, poderá revelar se uma pessoa é, de fato, saudável”, esclarece.

Como vemos, essa é uma data que oferece muitas abordagens. “Vamos sim, comemorar o Dia Mundial da Saúde, vamos nos alimentar corretamente, praticar atividades físicas, isso é básico. Mas vamos também cuidar da nossa saúde mental, buscar o equilíbrio das emoções, ler bons livros, enfrentar nossos medos, procurar alternativas saudáveis para lidar com nossas limitações pessoais…  E vamos também nos interessar mais pela saúde do lugar em que moramos, pela saúde ampla dos que convivem conosco, enfim. Dessa forma, penso que atingiremos um estágio no qual seremos, de fato, saudáveis”, finaliza Alexander Bez, que é psicólogo e especialista em Relacionamentos pela Universidade de Miami (UM) e em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA).

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