Essas duas letrinhas inocentes, escondem as  dificuldades de um bom relacionamento. Há casais em que os parceiros/as vivem procurando pêlo em ovo, há casais que negligenciam as dores e não percebem a casa caindo e há casais que regam as relações diariamente para que elas se tornem longevas e saudáveis. Afinal, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e até que a morte nos separe” é o juramento que se faz numa união.  

O segredo para uma união  prazerosa, saudável e plena de felicidade é…Ah! Se eu soubesse estaria milionário vendendo a fórmula preciosa. Mas, e sempre tem um, há uma analogia muito interessante que abre caminhos para uma reflexão sobre o assunto. Trata se de uma comparação sobre uma partida de tênis versus uma partida de frescobol ou raquetinha. Segundo essa premissa, há dois tipos de casamentos. Os casamentos do tipo tênis e os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. 

Vamos aos jogos. O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro, o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper e derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro. 

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra,  pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um é um acidente lamentável e que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância, começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. 

A bola são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá. 

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada e destroem todos os propósitos. Desta forma marcam constantemente superioridade. 

Tênis é assim, recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente, o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.

Que mais é mais casais joguem frescobol no jogo da vida! E sejam felizes! 

Marcos Sa é palestrante e consultor de propaganda e marketing,  com especialização na universidade de Stanford, California, EUA.

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