Essa é a primeira vez que o karatê compõe um programa Olímpico. Você pode estar se perguntando: como assim? O karatê nunca esteve em uma Olimpíada antes? É um esporte tão comum e antigo, que é mesmo estranho pensar que essa é sua estreia em Jogos Olímpicos.

Mas é que, na verdade, sempre foi considerada uma arte marcial focada na autodefesa e no equilíbrio da mente e do corpo. Portanto, não era visto como um esporte em si. Mas depois de muita luta, em 2016, o Comitê Olímpico Internacional aceitou a modalidade e esta estreará nestas Olímpiadas, em Tóquio. As competições serão no icônico Nippon Budokan, com medalhas sendo entregues em cada dia de competição.

O esporte será disputado entre 5 e 7 de agosto por homens e mulheres, divididos em três categorias de peso cada: masculino -67 kg, -75 kg, + 75 kg e feminino -55 kg, -61 kg, + 61 kg, em eventos de kata e kumite, realizados no Nippon Budokan – lar espiritual das artes marciais japonesas, e originalmente construído para eventos de judô nos Jogos Olímpicos de 1964.

E nós convidamos o carateca Dudu Fuchs Júnior para comentar esta participação do karatê nos Jogos Olímpicos:

Dudu Fuchs Júnior: o pequeno príncipe cotiano do Karatê

Este atleta mirim de Cotia causa espanto e admiração entre leigos e mestres praticantes do esporte por seu talento, dedicação e precocidade. Já dedicamos algumas páginas para falar sobre ele, mas você o conhece? Dudu Fuchs Júnior tem 9 anos e está no 4º ano do ensino fundamental I. Iniciou nas artes marciais em 2016, aos 4 anos de idade, à princípio com o intuito exclusivo de exercer uma atividade física.

Lá se vão 5 anos na prática do Karatê (caminho das mãos vazias) e Kobu Do (caminho das armas antigas de Okinawa) no estilo Shorin Ryu da escola Shinshukan e muitas conquistas. É 2° kyu (faixa roxa) em karatê, 3° kyu (faixa verde) em Kobu Do e aluno direto do Mestre Gilson Nunes, Presidente da Associação Muguen Kan Cotia, 8° Dan em Karatê e 6° Dan em Kobu Do.

Em 2016, foi convidado para participar de uma competição em Santos onde foi destaque subindo ao pódio como vice-campeão. Era o clique para tomar gosto pelas competições. Ainda em 2016, participou de mais uma competição, agora em Mogi das Cruzes, onde sagrou-se campeão. No seguinte, participou de 13 competições e trouxe para casa 9 medalhas de ouro e 4 de prata. Terminou o ano em 1º lugar no ranking SSK.

Em 2018, filiou-se à FPK (Federação Paulista de Karatê), aumentando assim as participações em torneios. Disputou 12 competições, conquistando 8 medalhas de ouro, 1 de prata e 2 de bronze. Foi campeão brasileiro de Karatê SSK e campeão brasileiro de Kobu Do SSK, e terminando o ano em 1º lugar no ranking SSK.

Em 2019, filiou-se à CBK (Confederação Brasileira de Karatê) e foi convocado para integrar a Seleção Brasileira ShinShukan no Mundialito de Karatê e Kobu Do, na Argentina. Teve a honra ainda de ser convidado para fazer a abertura do Mundialito com uma apresentação de Kobu Do, terminando o ano em 1º lugar no ranking SSK. Entre treinos, seminários e apresentações, ainda disputou 24 competições, subindo ao pódio em todas. Foram 17 medalhas de Ouro, 2 de Prata e 5 de Bronze, sempre representando a cidade de Cotia.

Mesmo com todas as adversidades por conta da pandemia, se adaptou, manteve o foco e sua rotina de treinos, continuou seu desenvolvimento na arte do Karatê e Kobu Do. Sem competições presenciais, o pequeno disputou 12 competições online de nível nacional, conquistando 10 medalhas de ouro e 2 de prata.

Em 2021, já participou de algumas competições, conquistando o 1º lugar em todas. Apesar da pouca idade, devido à disciplina, determinação e constante rotina de treinos tem alcançado excelentes resultados e conhecimentos nas artes marciais.

Sobre o futuro? Uma coisa é certa para este garotinho: seguirá com sua jornada no “Do”, “um grãozinho de areia por dia, todos os dias, aprendendo, aperfeiçoando técnicas, treinando, desenvolvendo sua força física e mental e com a certeza de jamais ter como meta ser melhor que ninguém, tendo como objetivo se tornar uma pessoa melhor que o dia anterior”.

Por Juliana Martins Machado

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