Falta de educação torna invisíveis profissionais de algumas áreas

Para desenvolver sua tese de mestrado, o psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo (USP). A conclusão de sua pesquisa comprovou a existência da invisibilidade pública, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. 

“Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, declarou o psicólogo em entrevista ao jornal Diário de São Paulo.

Fernando voltou a sua rotina diária para atuar na área de psicologia, mas para muitos profissionais da área de limpeza, controle de acesso e segurança, essa invisibilidade esta presente diariamente em seus cotidianos.

“Há uma falta de educação muito grande, e não é pela correria do dia a dia das pessoas, pois não custa nada dizer um bom dia”, disse a controladora de acesso Camila Oliveira Meireles, 22.

De acordo com Camila, esse tipo de comportamento não a incomoda mais e nem prejudica o andamento de seu ofício.

“Algumas pessoas que nunca cumprimentam quem trabalham na recepção, terminam precisando, cedo ou tarde, de algum favor desses trabalhadores”, afirma Camila.

O líder Augusto Ricardo, 37, com 18 anos de experiência na área de segurança, acredita que a falta de cordialidade dos transeuntes muitas vezes extrapola a falta de educação e é derivada de um preconceito.

“Cumprimentar um segurança ou outras pessoas que trabalham em funções semelhantes não deixa ninguém mais pobre ou menos importante, ao contrário, só mostra o valor do caráter de alguém”, diz Augusto.

Para Márcia Cristina Duarte Munin da Silva, 49, auxiliar de serviços, a educação dela independe do comportamento de outras pessoas.

“Não espero ninguém me cumprimentar, desejo bom dia, boa tarde ou boa noite a todos. Se me responderem de volta, fico feliz, mas se não retribuem a saudação, ainda assim me faz bem por ter feito a minha parte”, declara.

De acordo com Márcia, essa invisibilidade criada pela função que exerce, não deve mudar o comportamento ou o alto-astral de ninguém.

 “Mesmo que alguém não seja educado comigo, a minha gentileza com os outros me dá harmonia e bem estar para eu seguir bem meu dia”, diz.