O Prêmio Inspiradoras chega à sua segunda edição tendo como missão pesquisar, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras. O foco está em três principais causas: enfrentamento à violência contra a mulher, conscientização e pesquisa sobre câncer de mama e promoção da equidade de gênero. A premiação é resultado de uma parceria firmada entre Universa, a plataforma feminina do UOL, e o Instituto Avon, organização da sociedade civil que realiza ações e apoia projetos para fortalecer a mulher brasileira.

Entre as 21 finalistas do prêmio, está a cotiana Bia Diniz, que é fundadora da Cruzando Histórias, organização sem fins lucrativos que atua há 5 anos pela valorização e inclusão das mulheres no mercado de trabalho e que, em 2019, fez parceria com a Revista Circuito para a execução do projeto Selo Cidadão: Conexão&Emprego. Ela concorre na categoria que vai reconhecer mulheres à frente de iniciativas da sociedade civil que promovam a equidade de gênero e a autonomia das mulheres.

 


Matéria do Uol destaca o trabalho voluntário de Bia

Bia Diniz assistia a uma reportagem sobre desemprego no Jornal Nacional quando se comoveu com a história de uma mulher. Sueli era um dos 13 milhões de brasileiros sem trabalho em 2017 e, na fila para entregar currículo, no centro de São Paulo, chorou ao contar que ela e as duas filhas corriam o risco de serem despejadas. “Liguei na emissora e percorri as agências de emprego do centro, mas não a encontrei”, diz Bia.

Como não conseguiu ajudar Sueli, Bia decidiu amparar outra mulher na cidade onde mora, Cotia, na região metropolitana de São Paulo. Diná também estava sem trabalho, tinha uma perda grave de visão e o marido doente. Depois de visitá-la, Bia publicou a história numa página no Facebook, batizada de Cruzando Histórias. O post viralizou e Diná recebeu doações, além de atendimento médico.

No ano seguinte, a Cruzando Histórias se tornou uma organização sem fins lucrativos que ajuda mulheres a procurarem emprego. De lá para cá, a iniciativa impactou cerca de 9 mil mulheres com palestras, cursos, análises de currículo e atendimento psicológico. Dessas, cerca de 30% conseguiram uma nova vaga de trabalho. Por essa iniciativa, Bia, 35 anos, é uma das finalistas do Prêmio Inspiradoras, na categoria Igualdade e autonomia.

“Quando acordo, penso: de quantas mulheres vamos cuidar hoje? A recolocação é consequência”, diz a empreendedora social.

Voluntariado como vocação

O trabalho voluntário fazia parte da vida de Bia desde a infância, principalmente por influência da avó materna, mas não achava que seria possível uma carreira no terceiro setor. Essa percepção começou a mudar em 2016, quando conheceu Mariana Fischer, fundadora da Hai África, iniciativa que mantém uma pequena escola primária em Kabiria, no subúrbio de Nairobi, capital do Quêniai.

Bia sugeriu que as duas vendessem brigadeiros para arrecadar fundos para o projeto. Em três meses, foram 15 mil unidades vendidas. A meta era 200, número suficiente para manter a escola por alguns meses. O resultado deu novo ânimo a Bia, que se sentia desmotivada no trabalho como analista de RH no setor público. “Eu não era ‘só’ uma assistente de RH, como meu chefe dizia de forma depreciativa”, conta.

Quando o post sobre Diná viralizou, Bia recebeu inúmeras mensagens de pessoas desempregadas, principalmente, mulheres. Depois de conversar online com algumas delas, decidiu fazer algo inusitado. Numa lousa, escreveu: “você está desempregado? Fale comigo” e foi para a rua. “Nunca havia ficado sem trabalho e não sabia que dor era aquela. Queria entender”.

Durante oito meses, ela percorreu vários pontos da capital paulista. Ouviu mais de 800 pessoas e escreveu sobre 80 delas na página da Cruzando Histórias. Um banco de praça ou uma mesa numa padaria se tornava o lugar para as conversas antes de entrar no trabalho, no horário do almoço, no fim do expediente e até aos sábados. “Quanto menos eu falava, mais as pessoas se abriam”, conta Bia, que levava o notebook na mochila, fazia currículos, cadastros em sites de vagas, criava e-mails. “O mais valioso foi entender o que cada um estava passando”, afirma.

A procura pela Cruzando Histórias cresceu ainda mais depois que Bia deu uma entrevista na TV. Foram 5 mil e-mails recebidos e respondidos com a ajuda de três amigas. Com a venda de pulseiras de miçangas, ela decidiu alugar uma sala uma vez por semana, por um período de duas horas, para receber as pessoas. Ganhou ainda a adesão de profissionais que se ofereceram para ajudá-la com análise de currículos e rodas de conversa.

Após vários cursos e programas de aceleração, Bia deixou o trabalho em 2019 e se dedicou só à organização. Quando a pandemia de covid-19 chegou ao Brasil, 60 psicólogos e 70 profissionais de RH foram treinados para atender online, expandindo a atuação da Cruzando Histórias para todo o país. Em cinco meses, 1200 pessoas receberam atendimento psicológico e orientação de carreira gratuitos.

Uma organização dedicada às mulheres

Impactada pelo salto nos números de violência contra a mulher na pandemia, Bia decidiu assumir de vez que a organização era voltada para mulheres.

Com patrocínio de uma multinacional do ramo de cosméticos, a organização levou a quase 8000 pessoas um treinamento gratuito cujo objetivo é prevenir o assédio nas ruas, auxiliando pessoas de todo tipo a identificar o crime e encontrar formas de proteger a vítima. Por meio de conscientização sobre o que é a importunação sexual, os participantes interferem para ajudar uma mulher nessa situação.

Na Cruzando Histórias, elas encontram a chance de voltar ao mercado de trabalho. Também têm acesso a cursos online e presenciais e apoio psicológico. Há ainda uma curadoria semanal de vagas e dicas de leitura e de filmes, compartilhadas em grupos do WhatsApp.

Em maio deste ano, a organização ganhou um espaço físico, a Casa CH, uma sala na rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, com computadores, internet, a presença diária de consultoras de carreira e uma psicóloga que atende uma vez por semana. A expectativa é receber 3 mil mulheres em um ano.

Marta Regina Miranda Geraldino, 46 anos, já esteve lá. “Participei de uma oficina sobre o LinkedIn, rede social que não conhecia. Me sinto mais inserida no mercado de trabalho atual”, diz. Professora de educação infantil, ela perdeu o trabalho depois da licença-maternidade, há seis anos. Com a pandemia, sentiu mais dificuldade de se recolocar. “Com a Cruzando Histórias, aprendi a me expor melhor. Estou mais confiante para falar com os recrutadores. Vendo semijoias e os treinamentos me ajudaram também a aprimorar o discurso de venda”, diz.

Multiplicando voluntários

Em 2019, Bia desenvolveu o método que chamou de EscutAção, resultado da experiência das conversas nas ruas. “É algo baseado em comunicação não violenta, escuta empática, acolhimento e orientação a mulheres vítimas de violência. Já são mais de 200 voluntários formados, que atenderam cerca de 2 mil pessoas”, diz.

Desde o ano passado, a Cruzando Histórias também desenvolveu 11 projetos em parceria com empresas em diversas regiões do país. O mais recente deles é um preparatório para processos seletivos com 50 vagas no Rio de Janeiro. A mentoria das mulheres inscritas será feita por colaboradoras de uma empresa de bebidas, que patrocinou o curso. As mentoras foram treinadas pela Cruzando Histórias. “Damos uma formação e oferecemos a experiência de ser voluntário. Isso tem muito valor”, afirma Bia.

Fonte: Uol

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