O Gambito da Rainha já está entre as séries mais vistas da Netflix. Ambientalizado nos anos 60, a série narra a história da jovem Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), que após ficar órfã passa a viver em um orfanato, com regras rígidas e vê no xadrez a sua grande oportunidade de mudar de vida. Torna-se uma aficionada pelo jogo. Vencer e ser a maior jogadora do mundo é sua única meta. Mas para alcançar isso, Beth terá que enfrentar o vício nas drogas, que começou ainda quando menina no orfanato, o preconceito e o machismo, uma vez que naquela época, Xadrez não era considerado um esporte para meninas. Mas será que, 50 anos depois, o esporte já pode ser considerado um jogo para todos, independente de gênero?
Mesmo entre os que não jogam Xadrez, a série chamou atenção e fez com que os termos gambito da rainha e xadrez fossem os mais procurados nas plataformas de buscas na internet nos últimos dias. E os tabuleiros ganharam posição de destaque. Por ser um jogo de estratégia e mexer com o raciocínio das pessoas, o jogo é muito utilizado nas salas de aula, com crianças e adolescentes.
O professor e enxadrista Jefferson Pelikian, considerado um dos maiores treinadores de Xadrez do Brasil, participou na terça-feira (8) do programa Circuito News, exibido pelo Facebook e pelo YouTube, e falou sobre a importância do xadrez para o desenvolvimento intelectual de crianças, adolescentes e adultos. “O xadrez é muito democrático, não tem idade nem gênero, todos podem jogar entre si, uma criança de 6 anos pode jogar com um idoso de 90, por exemplo”, comentou.
Segundo o treinador, cada vez mais as escolas vem adotando o esporte na grade curricular por uma questão pedagógica. “As crianças melhoram a capacidade cognitiva e a inteligência e desenvolvem uma série de habilidades”, destacou. “A série é muito bem ambientada, mas foca no xadrez competitivo, muito diferente daquele praticado na realidade escolar entre as crianças. Quando inserido na sala de aula como atividade pedagógica, o Xadrez desenvolve a concentração, o raciocínio lógico e abstrato. O Xadrez força a criança a se concentrar e a memorizar certas situações, é uma ferramenta pedagógica que auxilia outras habilidades”, completou.
Mas passados quase 40 anos, o Xadrez ainda é um esporte majoritariamente masculino. “As coisas estão mudando e tentando chegar a um equilíbrio”, diz Jefferson, lamentando a predominância masculina no esporte e a luta das meninas, “com muita razão para que as coisas fiquem mais equitativas”. Por outro lado, Jefferson destaca um fato curioso de que as meninas começam a jogar cedo, com mais empolgação que os meninos mas, por volta dos 12 anos desistem de jogar.
Por fim, Jefferson recomenda que o Xadrez esteja em todas as famílias e escolas, seja para entretenimento, competição ou desenvolvimento cognitivo.
Por Sonia Marques














