Marcos Sá escreve sobre a acomodação

"Não deixe de aproveitar a vida, pois ela passa rápido. Incorpore o que de bom aprendemos com a reclusão, adote os hábitos compatíveis com o novo momento e bola pra frente", escreve nosso colunista.

Nosso colunista Marcos Sá escreve sobre o costume de ficar em casa e o perigo de seguir a mesma rotina há 18 meses.

Parece que estamos finalmente conseguindo controlar a pandemia do coronavírus. Quando escrevo essa coluna, vejo resultados que mostram uma queda no número de infectados e, principalmente, no número de óbitos. Ufa! Tomara que a tendência continue e, aos poucos, as atividades todas voltem ao normal. Comparando com alguns meses atrás, avançamos em relação à imunização. Muita coisa já foi dita sobre as mudanças de costumes durante a pandemia (detesto essa palavra), portanto, o assunto está quase esgotado. Novos hábitos, bons ou ruins, e muita conversa já rolou sobre o tema. Feita essa introdução, chego ao ponto que me chama a atenção no atual momento da – argh! – pandemia. Temos que entender que o período crítico está passando. Grande parte da população está vacinada e as medidas de flexibilização estão em pleno andamento. Ou seja, a vida aos poucos está voltando ao normal. Escolas, escritórios, restaurantes e até shows e espetáculos de arte estão de volta. Mas tenho percebido que muita gente vem usando como desculpa a necessidade de isolamento, para não pôr o nariz para fora de casa. Convenhamos que todo cuidado é pouco, mas e a preguiça de sair de casa? Voltar ao ambiente de trabalho, pegar trânsito, frio, chuva, sair para jantar fora, viajar e ter que usar aquela roupa que, muitas vezes, não serve mais, ou caiu de moda… Dá uma preguiça! Tem gente que, nessa onda toda, se acomodou de vez. Usa o vírus como escudo para tudo. Praticamente, pendurou a chuteira. Auto aposentou-se prematuramente. Acostumou-se a ficar em casa e segue a rotina que se habituou durante os últimos 18 meses. O home office, videoconferências, calls, aulas virtuais, salas de bate-papos e o isolamento. OK, aos poucos, vamos incorporando algumas dessas novidades na volta ao nosso dia-a-dia presencial, mas estamos voltando ao mundo real. A vida como ela é. Tenho amigos, parentes e conhecidos que não comparecem a lugar nenhum, usando o escudo do medo da contaminação. Reforço a necessidade de cuidados, mas nem tanto ao céu nem tanto à terra. O perigo na insistência do isolamento excessivo é a depressão. A ausência do convívio social e o isolamento levam ao sedentarismo, aumento do consumo de álcool, ganho de peso, perda da vaidade, da vontade de novas realizações, e pode levar à depressão, tanto em crianças, jovens, adultos ou idosos. Ficar de pijama o dia todo em casa nunca fez bem a ninguém e não é agora que vamos deixar a preguiça, medo ou acomodamento tomar conta das nossas vidas. Portanto, se você já está vacinado e está saudável, olhe-se no espelho, ponha seu melhor sorriso no rosto, sua máscara preferida, vista a melhor roupa, arrume-se, corte os cabelos e a barba, encolha a barriga, levante a cabeça e vamos à luta. Mulheres, vistam seus melhores vestidos, ajeitem o cabelo, passem aquela maquiagem legal, o batom preferido, e vamos celebrar a vida. Academias, restaurantes, caminhadas, praias com o verão chegando, cinemas, tanta coisa boa nos espera! Não deixe de aproveitar a vida, pois ela passa rápido. Incorpore o que de bom aprendemos com a reclusão, adote os hábitos compatíveis com o novo momento e bola pra frente. Com cuidado e com responsabilidade, conseguiremos nossas vidas de volta, por inteiro. Acomodados, reféns do medo, seremos prisioneiros de nós mesmos.


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas

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