Lá vamos nós, 2021! Nunca um ano novo foi tão esperado! Não tanto pelo que ele será, mas sim pelo que foi seu antecessor 2020. Este novo ano chega cheio de esperanças. Vacina, fim da pandemia, volta às aulas e ao normal, retomada econômica, redução do desemprego, torcida nos estádios, esportes coletivos, viagens, abraços e beijos nas pessoas amadas, são muitas as expectativas de retomarmos nossas vidas e vivê-las intensamente. Não vejo a hora de os noticiários mudarem de assunto: covid-19, óbitos, segunda onda, distanciamento social, máscara, contaminação, são horas diárias de más notícias, uma tristeza só! Mas sempre há um lado bom em tudo: esse ano de reclusão nos fez descobrir novas coisas e dar mais valor às velhas. Aposto que todo mundo descobriu como é o seu próprio hálito. Sim, o uso das máscaras faz com que convivamos diariamente com ele, seja bom ou ruim. As máscaras agora fazem parte dos nossos apetrechos diários. Quando saio, carrego dois celulares, carteira, mochila de trabalho, chave do carro, álcool em gel e, agora, mais uma ou duas máscaras. Dá para imaginar o que pessoas minimamente atrapalhadas, como eu, sofrem com essa parafernália toda? A toda hora, um desses apetrechos me abandona, e passo horas procurando pelo desaparecido. Nossas rotinas mudaram abruptamente, em home office com a família e com as crianças sem aula e sem amigos, tivemos que exercer a paciência. Executivos(a), empresários(a), chefes e pessoas que costumávamos ver sempre na estica nos escritórios e coworkings, aparecem nas calls, descabeladas, de bermuda, moletom, camiseta, com a cara lavada, de chinelão e entre latidos dos cachorros e berros das crianças, coadjuvantes inesperados nas calls. Levei horas para reconhecer um colega que sempre vai de terno e gravata e que apareceu numa call de boné e camiseta regata. Mães e pais desesperados tentando participar das calls, ao mesmo tempo que tentam apaziguar uma briga por chocolate entre irmãos na cozinha. Sem contar a quebradeira na obra no andar de cima ou a furiosa furadeira descontrolada do vizinho ao lado. E temos caras dos Correios, Mercado Livre e iFood que batem na porta o tempo todo com entregas. Tem também o telefone fixo da casa, que não serve para nada, mas você tem que ter por conta do pacote da internet. O maldito toca o dia inteiro e atendo, sim, porque lá em casa ninguém atende, e lá vem o telemarketing oferecendo tudo o que eu não preciso! Outra ligação, agora uma gravação robótica, depois, um agente financeiro, e a pior de todas, a Vivo, procurando por um caloteiro que nunca vi mais magro. Tem a Jéssica, a Rita e o famoso Clarindo, sobre o qual já escrevi aqui. De tanto insistirem na procura pelo desconhecido Clarindo, resolvi informar solenemente a Vivo que, infelizmente, o tal Clarindo falecera. Teve enterro e tudo mais, portanto achei que me livraria de tais ligações. Doce ilusão! A busca continua! Eles querem o defunto! Mas voltando ao trabalho, dois extremos: há dias com reuniões intermináveis, WhatsApp 24h, chamadas todo o tempo e a qualquer hora, sem tempo para refeições, banho, café etc. Ou dias com marasmo total. Em ambos os casos, a ansiedade prevalece e temos a sensação que faltou alguma coisa. De bom, intensificamos a convivência com nossos entes queridos, valorizamos mais nossas casas e buscamos torná-las mais confortáveis. Cuidamos mais da nossa saúde e aprendemos que a vida é frágil. Que 2021 seja um ano de realizações e de compensações de tudo pelo passamos em 2020!
Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas















