Filho de um comerciante de cereais, que achava que os artistas não passavam de boêmios irresponsáveis, incentivou o filho a entrar na Faculdade de Direito, em Paris, em 1887.

Aos vinte anos, após uma crise de apendicite, ficou acamado por várias semanas. Para ocupar seus dias, sua mãe lhe deu uma caixa de pintura e, assim, ele descobriu o prazer pela arte.

Em 1890, abandonou definitivamente a faculdade de direito para se dedicar à arte. Em Paris ele é admitido na Escola Nacional de Belas Artes e frequentou o ateliê de Gustave Moreau em 1895.

Em 1896, Matisse exibiu sua obra pela primeira vez na exposição Salon des Cent (Salão dos Cem) e no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes. Ambos os salões foram iniciativas que vendiam obras de arte a preços acessíveis e permitiram que ele mostrasse seu trabalho sem passar por um júri.

No início de 1905, participou de uma importante exposição em Bernheim-Jeune e do Salon des Independants (Salão dos Independentes). No Salon d’Automne (Salão de Outono) de 1905, as obras de Matisse, Albert Marquet, Vlaminck, Derain e Kees van Dongen, causam um escândalo com suas cores puras e brilhantes. A aparência dessas pinturas agrupadas em uma sala, segundo a crítica de Louis Vauxcelles, era a de uma “gaiola com feras”. O nome “fauvismo” (fera) é imediatamente adotado e reivindicado pelos próprios pintores, iniciando assim o movimento artístico Fauvista. Este período também foi importante para o reconhecimento do seu trabalho.

Em 1941, sofrendo de câncer, foi hospitalizado na clínica do Parc de Lyon. Seus médicos lhe disseram que ele não teria mais do que seis meses de vida. Matisse morreu em 3 de novembro de 1954.

Matisse é considerado hoje, juntamente com Picasso e Duchamp, como um dos três artistas principais do século XX, responsável por uma revolução na pintura e na escultura.

 

 

VAMOS OBSERVAR

A Mulher Com Chapéu, 1905

Óleo sobre tela

80.65 cm × 59.69 cm

San Francisco Museum of Modern Art

 

Esta obra de Matisse causou um alvoroço ao ser apresentada pela primeira vez em 1905. Os críticos a chamarem de “fera” (fauves). Também conhecida por “Senhora Matisse”, esta obra prima, que deu origem ao Fauvismo e revolucionou o mundo das artes no início do século XX, é um retrato da esposa do artista. O quadro desafiou toda a ordem intelectual da época e, por isso, foi muito criticado. A intenção de Matisse foi transmitir ao público emoções estéticas profundas, através da exaltação das cores, usadas em tons fortes e contrastantes, onde a ilusão da terceira dimensão se perde. Antes do século XX, os pintores limitavam-se a demonstrar a realidade nos seus quadros. Depois de Matisse, esta mentalidade acadêmica foi abandonada e os artistas começaram a desafiar o status quo, pintando a realidade como eles viam, não somente como ela é.

Nas cores, Henry utiliza tons puros, sem misturas. Destaca-se a oposição entre o vermelho e o verde, cores complementares, presentes no fundo e repetidos nas roupas de Madame Matisse. A composição deste quadro é bastante convencional, mas o espaço que a figura ocupa é bastante arbitrário, sem regras de perspectiva ou sugestão de profundidade.  Para os fauvistas, as linhas deveriam brotar impulsivamente na tela. Buscava-se pintar como uma criança, traduzindo sensações primitivas aos que observam. As formas são simplificadas, criando assim uma estilização única que torna sua obra reconhecível imediatamente.

Este retrato é um harmonioso arco-íris. No meio de tantas cores, o distinto chapéu da senhora, cheio de flores, se destaca. As flores foram o maior alvo dos críticos da época, que as classificaram ridículas, sem contornos definidos e incompletas.

A história da arte se repete através dos tempos. Sempre que um artista ousa quebrar as regras é criticado e reprimido. O ser humano rejeita o que lhe é estranho, até que se torne não estranho. A criação do fauvismo foi de fato uma sublime e escandalosa revolução. Além disso, o público, mesmo que não o admitindo, necessitava de algo que o fizesse rir, que lhe fizesse libertar-se do comum e, por fim, que lhe fizesse sentir e pensar de forma diferente. A Mulher com Chapéu foi de fato uma das obras mais controversas e inovadoras dos primórdios século XX.

 


Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles.

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