No Dia do Tietê, rio tem mancha de poluição de 130 km

Monitoramento da Fundação SOS Mata Atlântica em 137 pontos mostra que 38,7% dos locais analisados estão com qualidade ruim ou péssima

A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou nesta sexta-feira (22), data em que se comemora o Dia do Tietê, os resultados do monitoramento da qualidade da água feito por voluntários na bacia do mais importante rio paulista. O estudo aponta uma diminuição de 7 km no trecho considerado morto, que agora tem 130 km de extensão.

A mancha de poluição está localizada entre os municípios de Itaquaquecetuba e Cabreúva, representando hoje 22,5% do trecho monitorado de 576 km do rio, da nascente em Salesópolis até Barra Bonita. A avaliação da qualidade da água e da evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê refere-se ao período de setembro de 2016 a agosto de 2017.

O levantamento foi realizado em 40 municípios de três regiões hidrográficas (Alto e Médio Tietê, Sorocaba e Piracicaba, Capivari e Jundiaí), áreas que correspondem a 50% da bacia hidrográfica do Tietê, o maior rio do estado de São Paulo. O estudo também mostra que apenas três (2,2%) dos 137 pontos de coleta de água analisados apresentam qualidade de água boa. Outros 81 pontos (59,1%) estão em situação regular e 53 (38,7%) em situação ruim ou péssima – contaminados e indisponíveis para usos múltiplos, como abastecimento público e produção de alimentos.

O pequeno recuo da mancha de poluição se deve ao aumento do trecho com qualidade de água boa e regular entre Salesópolis e Itaquaquecetuba, na região hidrográfica Tietê Cabeceiras.

Foto: Rafael Pacheco/Wikipedia

Para Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica, os números não são motivo de comemoração, já que em 2014, antes do período de crise hídrica em São Paulo, a mancha ficou restrita a 71 km – entre os municípios de Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus. “Em 2015, no auge da estiagem e com a diminuição no ritmo das obras de coleta e tratamento de esgoto, a mancha mais que dobrou, atingindo 154,7 km. Em 2016, com a diminuição da crise, a mancha recuou para 137 km. Mais um ano se passou e ainda não conseguimos voltar ao nível pré-crise hídrica”, ponderou Malu.

As análises da qualidade da água no local são realizadas desde 1993 por meio do projeto Observando os Rios. Atualmente, o monitoramento ocorre em pontos de coleta fixos no Rio Tietê, distribuídos pelos principais afluentes do Tietê e corpos d’água da bacia hidrográfica. Isso permite a identificação do comportamento da mancha anaeróbica de poluição.

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