Depois de morar por dois anos em Hong Kong, Veridiana Miranda mudou para os Emirados Árabes Unidos há cerca de um ano e meio. “Dubai é uma cidade com cultura riquíssima e vida agitada, oferecendo lazer e entretenimento para todas as idades. Tem shoppings gigantescos, praias lindas, parques temáticos, souks (mercados) que ficam na parte antiga da cidade onde é o berço de toda a cultura etc. Há uma grande diversidade cultural aqui, 80% da população é de expatriados. Aprendemos a conviver com línguas diversas, comidas diferentes e hábitos opostos aos nossos”, descreve.

No dia 5 de março, Dubai parou. “Primeiro, as escolas. Depois, shoppings e, assim sucessivamente, até entrarmos em lockdown. Aqui, as regras e leis são muito rígidas e seguidas à risca”, pontua a granjeira. Com o isolamento, “a cidade ficou completamente vazia, avenidas enormes sem nenhum carro e até o maior shopping do mundo parou”. Ela resume a situação em uma frase, a do título desta reportagem: “o silêncio ecoou por toda Dubai”.

Conforme já pontuamos em reportagem anterior, desde que os casos de coronavírus começaram a crescer por lá, o governo adotou uma série de medidas. Assim como o restante das cidades dos Emirados Árabes Unidos, Dubai está sob toque de recolher noturno. A mobilidade está restrita e ações legais são tomadas contra quem violar a decisão. Pessoas só podem sair de suas casas para propósitos essenciais e apenas um membro da família pode sair por vez, informando previamente a razão através de aplicativo. Metrô e trem estão suspensos e os aeroportos, fechados.

Já que falamos em aeroportos, o marido de Veridiana é piloto de avião e toda a aviação também está parada. “No chão”, Veridiana faz questão de ressaltar. Fato! Para o setor, o cenário não é animador: as companhias aéreas podem perder até US$ 113 bilhões (R$ 523 bilhões) em receita este ano devido ao impacto do vírus, de acordo com estimativa da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

Veridiana e sua família

Dubai está fechado, “até para residentes que estavam fora do país”, frisa a granjeira.

Em total confinamento, Veridiana conta que estão vivendo dia após dia. “Nos reinventando, administrando ansiedade e medos. Alguns dias são mais difíceis e essa hora é muito ruim estar longe do nosso país”, revela. Para passar o tempo, assim como muitos confinados, ela tem se dedicado à cozinha. “Meus filhos (Théo de 12 anos e Julia de 9) estudam e eu, além de cuidar da casa, tenho cozinhado mais, testando receitas novas. Já meu marido, lendo ou estudando, já que ele não tem como trabalhar em casa”, completa.

Como boa brasileira, ela sente falta de abraços. “Sinto muita falta de abraçar meus amigos… (para e pensa) isso é mania de brasileiro. Minhas amigas estrangeiras já estão até aprendendo a abraçar mais (risos). Espero poder em breve dar muitos abraços… e sem medo”, comenta.

Apesar do cenário por vezes desanimador, Veridiana tem fé. “Muita fé de que tudo vai melhorar. Penso que, ao longo do próximo ano, ainda viveremos esse temor. Vejo pessoas doentes, mentalmente doentes, e acho que a humanidade vai levar um bom tempo para se recuperar, inclusive economicamente. Mas seremos melhores, mais fortes, mais unidos e, especialmente, mais humanos, com muito mais amor no coração. Meu desejo é um mundo melhor para meus filhos, para todos e, principalmente, para meu amado país Brasil”, finaliza.

Por Juliana Martins Machado

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