Depois de uma espera de cinco anos, os Jogos Paralímpicos de Tóquio, finalmente, vão começar. No próximo dia 24 de agosto, a cerimônia de abertura será realizada no Estádio Nacional do Japão, às 8h (horário de Brasília). No mesmo dia, já começam as primeiras disputas do evento.

E você sabia que o presidente do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) é brasileiro e, mais, granjeiro? Andrew Parsons cresceu na Granja Viana, mas teve que se mudar quando a família perdeu a estabilidade financeira. Ele – que foi nossa capa em julho de 2016, na edição 199 – lembra com carinho de momentos marcantes da infância e adolescência por aqui: “as brincadeiras de rua, os passeios de bicicleta e os jogos de futebol me conferiram uma infância e uma adolescência muito saudável e bacana, cercado de muitos amigos”. E faz questão de ressaltar: “granjeiro sempre granjeiro”.

Da Granja Viana, foi para Niterói, Rio de Janeiro. Um dia, no ônibus, a caminho de casa, Andrew levava, embaixo do braço, o resultado da sua conquista, apesar das adversidades, um currículo com formação em Jornalismo da universidade federal. Resolveu descer antes do seu destino para saber de uma possível vaga no Comitê Paralímpico. Passou-se mais uma década e o estagiário tornou-se presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Foi presidente do Comitê Paralímpico das Américas (APC), entre 2005 e 2009, e hoje é presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), além de atual membro da Comissão de Coordenação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Ele descreveu os Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2020 como “os mais importantes da nossa história”, pois eles enfrentarão as desigualdades vividas por pessoas com deficiência que a pandemia COVID-19 expôs e ampliou.

Em mensagem divulgada no final de 2021, Andrew Parsons reconhece que será necessário muito trabalho duro, mas promete Jogos Paralímpicos “incríveis” em Tóquio. “Minha mensagem para todos é para se concentrar no que você pode realmente fazer, no que pode alcançar e nos resultados viáveis ​​no que pode ser um ano muito difícil, mas ao mesmo tempo incrível, porque vamos conseguir isso. Organizaremos incríveis Jogos Paraolímpicos em Tóquio-2020.  Mas isso vai exigir o melhor de nós, isso vai exigir muito trabalho duro. Os Jogos de Tóquio serão diferentes das edições anteriores. Isso não significa que serão piores. É o contrário por causa do que significará no final do dia, então, eu acho que será lembrado para sempre nos livros de história – não apenas nos livros de história do esporte – mas nos livros de história da humanidade”, declarou na época. Assista:

 

Já recentemente, falando ao paralympic.org, Parsons expressou que os Jogos Paraolímpicos “é o único evento na humanidade que coloca as pessoas com deficiência no centro do palco. É o momento em que podemos dar voz a um bilhão de pessoas com deficiência no mundo, em um momento em que elas mais precisam ser ouvidas porque foram deixadas para trás durante uma crise. Eu acredito que os Jogos Paraolímpicos são uma plataforma para trazer a deficiência para o centro da discussão de inclusão. É por isso que os Jogos são tão importantes e devemos fazer todos os esforços para celebrá-los”.

Quando questionado sobre a emoção em estar tão perto do início das Paralímpiadas, Andrew responde: “lembro-me de como foi desafiadora a preparação para as Paraolimpíadas Rio 2016, mas assim que a Cerimônia de Abertura começou, eu sabia como seria ótimo graças aos atletas paraolímpicos que sempre apresentam performances fantásticas.  Tóquio 2020 será uma sensação diferente porque estes serão meus primeiros Jogos de verão como presidente do IPC. É uma honra fazer parte disso, pois amo a organização e o Movimento. Estou realmente ansioso para ver novos atletas mais jovens experimentando seus primeiros Jogos Paraolímpicos, e também testemunhar como os novos esportes, taekwondo e badminton, se encaixam no programa. Em Tóquio, tenho certeza que ficarei feliz por ter ajudado a fornecer esta plataforma para atletas e pessoas com deficiência em todo o mundo. Quero ver desempenhos excelentes e como esses Jogos deixam um legado duradouro, mas, acima de tudo, quero que Tóquio 2020 seja seguro para todos”.

Delegação Brasileira nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 conta com 235 atletas com deficiência (Foto: Alê Cabral/CPB)

Brasil em peso

A delegação brasileira é composta por 260 atletas (incluindo atletas sem deficiência como guias, calheiros, goleiros e timoneiro), sendo 164 homens e 96 mulheres, além de comissão técnica, médica e administrativa, totalizando 434 pessoas. Jamais uma missão brasileira em Jogos Paralímpicos no exterior teve tamanha proporção.

Serão atletas de 22 estados e do Distrito Federal em disputas de 20 modalidades. Do Time São Paulo, são 57 atletas que disputarão as modalidades de Atletismo, Bocha, Ciclismo, Halterofilismo, Judô, Natação, Paracanoagem, Taekwondo, Tênis de Mesa, Tiro Esportivo e Triatlo.

O Brasil só não possui representantes no basquete em cadeira de rodas e no rúgbi em cadeira de rodas.

Competições

A natação, segunda modalidade com o maior número de representantes, estreia no primeiro dia do evento com grandes nomes da natação nacional e mundial na piscina do Centro Aquático de Tóquio como o multimedalhista Daniel Dias (classe S5), Carol Santiago (S12) e Phelipe Rodrigues (S10).

No dia 24, a Seleção masculina de goalball enfrenta a Lituânia, a partir das 21h, pela primeira fase do Grupo A, enquanto a feminina encara os EUA, às 5h30, pelo Grupo D. Todos os horários são de Brasília. Vale destacar que a Seleção masculina é a atual bicampeã mundial da modalidade, sendo que a Lituânia é a sua maior rival.  A classificação da equipe brasileira para os Jogos Paralímpicos se deu pelos resultados obtidos no Mundial de 2018 em Malmö, na Suécia. O Brasil também enfrentará na fase inicial da competição os Estados Unidos, prata na última edição dos Jogos, o anfitrião Japão, além da campeã africana, a Argélia.

No feminino, o Brasil busca sua primeira medalha paralímpica. Além dos EUA, bronze nos Jogos Rio 2016, a Seleção vai ter pela frente a poderosa Turquia, ouro nos Jogos Rio 2016 e vice-campeã mundial, o Japão e o Egito, que foi convidado para o lugar da Argélia, após as campeãs africanas renunciarem à vaga.

A Seleção Brasileira de futebol de 5 busca o pentacampeonato paralímpico. O Brasil está no grupo A, junto com os donos da casa. A estreia brasileira será no dia 29 de agosto contra a China, atual campeã asiática e uma tradicional adversária do Brasil em Jogos. A França completa o grupo A. No dia 4 de setembro ocorrerá a grande final.

Os Jogos de Tóquio também marcam a estreia de duas modalidades, o parabadminton e parataekwondo. Ambas começam na segunda metade dos Jogos. No último dia de competições, 5 de setembro, o Brasil brigará por medalhas nas tradicionais maratonas masculina e feminina.

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 contarão com a transmissão ao vivo dos canais SporTV.

Parceria com a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) assinaram, em 22 de julho, um acordo para trabalhar juntos para promover a diversidade e a equidade por meio de iniciativas globais de promoção da saúde e do esporte para todos, em todos os lugares. Os dois parceiros irão colaborar para melhorar o acesso global à reabilitação de qualidade e tecnologia assistida como parte da cobertura universal de saúde; e mitigar as desigualdades existentes em relação ao acesso a esses serviços de mudança de vida – um pré-requisito para oportunidades iguais e participação em esportes para pessoas com deficiência, incluindo paraolímpicos e para atletas.

“Esporte e saúde são aliados naturais, com benefícios que se reforçam mutuamente”, disse o Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor Geral da OMS. “Mais do que isso, os Jogos Paraolímpicos são uma demonstração inspiradora do que as pessoas com deficiência podem alcançar. Esperamos que esta parceria entre a OMS e o IPC forneça uma plataforma para que mais pessoas com deficiência participem do esporte, mas também para demonstrar por que a cobertura universal de saúde é tão importante, garantindo que todas as pessoas tenham os cuidados e as tecnologias de que precisam para realizar seu potencial”, concluiu.

E Andrew Parsons completou: “Esta nova parceria beneficiará muito a sociedade, pois o esporte é uma ferramenta tremenda para garantir que as pessoas tenham estilos de vida ativos e saudáveis. A parceria do IPC com a OMS vai além da promoção de estilos de vida físicos e saudáveis ​​e também se concentrará em destacar o papel que a tecnologia assistiva desempenha na criação de um mundo inclusivo, especialmente para mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência”.

Por Juliana Martins Machado, com informações do Comitê Paralímpico Brasileiro e Comitê Paralímpico Internacional

Artigo anteriorCarapicuíba emite carteirinha do autista
Próximo artigoBairros de Cotia recebem programa de arborização entre os dias 23 e 27 de agosto