Parque Burle Marx recebe escultura de Molly Gochman em homenagem a quem cuida das crianças

A obra em bronze da artista norte-americana Molly Gochman, da série Monumentos à Maternidade, será inaugurada no dia 7 de novembro e ficará no parque por cinco anos. A abertura é uma manhã gratuita para famílias, com atividades artísticas e culturais.

Criança sentada na escultura de Molly Gochman. Foto: Estúdio Barbarella

No sábado, 7 de novembro, o Parque Burle Marx, na zona sul de São Paulo, ganha um monumento ao cuidado. Será inaugurada ali uma escultura em bronze da artista norte-americana Molly Gochman, da série Monumentos à Maternidade, que homenageia e destaca a importância de quem cuida. A obra fica no parque pelos próximos cinco anos, aberta a quem passar. A inauguração acontecerá na primeira edição do “Festival do Cuidar: da primeira infância e de quem cuida dela”, das 10h às 14h, gratuita e pensada para famílias com bebês e crianças.

Concebida para ser experimentada pelo público, a escultura chega a 3,58 metros de altura. Suas formas em cúpula funcionam como arquitetura. Lembram uma primeira casa, que abriga e acolhe, e também um parquinho que chama para dentro. As alças de bronze se apoiam umas nas outras, e nenhuma fica de pé sozinha. Para a artista, o cuidado funciona do mesmo jeito: todos nós estamos sempre dando ou recebendo cuidado.

A obra foi feita para ser tocada. Molly Gochman chama suas esculturas de convites para explorar e se sentir acolhido. O bronze guarda a marca de cada mão que passa por ali, e a artista imagina que, com o tempo, as comunidades possam gravar na superfície nomes ou trechos de canções que importam para elas. Assim, a escultura vira um registro vivo das famílias que a frequentam.

O material também carrega uma história. Durante séculos, o bronze serviu para eternizar generais e heróis em praças públicas. Molly Gochman leva essa mesma matéria para o cuidado de todo dia, um trabalho historicamente desvalorizado e pouco visível. Na série, a maternidade inclui todas as pessoas que cuidam, de pais e avós a educadores e vizinhos. “Quando mãos e bronze se encontram, uma alquimia mágica acontece”, escreve a artista. “Todos nós somos, ao mesmo tempo, quem nutre e quem recebe cuidado.”

A escolha do bronze também tem a ver com o tempo. Molly Gochman cuida de outras pessoas desde cedo e hoje é mãe. Ela pensa as esculturas como algo que vai continuar acolhendo os filhos dela e as próximas gerações por muito tempo. O bronze, feito para durar, guarda esse cuidado que passa de uma geração para outra.

Iniciada em 2024, Monumentos à Maternidade é uma iniciativa internacional de arte e impacto. Além das esculturas públicas, inclui um podcast e encontros com as comunidades que recebem as obras. Em Memphis, no Tennessee, três esculturas foram instaladas em 2025 no Medical District Park, no lugar onde antes havia um monumento confederado. No Brooklyn, em Nova York, a maior peça da série passou um ano no Prospect Park. Há ainda uma instalação de longa duração no Wassaic Project, no estado de Nova York, e uma peça no Liberty Science Center, em Jersey City. Em cada cidade, a obra chega por meio de parceiros locais e vira ponto de encontro para conversas e atividades sobre o cuidado.

Esculturas da série Monumentos à Maternidade, de Molly Gochman, no Medical District

A inauguração da obra no Festival do Cuidar

Molly Gochman. Foto: Michael George

A primeira edição do “Festival do Cuidar: da primeira infância e de quem cuida dela” será palco para a inauguração da obra, no dia 7 de novembro, das 10h às 14h. Às 10h, Molly Gochman e representantes das instituições parceiras no Brasil apresentam a obra ao público. Está previsto um gesto coletivo: crianças e adultos tocam a escultura ao mesmo tempo e deixam nela as primeiras marcas. “Sou muito grata por ser recebida no Parque Burle Marx. Esta escultura foi feita para ser tocada, compartilhada e tomada como sua, e mal posso esperar para ver como as famílias e a comunidade de São Paulo vão fazer dela algo seu”, diz Molly Gochman.

Depois, a programação se espalha pelo parque. A contadora de histórias Mafuane Oliveira apresenta Nyangara Chena, narrativa da tradição oral do povo Xona sobre uma cobra poderosa que desafia a coragem de guerreiros e crianças. A história faz parte do podcast “Deixa que eu conto”, parceria com a Cia. Chaveiroeiro e o Unicef Brasil.

O grupo Mamulengo Fanfarrosas leva ao parque o teatro de mamulengo, patrimônio imaterial do Brasil, com loas, repentes e canções que misturam culturas nordestinas e paulistas. Durante toda a manhã, as crianças e quem as acompanha podem participar de oficinas com elementos do próprio parque, como carimbos de folhas e tintas de terra, e de uma construção coletiva com bambu e tecidos. Nelson, o Nenê – personagem criado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que fala sobre o cuidado na primeira infância com recomendações e práticas para famílias – circula entre as atividades.

Às 12h30, os adultos podem acompanhar uma roda de conversa sobre a primeira infância, com as crianças brincando por perto. O encerramento fica com o Bloco Todo Mundo, bloco comunitário de carnaval em que pais e filhos tocam juntos. O cortejo segue ao som de Primeira Infância Primeiro, música escrita por André Gravatá e composta por Paulo Padilha, cujo refrão resume o espírito do dia: “Cuidar de cada criança é cuidar de um país inteiro”. Um espaço coberto, no viveiro do parque, funciona como ponto de apoio para amamentação e para quem precisar de uma pausa sensorial.

A escultura chega ao Parque Burle Marx em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Fundação Aron Birmann, que administra o parque e recebe a obra e os encontros. O parque guarda um jardim desenhado pelo paisagista Roberto Burle Marx, além de trechos de Mata Atlântica.

“O parque tem grande interesse em atingir todo o seu potencial na cidade. Um dos caminhos é oferecer aos paulistanos não só o verde, mas também arte, sobretudo aquela que tem um viés lúdico, ampliando o sentido do espaço para a população”, afirma Rafael Birmann, da Fundação Aron Birmann.

Antes do parque, a escultura esteve no jardim do Solar Fábio Prado, em São Paulo, desde julho, na exposição Primeiras Infâncias Brasileiras, realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e pela Intercultura. A ideia que une a escultura e a causa da Fundação é simples: as crianças se desenvolvem melhor quando quem cuida delas é valorizado e apoiado. A escultura é o convite, e os encontros previstos ao seu redor nos próximos cinco anos são onde esse cuidado pode ser praticado.

“Será uma experiência enriquecedora ver este monumento se tornar um espaço de encontro entre famílias e um convite para refletir sobre o papel do cuidado na vida das crianças. É uma maneira de reconhecer a maternidade – e todas as formas de cuidar – como uma experiência coletiva, ancestral e compartilhada”, afirma Ana Drummond, diretora da Fundação.

A organização trabalha pela causa da primeira infância com o objetivo de impactar positivamente a vida de crianças de até 6 anos, para que tenham seus direitos assegurados. Esta é a fase de maior potência do desenvolvimento humano, em que 90% das conexões cerebrais são formadas bem como as bases cognitivas, físicas e socioemocionais. Por isso, o papel dos pais e cuidadores na construção de vínculos e de oportunidades de desenvolvimento é fundamental nesse momento, pois gera impactos para a vida toda. Levar o tema para um parque, numa manhã de encontro, é também uma forma de aproximar essa conversa das famílias, discutir o papel do cuidado para a promoção do desenvolvimento infantil e a importância de cuidar de quem cuida.

Sobre Molly Gochman: Nascida em San Antonio, no Texas, em 1978, Molly Gochman vive e trabalha em Nova York. Sua prática é ligada à arte socialmente engajada e se dedica a ativar espaços para experiências coletivas, com trabalhos em fotografia, som, instalação e escultura. Guiada pela ideia de que a vida deixa marcas em nós, a artista faz obras que registram a passagem do tempo pelo clima, pelo desgaste e pelo uso. Já expôs no Pioneer Works, no Lincoln Center e no The Ukrainian Museum, em Nova York, e na Sara Roney Gallery, em Sydney, entre outros espaços. Em 2026, apresentou o projeto Dispersed Geographies no SXSW London. É bacharel em Belas Artes, com especialização em Escultura, pelo Guilford College, e integra o Council for Feminist Art do Brooklyn Museum e o Artemis Council do New Museum.

Sobre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal: Com mais de 60 anos de história, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal é uma organização da sociedade civil que atua, desde 2007, pela causa da primeira infância. Seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento pleno de todas as crianças brasileiras de até 6 anos. Para isso, mobiliza a sociedade para a importância dessa fase da vida e trabalha para fortalecer as políticas públicas que atendem as crianças e suas famílias, com atenção especial à parentalidade e à educação infantil.

Programação:

10h às 10h30 – Abertura e apresentação da obra

10h30 às 11h15 – Contação de histórias com Mafuane Oliveira

10h30 às 13h20 – Oficinas livres: Ateliê da natureza (carimbos e tintas de terra) e Tramas e bambus (construção coletiva)

11h30 às 12h30 – Mamulengo Fanfarrosas

12h30 às 13h10 – Roda de conversa sobre a primeira infância

13h20 às 14h – Encerramento com o Bloco Todo Mundo

 

Serviço:

Inauguração da escultura de Molly Gochman, da série Monumentos à Maternidade

Festival do Cuidar

Sábado, 7 de novembro de 2026, das 10h às 14h

Parque Burle Marx | Próximo ao parquinho infantil

Avenida Dona Helena Pereira de Moraes, 200, Morumbi, São Paulo

Entrada gratuita

Em caso de chuva, a programação segue em área coberta do parque

Apoio: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Aron Birmann e Parque Burle Marx

Direção criativa, coordenação pedagógica e acessibilidades: Alíngua

Produção executiva: Tatu Cultura e Diversidade

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