
Nos dias 15 e 16 de agosto, o campus Sidarta se transformou em um grande espaço de encontro entre estudantes, professores, famílias, pesquisadores e profissionais ligados à Robótica Educacional. Além das competições da OBR, nas modalidades Artística e Resgate, o evento reuniu projetos desenvolvidos por estudantes na MNR.
Para o Colégio Sidarta, sediar ambos os eventos permitiu colocar em prática uma das propostas da escola: abrir seus espaços para a comunidade e criar oportunidades para que estudantes de diferentes realidades convivam, compartilhem conhecimentos e aprendam uns com os outros.
Um desafio que começa muito antes da arena
Participar de uma competição de robótica vai além de fazer um robô funcionar. Antes de chegar à arena, os estudantes precisam montar, programar, testar, identificar problemas, fazer ajustes e trabalhar em equipe.
Foi assim que Davi, do 6º ano, se preparou para a OBR. Estudante que entrou no Colégio Sidarta este ano, ele passou a frequentar as aulas extras de Robótica e encontrou na atividade uma forma de unir seus interesses por programação e eletrônica.
Com o colega Rodrigo, do 5º ano, Davi formou a equipe Tecnopex, que representou o Sidarta na modalidade Resgate. O robô construído por eles teve como base os kits LEGO Education. Foram semanas desenvolvendo motores, sensores e programando cada passo que o robô precisaria trilhar no percurso estabelecido.
Para Davi, chegar à competição já representou uma conquista:
“Mesmo não ganhando o prêmio, considero que já foi uma grande vitória termos conseguido projetar e construir todo o robô”.

Fala que revela uma dimensão importante da experiência: o aprendizado não está no resultado da competição, mas naquilo que cada estudante precisa aprender para chegar até ela.
Aprender com os erros também faz parte
Na modalidade Resgate da OBR, os robôs precisam percorrer uma pista seguindo uma linha e enfrentar desafios ao longo do caminho. Durante a prova, o equipamento deve responder às condições encontradas na arena.
Na primeira rodada, o robô da Tecnopex apresentou dificuldades para seguir a trilha. A partir dos problemas identificados, a equipe fez ajustes e conseguiu voltar para as 2 etapas seguintes. Rodrigo contou que foi a sua primeira vez em uma competição desse tipo.
“Superamos essa derrota inicial, aprendemos com os nossos erros e conseguimos melhorar nosso robô.”
Na OBR, a capacidade de observar o que aconteceu, compreender o problema e buscar uma nova solução é parte central do aprendizado.
Para Anselmo, pai Sidarta que participou do evento como juiz, os próprios desafios da competição exigem que os estudantes desenvolvam soluções de maneira situacional. Os robôs não podem simplesmente executar uma sequência preparada previamente para aquele percurso: precisam interpretar a pista e responder aos problemas que aparecem durante a prova.
4º lugar na Modalidade Artística da OBR
Na Modalidade Artística da OBR, estudantes apresentam uma performance em interagem com um robô criado por eles. A equipe do Colégio Sidarta, formada por José, Sara e Eduardo, todos do 5º ano, terminou a competição em 4º lugar.

A modalidade evidencia como a robótica não se resume à construção de máquinas. Os estudantes precisam pensar em como tecnologia, narrativa, movimento e expressão artística podem funcionar juntos — uma proposta alinhada com o modelo de educação STEAM, que articula Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.
Para Anderson Rovaris Vieira, representante estadual da OBR, os aprendizados conquistados neste tipo de competição contribuem de forma decisiva para diferentes trajetórias futuras, independentemente de os estudantes seguirem carreiras ligadas diretamente à tecnologia.
14 projetos do Sidarta avançam na Mostra Nacional de Robótica
Na Mostra Nacional de Robótica, 14 projetos desenvolvidos por estudantes do Colégio Sidarta foram aprovados para avançar à etapa estadual.

Um deles foi o Sistema de Irrigação e Drenagem do Solo (SIDS), desenvolvido por Matheus, do 8º ano. O projeto nasceu de uma questão concreta: pequenos agricultores podem sofrer com a perda de plantações quando o solo fica excessivamente seco ou molhado. A proposta de Matheus busca enfrentar esse problema.
Durante a Mostra, ele apresentou o projeto ao público e aos jurados, respondendo a perguntas e ouvindo sugestões. Momentos que também proporcionaram trocas com estudantes de outras escolas.
“Conversar com estudantes de outras escolas proporcionou uma troca muito rica: eles puderam entender melhor a minha ideia e eu aprendi bastante com as deles.”
O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Inovação Social Sidarta (LISS), espaço em que os estudantes do Sidarta investigam questões e desenvolvem projetos a partir de problemas reais do seu entorno.
Quando diferentes escolas ocupam o mesmo espaço
Coordenador do LISS e do departamento de Tecnologias do Sidarta, Jaime Micheli Fontes destaca o evento como uma oportunidade única de convivência entre estudantes com diferentes bagagens:
“Estar em um ambiente como este significa trocar com outras pessoas e aprender com a experiência de quem já percorreu um caminho que você ainda precisam trilhar.”
Para Jaime, ver os alunos do LISS participando e convivendo com estudantes de outras escolas mostrou que eles haviam encontrado seu lugar naquele ambiente.
“Quando percebi que eles se integraram, começaram a participar e realmente introjetaram o clima do evento — porque isso é a grande festa da tecnologia —, entendi que eles estavam exatamente no lugar em que deveriam estar”.
Uma parceria que amplia o alcance da escola
A escolha do Sidarta para sediar tanto a OBR, quanto a MNR aconteceu após uma visita do Anderson ao LISS. O espaço chamou atenção por integrar tecnologia, educação e impacto social em projetos desenvolvidos pelos próprios estudantes:
“É um projeto que conecta pessoas e gera impacto social real. Fiquei muito feliz ao perceber a sintonia entre os propósitos do Instituto Sidarta e da OBR: criar oportunidades, despertar talentos e mostrar que a inovação pode nascer em qualquer lugar.”
Para Anderson, a parceria também se destacou pelo acolhimento aos participantes e pela própria organização do encontro.
Famílias Sidarta também estiveram presentes na festa da Robótica
A realização do evento mobilizou não apenas estudantes e professores, mas também as famílias do Colégio.
Mãe de Neli e Jorge, Gisele foi peça-chave na decoração e na cenografia. Para criar a ambientação, ela propôs a reutilização de materiais e componentes que já haviam sido aproveitados nos projetos do LISS, como peças de equipamentos desmontados.
A participação das famílias em iniciativas como esta, para ela, é uma ferramenta para fortalecer a comunidade escolar.
“Como mãe, considero fundamental essa abertura da escola e essa integração contínua com as famílias. Acho sensacional ver a Mostra e a Olimpíada no calendário, pois são iniciativas que só somam e ampliam os horizontes dos estudantes“.
Da competição para a vida
Ao final das competições, cada aluno leva para casa um novo repertório de conhecimentos que levará para a vida. Construir um robô peça por peça, lidar com o nervosismo típico de competição, identificar um erro na programação, testar novamente, apresentar uma ideia para desconhecidos e receber uma sugestão de alguém de outra escola.
Para Jaime, são justamente essas vivências que ajudam os estudantes a construir recursos para lidar com situações novas ao longo de suas trajetória.
“Quando os alunos idealizam um projeto, planejam, projetam, se empenham, fazem acontecer e percebem que outros jovens também sonharam possibilidades semelhantes, eles descobrem que seus sonhos também podem encontrar lugar no mundo — e se sentem pertencentes.”















