Caso Anna Gabriella: suspeito das mortes de advogada e seu filho será ouvido nesta quinta-feira (05).

Mortes são investigadas como feminicídio e vicaricídio, quando pessoa próxima da vítima é morta para lhe causar dor ainda maior.

Anna Gabriella, Eric e o pequeno Raphael

A Polícia Civil investiga as mortes da advogada Anna Gabriella Faria Lima, de 29 anos, e do filho dela, Raphael, de 6, encontrados na noite de terça-feira (3) em um apartamento no bairro do Lajeado, em Cotia. O caso é apurado como feminicídio e vicaricídio — termo usado para descrever a violência contra filhos ou pessoas próximas com o objetivo de atingir uma mulher.

 

O ex-companheiro de Anna, o empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, é o principal suspeito. Ele foi preso na noite de quarta-feira (4), na presença dos pais dele, escondido em uma casa no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. O suspeito será ouvido na tarde desta quinta-feira (5), em audiência de custódia.

Delegada Mônica Gamboa

De acordo com a delegada Mônica Gamboa, que realizou a prisão com a equipe do Grupo de Operações Especiais (GOE), em nenhum momento ele falou em arrependimento. “Ele só falou em tirar a própria vida e pediu que a equipe do GOE atirasse nele”, conto a delegada. Ainda segundo a delegada, Eric deixou o carro em um estacionamento particular, não estava realizando chamadas por celular desde terça-feira e nem fez movimentações bancárias, o que dificultou a prisão.

Antes de ser encontrado, foram realizadas diligências em três endereços ligados a família de Eric. A delegada chegou a pedir a prisão da mãe de Eric, por acobertamento de suspeito, porque foram identificadas 38 chamadas entre o filho e ela de domingo até terça-feira, uma delas com 75 minutos de duração.

O que se sabe sobre a investigação

De acordo com informações divulgadas pelo g1, câmeras de segurança registraram Anna, o filho e o suspeito entrando no condomínio na noite de domingo (1º). O homem teria deixado o local sozinho na madrugada de segunda-feira (2). As imagens e os registros do condomínio integram a apuração policial.

Os corpos foram localizados depois que o suspeito entrou em contato com um escritório de advocacia e informou sobre a situação. Uma advogada comunicou a polícia. A mãe de Anna já havia registrado um boletim de ocorrência por desaparecimento da filha e do neto.
A Polícia Civil apura se as vítimas foram dopadas e morreram por asfixia. Essa é uma hipótese investigativa, ainda sem confirmação: os laudos periciais deverão esclarecer as causas e as circunstâncias das mortes. Conforme reportagem do g1, os corpos apresentavam marcas na região do pescoço.

Momento em que Eric é encaminhado à prisão.

Relatos de ameaças e violência

Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que o relacionamento entre Anna e o ex-companheiro teria sido marcado por términos e reconciliações, além de episódios de controle, ameaças, perseguição e violência doméstica. Segundo relatos publicados pela CNN Brasil, algumas testemunhas também afirmaram que o homem teria exibido uma arma para intimidar Anna. Essas informações fazem parte dos depoimentos reunidos na investigação e ainda serão apuradas pelas autoridades.

Quem era Anna Gabriella

Anna Gabriella era advogada e pertencia a uma família com atuação na política paulista. Segundo o g1, ela era filha do ex-vereador Paulo Roberto Faria Lima e neta do ex-deputado federal José Roberto Faria Lima. Também era sobrinha-bisneta do brigadeiro José Vicente de Faria Lima, que foi prefeito de São Paulo entre 1965 e 1969.

A investigação segue em andamento. A conclusão dos laudos e os depoimentos do suspeito e de testemunhas devem ajudar a esclarecer o que aconteceu no apartamento e a sequência dos fatos.

Anna Gabriella e o filho serão sepultados nesta quinta-feira às 13 no Cemitério Parque do Morumbi, em São Paulo.

Posicionamento da OAB de Cotia

A OAB de Cotia manifesta profundo pesar pela morte da Advogada Anna Gabriela Faria Lima e de seu filho, Raphael Faria Lima Ferrari, e expressa sua solidariedade aos familiares e amigos diante dessa perda irreparável. A 108ª Subseção da OAB Cotia solicitou, em caráter de urgência, a habilitação de seu presidente, Ricardo Rodrigues, como representante institucional para acompanhar o inquérito policial e a medida cautelar relacionados aos caso, reafirmando o seu compromisso com a busca da justiça, a proteção das mulheres e o enfrentamento permanente à violência.

Para Ricardo Rodrigues, o enfrentamento à violência contra a mulher deve ser um compromisso permanente das Instituições e de toda a sociedade. “A violência precisa ser reconhecida e enfrentada desde os primeiros sinais: ameaças, intimidações, controle e agressões exigem atenção, acolhimento e resposta efetiva do Estado”, afirma. “As mulheres precisam encontrar segurança para denunciar e uma rede de proteção preparada para ouvi-las e para protegê-las”, acrescenta. Segundo ele, como instituição comprometida com os Direitos Humanos, a OAB tem o dever de defender o acesso à justiça e cobrar a efetividade das medidas de proteção, contribuindo para que nenhuma forma de violência seja silenciada ou naturalizada.

Violência contra a Mulher

Solange Aroeira, Secretária da Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade.

A Secretária da Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade, Solange Aroeira, se manifestou em suas redes sociais com profundo pesar: “Cotia está em luto.” Segundo ela, este ano a cidade registrou dois casos de feminicídio em situações bem diferentes. As vítimas envolvidas tinham histórias e condições econômicas diversas. Uma prova de que a violência contra as mulheres não escolhe profissão, escolaridade ou condições socioeconômicas. “Precisamos romper com a ideia de que mulheres com formação acadêmica, independência financeira ou carreiras profissionais, estão imunes à relações abusivas”, lembrou. “A violência pode estar presente em qualquer contexto”, disse.

Segundo Solange, muitas vezes a violência começa pelo controle, manipulação e pela intimidação e pelo medo. “Precisamos parar de perguntar por que uma mulher não saiu de uma relação abusiva. Precisamos perguntar se ela encontrou acolhimento, proteção e condições seguras para sair. É fundamental que existam redes de apoio. Pessoas preparadas para acolher, serviços que protejam e acima de tudo que nenhuma mulher seja julgada pela situação de violência que vivencia”, comentou. “O feminicídio não pode ser tratado como uma estatística. Por trás de cada número existe uma história, uma família e uma vida. Prevenir é responsabilidade de todos nós”, disse.

“Nenhuma mulher deveria morrer por decidir encerrar uma relação. Nenhuma criança deveria perder a vida em consequência desta violência.”

Rede de Apoio:

Disque 180 para denunciar violência contra a mulher.
Disque 190 em caso de emergência.
A Guarda Civil Municipal pode ser acionada pelo 153.
A Delegacia da Mulher de Cotia está localizada na Rua Turmalina, 99. Tel. (11) 4616-9098.
A Secretaria da Mulher, Direitos Humanos e Neurodiversidade fica na Avenida Benedito Isaac Pires, 35, 2º andar. Tel. (11) 4616-0466. Ramal 2305 (violência doméstica). Whatsapp: (11) 95779-5962

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