
Em meio à maior crise hídrica da história de São Paulo, a Sabesp, diariamente, se depara com fraudes de água que geram prejuízos à companhia mas, sobretudo, trazem transtornos à população.
De janeiro até agora, a companhia identificou quase 10,1 mil casos de fraudes na Região Metropolitana de São Paulo, que totalizaram 1,3 bilhão de litros de água consumidos, porém não registrados nas contas de águas.
Por mês, o montante abasteceria 91 mil residências com três moradores. Ou seja, daria para fornecer água para até 270 mil pessoas, população equivalente a uma cidade do tamanho de Barueri.
Para os fraudadores identificados, a Sabesp cobra pelo que foi desviado, recuperando a água fornecida e não paga.
A fraude prejudica toda a população. Quem comete o crime não se preocupa com o desperdício, já que não vai pagar pelo alto consumo. É comum entre fraudadores deixar torneiras abertas e não consertar vazamentos. Isso se torna ainda mais grave diante da pior seca da história do Sistema Cantareira.
Para identificar o crime, a Sabesp trabalha com as equipes de caça-fraude, que acompanham o consumo e vistoriam os imóveis.
Além disso, conta com a colaboração dos próprios moradores, que podem relatar casos suspeitos pelo Disque-Denúncia (telefone 181), cuja chamada é gratuita e não exige a identificação de quem liga.
Em 2007, a Sabesp criou o Programa Corporativo de Redução de Perdas de Água, que tem recursos previstos de R$ 6 bilhões, provenientes de financiamentos via BNDES e JICA (Japan International Cooperation Agency).
Este programa prevê a troca de ligações domiciliares, hidrômetros e redes de água. Também serão pesquisados vazamentos não visíveis em 150 mil quilômetros de redes, o que equivale ao dobro de extensão de toda tubulação de distribuição de água existente em todos os 364 municípios que são operados pela companhia.
Nos últimos 10 anos, a companhia reduziu suas perdas em 6,3 m3/s, equivalentes a uma vez e meia a economia obtida com o bônus, ou ainda água suficiente para abastecer 2 milhões de pessoas.
Na Região Metropolitana de São Paulo há cidades não operadas pela Sabesp, como Guarulhos, onde o desperdício é de mais de 50%.













