Santarém

Tendo a modalidade hidroviária como principal meio de locomoção e banhada pelos rios Amazonas, Tapajós, Arapiuns, Curuá-Una, Moju e Mojuí, a cidade é um dos principais polos turísticos do estado do Pará

Em um lugar onde dois enormes rios se encontram, mas não se misturam, o município de Santarém está localizado a oeste do estado do Pará, em uma posição estratégica, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas.

A cidade é o portão de entrada do Polo Turístico Tapajós, com uma imensa biodiversidade, que juntamente com sua diversidade sociocultural é um dos principais roteiros do estado do Pará.

A cidade de Santarém recebeu este nome em homenagem a um município português que, por sua vez, homenageava Santa Irene, que os portugueses pronunciavam Sant‘Irene, daí corrompendo-se facilmente para Santarém.

Em outubro de 1994, a embaixada da cidade de Santarém de Portugal veio conhecer e estreitar os laços de amizade com a nossa cidade de Santarém. Protocolos foram assinados, houve trocas de bandeiras, flâmulas e presentes. A partir daí, Santarém, das margens do rio Tejo, em Portugal, e Santarém, das margens do rio Tapajós, no Brasil, são consideradas cidades irmãs.

Foto: Adrio Denner

Encontro das águas

Trata-se de um dos mais belos espetáculos proporcionados pela natureza, em toda a região amazônica, quando as águas ocre-argilosas do rio Amazonas e as verde-azuladas do rio Tapajós correm paralelamente, por alguns quilômetros, sem se misturar. Os fatores que contribuem para este fenômeno são: densidade, temperatura e velocidade. Esse espetáculo pode ser observado, diariamente, a partir da orla fluvial de Santarém.

Foto: Adrio Denner

Doces praias

Acreditem, para relacionar todas as atrações aquáticas disponibilizadas aos turistas precisaríamos produzir – assim como fez a Prefeitura de Santarém – um inventário com mais de 70 páginas, tamanha é a riqueza local. Mas, como não temos espaço para tudo isso, podemos citar as principais maravilhas do lugar, como o rio Arapiuns. No período de verão regional, que compreende os meses de julho e dezembro, surgem nas margens do Arapiuns inúmeras praias de areias brancas e finas, contrastando com suas águas cristalinas e azuladas, e, dentre essas, destacam-se a Ponta do Icuxi e a Ponta Grande.

Rio Curuá-Una, os lagos verdes ou dos Muiraquitãs, Maicá, Mapiri, Papucu, Grande do Curuai, do Tapari, Igarapé-Açu e o Canal do Jari são verdadeiros paraísos aquáticos, alguns deles importantes berçários para centenas de espécies de peixe.

A cachoeira do Aruã localiza-se no alto curso do rio Arapiuns, distante cerca de 100 km de sua foz. O acesso à cachoeira é feito, exclusivamente, por via fluvial, em cerca de 10 horas, a partir de Santarém. A cachoeira é dividida em duas quedas-d’água, separadas por uma pequena ilha coberta de vegetação. Próximo à cachoeira encontra-se a Vila de Aruã. No local, além do banho de rio, pode ser praticada a canoagem, o turismo contemplativo e a caminhada ecológica. Além da Cachoeira do Aruã, podem ser destacadas as corredeiras do Palhão, no rio Curuá-Una, e do Maró, na região do Arapiuns.

E como se todo esse esplendor não fosse o suficiente, assim como o oceano, o polo turístico ainda tem muitas praias, como a de Ponta de Pedras, que apresenta grande beleza cênica, destacando suas formações rochosas e a presença de vegetação próxima às margens.

Outro destaque local é a Vila de Alter do Chão, com belas praias fluviais de areias brancas, as quais são banhadas pelas águas do rio Tapajós, onde se encontram a Ilha do Amor e a Praia do Cajueiro. A beleza dessas praias se associa ao lendário Lago Verde ou Lago dos Muiraquitãs. Nos anos de 2009 e 2012, a praia de Alter do Chão foi eleita, pelo jornal britânico The Guardian uma das melhores praias fluviais do Brasil.

Praia do Maracanã, da Salvação, Maria José, do Arariá, do Pajuçara, de Carapanari, do Jutuba, do Cururu, enfim, são tantas belezas de areias claras que poderiam fazer parte de uma nova versão da música O Descobridor dos Sete Mares, do saudoso Tim Maia.

Dentre as belezas locais, as ilhas fluviais não podem ficar de fora. São peculiares na região amazônica, apresentando, algumas delas, características próprias por estarem em constante formação em razão dos períodos sucessivos de cheias e vazantes, surgindo praias, lagos e igarapés. Dentre as principais ilhas destacam-se as de São Miguel, das Marrecas, do Patacho, do Tapará e do Ituqui, localizadas na bacia hidrográfica do Amazonas, além da Ilha dos Patos e de Ponta Grande, localizadas na bacia hidrográfica do Tapajós. Essas ilhas têm como característica principal a extrema beleza cênica, com ecossistemas bem preservados.

Foto: Adrio Denner

Nem só de águas

A Floresta Nacional do Tapajós é uma importante unidade de conservação da região Amazônica, criada no ano de 1974 com uma área aproximada de 527 mil hectares, sendo mais de 160 quilômetros de praias – a unidade apresenta grande diversidade biológica e cultural.

E, falando em cultura, há a arquitetura das edificações de prédios antigos, como o Solar do Barão de Santarém, Antiga Residência do barão de São Nicolau, Teatro Vitória e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Dentro dela há o Crucifixo de Von Martius, que, como diferencial, apresenta Jesus Cristo ainda vivo.

O Jardim Zoológico de Santarém, localizado na rua Moema, s/n, no bairro da Matinha, tem infraestrutura adequada para o desenvolvimento de pesquisa da fauna e flora amazônica. Conhecido, também, como Zoofit, o zoológico abriga mais de 100 espécies vegetais identificadas e aproximadamente 54 espécies animais. O zoo também apresenta outras atrações, como trilhas que podem ser realizadas apenas em companhia de funcionários ou monitores.

Foto: Adrio Denner

Com tanta água por todos os lados, acho que seria um clichê dizer que as principais receitas da região são compostas de peixes, mas são. Tanto que até a Piracuí, farinha local, é feita de peixe seco em pó.

Mas também tem delícias como o Pato no Tucupi, elaborado com tucupi, líquido de cor amarela extraído da raiz da mandioca-brava, e com jambu, erva típica da Região Norte; maniçoba, iguaria preparada com as folhas tenras da mandioca ou maniva, trituradas e acrescidas de carne suína e temperadas, o Vatapá e o Tacacá.

Mas se seu negócio não é um lanchinho rápido e nutritivo, nada melhor que as frutas regionais, como o açaí, a bacaba, o bacuri e o buriti.

Foto: Adrio Denner

Festa do Sairé

O Sairé, segundo alguns historiadores, foi criado pelos índios como forma de homenagear os portugueses que colonizaram o Médio e o Baixo Amazonas paraense. Os índios teriam confeccionado o símbolo do Sairé imitando os escudos usados pelos colonizadores, incluindo as cruzes que simbolizam o mistério da Santíssima Trindade.

O Sairé tornou-se uma das principais manifestações folclóricas e culturais da região oeste do Pará, e configura-se, sem dúvida, como um dos principais atrativos turísticos de Santarém, pois estes são os mistérios e encantos da cultura santarena. A Festa do Sairé acontece na Vila de Alter do Chão, no mês de setembro, sendo possível desfrutar das belas praias amazônicas, em meio à floresta, que surgem neste período.

Foto: Adrio Denner

Como chegar:

O Aeroporto Maestro Wilson Fonseca tem voos diários, que levam, aproximadamente, uma hora de viagem entre as cidades de Belém e Manaus, estendendo-se a outras regiões do país (Nordeste, Centro-Oeste, Sul, Sudeste) e exterior. O acesso terrestre ao município se dá pelas seguintes rodovias BR-163, PA-257, PA-370, PA-433 e PA-457.

Foto: Adrio Denner

A dica é das estrelas

No roteiro Top 10 do site de turismo tripadvisor, a praia de Ponta de Pedras encabeça a lista dos lugares mais visitados e elogiados pelos turistas. “A praia de Ponta de Pedras merece o esforço e sacrifício do carro, pois é tranquila e muito bonita. Vários quiosques oferecem opções de pescado e bebidas. Aproveite o pôr do sol no fim da tarde. Muito bonito”, avaliou um dos usuários da página eletrônica.

Seguindo o roteiro e a ordem de classificação, estão o encontro das águas entre os rios Amazonas e Tapajós, a Floresta Nacional dos Tapajós, a Orla de Santarém, a Catedral Nossa Senhora da Conceição, o Zoofit, a Praia Pajuçara, o museu Dica Frazão, a Igreja N.S. da Conceição e o Centro Cultural João Fona.

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