Veta Dilma!

No próximo dia 25 de maio, a presidenta Dilma Rousseff decidirá se sancionará ou vetará – em parte ou todo – o novo texto do Código Florestal aprovado no mês passado pela Câmara dos Deputados.

Pela importância do assunto, resolvemos antecipar o texto de nosso colunista da seção de Meio Ambiente, Wlad Farias, que ressalta a responsabilidade da presidente Dilma em relação ao futuro de nossas florestas, áreas de várzea, leitos de rios, enfim, da preservação da vida de centenas de espécies animais e vegetais.

Veta Dilma!
Por Wlad Farias

O texto do Novo Código Florestal, aprovado pelo Senado e Congresso, encontra-se, neste momento, em análise presidencial. Não posso ignorar este fato aqui, mesmo que a coluna seja publicada (na revista) logo após a decisão da Dilma, esta que foi reconhecida, recentemente, como a segunda mulher mais poderosa do mundo. Com certeza, das mãos dela sairá a decisão mais marcante de seu governo. O futuro das nossas florestas, das áreas de várzea, leitos de rios, da preservação da vida de centenas de espécies animais e vegetais está diante dela em um texto cujo relator, Aldo Rebelo, defendeu veementemente. Ele usou a figura do pequeno produtor o tempo todo em seu discurso para defender interesses da bancada ruralista dos grandes produtores. Se ele estivesse realmente preocupado com a sobrevivência do pequeno produtor, teria criado programas que atendessem a necessidade de capacitá-lo e equipá-lo para que possam realmente produzir mais em sua realidade atual. A anistia da aplicação de multas para os produtores que destruíram as áreas de proteção promovida pelo Novo Código Florestal deixa claro que neste país os infratores sempre são os que se dão bem, tendo a sociedade de pagar pelos seus atos e sofrer consequências diversas advindas do desmatamento sem precedentes que está por vir.

A Dilma pode mudar os rumos dessa vergonhosa armação, tendo peito necessário para vetar esse texto e promover um debate mais amplo, aproveitando a Conferência Rio+20. Com certeza, será um vexame para nosso país, às vésperas de um evento mundial que visa conciliar a proteção ambiental, o crescimento econômico e o bem-estar humano. Será uma prova de incapacidade de administrar interesses de longo prazo que beneficiem toda a humanidade, e não um nicho de especuladores politicamente resguardados. Um retrocesso sem precedentes que esvaziará o sentido da própria conferência. Será que a segunda mulher mais poderosa do mundo terá a coragem necessária de fazê-lo? Veta, Dilma!

Na edição passada, falei sobre um modelo econômico baseado em recursos que, na minha opinião, é a resposta para o crescimento sustentável. Se você não teve oportunidade de ler o texto, acesse-o na versão digital em http://www.revistacircuito.info/edicoes-anteriores.html , edição 148. Existem lá elementos necessários para o entendimento da justificativa da necessidade de buscar esse novo modelo. Essencialmente porque os recursos que existem hoje são finitos e o capitalismo tal qual conhecemos necessita de um crescimento constante de consumo, ignorando que a matéria-prima necessária para isso poderá, em muitos casos, não existir. Grosso modo, até 2030 seremos 8 bilhões de pessoas no mundo, e para atender às necessidades de consumo de toda essa gente seriam necessários dois planetas como o nosso, coisa que sabemos ser impossível até o momento.

A cadeia da vida possui um emaranhado de laços que a sustentam. São como diversas correntes entrelaçadas que, juntas, são indestrutíveis e se perpetuam. Cada um dos elos dessa corrente representa os biomas em vários pontos do globo. Na medida em que esses elos são destruídos, eles enfraquecem a corrente individual e, por consequência, deixam cada vez mais vulnerável o grande emaranhado vital. Se vários elos de diversas correntes forem simultaneamente destruídos, todo o ciclo estará comprometido e poderá se autodestruir por não ter mais força necessária para sua reconstrução. E é para isso que caminhamos. Tem jeito de mudar? Claro que tem. Mas cada um de nós precisa fazer a sua parte. Não se trata de uma mudança global, de um decreto mágico que vai fazer as coisas funcionar da forma correta, mas de ações locais que terão efeito global.

Você já recicla o lixo? A reciclagem doméstica do lixo é ainda pouco estimulada. Se você parar para prestar atenção na enorme quantidade de lixo que se produz diariamente verá que boa parte dele ainda pode ser reaproveitada, de alguma forma, pela indústria. Hoje a questão do lixo é uma das mais importantes para a preservação ambiental, porque nos lixões e aterros sanitários mais de 90% dos despejos poderiam ser reaproveitados se fossem corretamente descartados. Isso pouparia gastos para extrair mais recursos do meio ambiente. Portanto, olhe para a reciclagem como uma atitude pessoal para a preservação ambiental. Não custa nada fazê-lo. Muitos não o fazem com a desculpa de não haver políticas públicas para a coleta seletiva. É uma verdade, mas não podemos ignorar que existem muitas cooperativas que hoje fazem a coleta, e este número vai aumentar porque a própria legislação determina que os municípios instituam a coleta seletiva. Há prazo, inclusive. E como estamos às vésperas de eleições, devemos escolher aquele que der prioridade a isso, entre tantas políticas públicas necessárias. Temos o poder do voto para pressionar a administração e o dever de deixar um mundo melhor para as futuras gerações como estímulo para botar a mão na massa e começar a separar o lixo, descartando o reciclável em locais apropriados. Na próxima edição, falaremos de outras ações.

Wlad Farias – Jornalista; presidente da Associação Ecoexistir; vice-presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental e Rural (Comdar Cotia) − Facebook: Wlad Farias; Twitter: wladf.

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