A lei dos radares

Sou morador da Granja há mais de 20 anos e leitor assíduo desta conceituada revista, à qual manifesto meus sinceros elogios. Peço a gentileza de tomarem providências com relação ao assunto que abordo, publicado na edição deste mês: “Novos Radares na Raposo”; “de acordo com o DER serão instalados novos radares nos km 10; 16,5; 17,6; 18,5; 21; 21,3; 23; 27; 29,3; 30; 45; 32,7 e 33,8”.

Ocorre que consta da nova Resolução no 396, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o seguinte: “Caso haja mais de um radar na mesma via, não importa o tipo, eles só poderão ser colocados a uma distância mínima de 500 metros em vias urbanas e trechos de vias rurais com características de via urbana e 2 km em vias rurais e de trânsito rápido. Fica, também, proibido o uso de fiscalização de velocidade em trechos menores que 5 km, se houver neles a variação do limite de velocidade”.

Portanto, o que o DER está fazendo é incompatível com o que prevê o Contran, que é um órgão nacional! Estão instalando radares com distâncias muito inferiores entre um e outro, ferindo o que dispõe a lei nacional. A lei é bem clara quanto à distância mínima de 2 quilômetros e, em muitos casos da Raposo, são 5 km entre radares, pois a velocidade é alterada de 60 km/h, ora para 80 km/h, ora para 90 km/h. NOTA: Também observo que ocorre a mesma situação no Rodoanel, onde colocam um pouco antes dos radares fixos (+/-500 m) radares móveis com o mesmo intuito.

Acho isso um absurdo. Não estou aqui fazendo apologia à alta velocidade, porém o que estão fazendo está fora da lei e com o claro intuito de induzir os contribuintes a erro e, consequentemente, a multas. Acredito que o intuito principal de um radar é reduzir os acidentes de trânsito, mas servir de “pegadinha” para aumentar o faturamento dos órgãos públicos parece-me não ter sentido. Onde está a moralidade disso? O órgão público viola a lei para nos acusar de que estamos violando a lei?

Nós, contribuintes, precisamos dar um basta à indústria da multa. Dos países desenvolvidos que, com a graça de Deus, tive oportunidade de conhecer, nenhum possui tantos radares como o nosso, e nem por isso o índice de acidentes é maior, inclusive alguns desses países possuem uma frota de automóveis até cinco vezes maior que a nossa. Fica claro que não é esse o caminho certo. Por fim, peço a ajuda de vocês no sentido de tentarmos, pelo menos, fazer com que os órgãos públicos cumpram o que determina a lei, dando bons exemplos para que possamos também cumprir a lei. Obrigado!

Eduardo Creavtin, Cotia (SP)

 

NR: A carta foi enviada para o DER em 11/8/2014.