Cegos e mudos, até quando?

Eu me chamo Patrícia e ficaria grata se minhas ideias aparecessem na revista ou, ao menos, ajudassem as regiões de alcance desse meio de comunicação.

O município de Caucaia do Alto carece de bom atendimento público em relação à saúde. Desde que me conheço por gente, uma parcela do pessoal que trabalha no posto não tem tolerância com os pacientes e age com ignorância, como se o trabalho fosse totalmente contrário ao que imaginou quando criança. Em segundo lugar, e mais grave, é a falta de médicos. O que acontece quando se procura, por exemplo, um ginecologista? “Ah, só mês que vem”, é a resposta mais comum. E quando, finalmente, vamos com esperança marcar uma consulta, é dito que não há vagas. Sem falar da demora. Saímos de um hospital para outro com a intenção de ter menos burocracia e mais agilidade, embora o número de pessoas em espera seja decepcionante. Faltam organização e boa vontade.

Eu era apenas uma criança quando um prefeito resolveu utilizar um local daqui para construir um shopping. “Nossa, que legal! Vai ter mais entretenimento e lazer para a população”, alguém deve ter pensado, como eu teria, se naquela época já tivesse consciência dos problemas que ocorrem no mundo. Acontece que o rumo da obra não foi bem assim. O terreno se encontra sem utilidade alguma, tendo se tornado poluição visual em meio a um lugar visivelmente em crescimento. Esse local poderia ter sido transformado num parque (como o Ibirapuera, Cemucam, Villa-Lobos…) ou numa biblioteca grande, com mais variedade de livros, espaço para leitura… agora me veio à cabeça um fato recente. Aqui temos a biblioteca das escolas (só posso assegurar a do meu colégio) e a do centro. Só que há restrições. Um dia, quando ia emprestar uma obra literária, os alunos presentes foram “casualmente” enxotados devido à presença de “uma pessoa importante”, segundo as palavras da secretária. Ela quis dizer que não somos respeitáveis? Que não podemos usufruir do nosso próprio direito porque somos inferiores? Pois foi isso que deu a entender. Depois perguntam por que os brasileiros não gostam de ler ou coisa assim. Talvez não disponham de incentivos.

Aqui há muitos cães abandonados. Por que não criam um abrigo para eles? Parece que não sabem que os bichinhos têm necessidades tanto quanto nós. Mesmo com toda a destruição que os humanos causam ao meio ambiente e aos seres vivos, os animais nos dão uma nova chance de recomeçar, sempre, mas não aproveitamos para consertar os erros.

O idioma inglês é necessário na hora de ser admitido em uma empresa e em relações exteriores. É difícil achar cursos profissionalizantes de idioma que sejam acessíveis, de qualidade e de confiança. Já estou cansada desses que dizem ser de graça, no entanto, não são. Meu pai vivia mandando e-mails para jornais, reclamando e pedindo a aplicação de asfalto no bairro onde morávamos, até que mil anos depois, o desejo dos moradores de lá foi atendido pela metade, porque até hoje não colocaram piche em tudo. Para se ter uma ideia, além das ruas esburacadas e com calçada estreita, ainda existem estradas de terra. Eu sei que pensam em qual diferença farei aos cidadãos por meio de um texto e reconheço que nem sempre a gente pode mudar tudo, porém, esse é o meu jeito de tentar abrir os olhos de quem vê. O algarismo 1 ao lado da infinidade dos outros parece pequeno, mas altera o resultado!

Patrícia Ferreira, 13 anos, Caucaia do Alto, Cotia (SP).

 

Resposta da assessoria de imprensa da Prefeitura de Cotia: Esta carta foi encaminhada às secretarias responsáveis para que sejam tomadas providências, no sentido de atender às solicitações apontadas pelos munícipes.