CAPA
Alexandre Frota
Com lenço e com documento
Na Granja, o galã vive uma fase tranquila da vida ao lado da família e garante estar aposentado de badalações e polêmicas.

Bad boy, casca-grossa, polêmico, explosivo e símbolo sexual. Não. Definitivamente não estamos falando do mesmo Alexandre Frota com quem a equipe da REVISTA CIRCUITO teve o prazer de estar por duas vezes, uma para a entrevista, durante a festa de aniversário de seu enteado, e outra para a sessão de fotos no conforto de sua casa, na Granja Viana.
Estamos aqui falando de um libriano pai de família, romântico, simpático, apaixonado, autêntico e que agora consolida sua carreira como diretor de projetos especiais da emissora de Silvio Santos.
Descoberto por Maria Clara Machado em uma das maiores escolas de teatro do Brasil − O Tablado −, Alexandre abandonou o sonho de ser oficial da Marinha – mesmo após já ter feito curso preparatório – e começou a luta para se tornar um grande artista. Ele sabia que tinha tino para a coisa.
Os atores e diretores Sérgio Britto e Lupe Gigliotti (irmã de Chico Anysio) também confiaram, desde cedo, no talento do rapaz e lhe concederam muitas oportunidades até virar um galã global, quando passou no teste para a novela das 6, Livre para Voar. O vínculo com a emissora durou mais de uma década. Dentre novelas, minisséries, especiais e um casamento de seis anos com a atriz Cláudia Raia, ele descobriu outro talento: o de apresentador de shows. Frota apresentou Rock in Rio 2, quatro edições do Hollywood Rock, fez algumas edições do Som Brasil e ganhou a simpatia de diferentes públicos.
Por que saiu da Globo? Os desentendimentos foram muitos, e o diretor Daniel Filho que o diga. Ambos tinham o temperamento forte e a briga era feia. Um era patrão e o outro não tinha preparação alguma para lidar com o sucesso. “Não tive um gerenciamento de carreira, por isso as coisas foram mais complicadas. Escolhi os caminhos mais difíceis”, revela.
Aos 48 anos, no sexto casamento, sendo o último com a bailarina, modelo e empresária Fabiana Rodrigues, o ex-bad boy se dedica ao filho da amada, Enzo Gabriel, e ao seu filho biológico, Mayã, 11, fruto de um relacionamento relâmpago com a funcionária pública Samantha Gondim. Apesar de o garoto morar com a mãe, Frota vive uma nova fase com o filho que rejeitou por tantos anos. “Está tudo bem agora e somos uma família muito feliz”, conta, orgulhoso. Flamenguista de corpo, alma e coração e com quase 40 tatuagens no corpo, filho de Laís Frota e Antônio Carlos de Andrade, Frota não se arrepende do seu passado, mas garante que mudou e vive uma nova fase, pessoal e profissional. Pasmem. O galã não vê a hora de chegar aos 50 anos. “Tenho uma faculdade de vida muito difícil, e poucas pessoas conseguem passar pelo que passei e se reerguer. João Gordo e Lobão juntos não conseguem me superar. Por isso, chegar aos 50 será uma vitória.”
RC: Vamos começar falando sobre seu novo desafio no SBT. Conte quais as novidades e o que você anda aprontando por lá.
AF: Eu e o Silvio já namorávamos havia algum tempo uma volta minha, e na hora certa veio o convite. O meu dia a dia no SBT começa muito cedo e não tem hora para terminar. Sou diretor de projetos especiais, o que engloba a criação, produção e implantação de novos produtos. Eu e minha equipe somos avaliados e julgados 24 horas por dia, e estou acostumado a isso. Dormindo com o Inimigo é um reality show criado por mim, que está pronto para ir ao ar a qualquer momento. Teremos a volta do Programa Livre, e acabei de desenvolver um piloto de um programa chamado A Tribo, que deve envolver grandes nomes do stand up comedy. O Parasita, um reality cheio de humor, está em gravação. Mas temos de gravar muitos quadros antes de colocá-lo no ar, porque depois as pessoas não vão mais querer participar. Implantei os personagens Batman e Robin em A Praça é Nossa e tem sido um sucesso. A nova direção do SBT está dando uma cara nova à emissora; mais leve, jovem e dinâmica.

RC: Faça um balanço rápido de sua carreira nas telinhas.
AF: Minha estreia na Rede Globo foi em 1984. Foram oito novelas, sete na Globo e uma no SBT, oito minisséries, sendo que em Malhação participei em duas épocas, três reality shows diferentes, seis filmes convencionais e mais de uma dezena de eróticos. Participei de duas óperas. Em Guarani, fiz um índio; e em Don Giovanni, um soldado. Enfim, a lista é extensa.
RC: Globo, SBT (com a Casa dos Artistas e Marisol) e filme pornô. Como veio o convite para o primeiro filme pornô?
AF: Nunca existiu convite. Eu fui atrás. Entrei determinado a mudar o cenário do mercado de filmes eróticos, e foi o que aconteceu. Em 2004, foi a minha estreia. Além do recorde de venda e de público, consegui fazer com que a produção melhorasse muito em nível de iluminação, cenário, captação. Este mercado gerou muito emprego, mas a pirataria chegou com tudo e, enfim, muitas produtoras fecharam as portas.
RC: Como foi se desvincular disso?
AF: Foi normal. A minha história é tão autêntica e verdadeira que choca as pessoas, mas faz com que elas a respeitem. Prova disso é eu ter ficado seis anos na Record, uma emissora que tem um apelo religioso muito forte. Saí de lá, fiquei seis meses parado, e fui para o SBT.



RC: Você colocou seu corpo acima do seu talento?
AF: Se as pessoas forem buscar na memória, verão que venho trabalhando com o corpo há muito tempo, desde a época da Globo. Na minissérie Boca do Lixo (1990) contracenei, em nove capítulos, com a Silvia Pfeifer e tive cenas de nudez total e sexo com ela. Ali eu já estava completamente exposto, com cenas fortes para a televisão e para a época. Paralelamente a isso, fiz a peça Blue Jeans, na qual ficava completamente nu em cena juntamente com outros atores, como Fábio Assunção, Maurício Mattar e Humberto Martins. Em 1981, Joãosinho Trinta me convidou para s
er o Adão na Escola de Samba Beija-Flor, ao lado de Cláudia Raia, e foi quando a conheci. Fui para a avenida praticamente nu.

“As pessoas já se acostumaram comigo na Granja”
RC: Você participou de três reality shows. Participaria novamente?
AF: Sou o único cara no mundo que fez três reality shows e, em todos, eu atravessei o programa quase inteiro, rodeado de polêmicas. Mas não participaria novamente. Eu sou muito mais funcional produzindo e dirigindo esse tipo de programa.
RC: Você tem uma trajetória profissional intensa. Como faz para conquistar o que quer? Sorte? Sucesso? Talento?
AF: Sempre fui atrás das coisas. Por exemplo, vi a REVISTA CIRCUITO e pensei: “quero estar na capa desta revista”, e fui atrás de vocês. Com a revista G foi a mesma coisa. A ideia foi minha. Eu surpreendo muito as pessoas por isso. Fiz coisas que todos pensavam que nunca fosse fazer: entrar na Rede Globo, posar nu e fazer filme pornô. Muita gente me considera um marqueteiro. E confesso que sou e faço isso bem. Eu vivo do marketing, da pressão da mídia. E não tenho problema nenhum com isso. É uma maneira de ter resultado naquilo que eu quero. Meu primeiro treino no Corinthians foi prova disso. Tinha Record, Bandeirantes, Rede TV, SBT para cobrir o treino de um esporte relativamente novo, que não tem um grande apelo popular. Quem armou isso fui eu. Bom para o time, bom para mim, bom para o esporte.
“Tenho uma faculdade de vida muito difícil, e poucas pessoas conseguem passar pelo que passei e se reerguer. Por isso, chegar aos 50 será uma vitória”.
RC: Você se diz apaixonado por São Paulo. Como descobriu a cidade?
AF: Vim para São Paulo fazer uma peça de teatro, chamada Blue Jeans, e descobri essa metrópole maravilhosa. Apesar de ser carioca, ter o sotaque carregado, amar a praia, ser Flamengo, Salgueirense, achei a cidade a minha cara, porém, sei que é necessário ter talento para viver nela.
RC: E a Granja Viana? O que curte fazer por aqui?
AF: Tenho dois grandes amigos aqui, que foram os responsáveis por eu vir morar aqui. Um deles é meu personal, o Jean, e é na academia dele, no centrinho da Granja, que me preparo fisicamente, inclusive para a minha estreia no Steamrollers, time de futebol americano do Corinthians. Tirando o trânsito da Raposo, que pego diariamente para chegar à academia ou ao SBT, levo o Enzo ao parque, vou a restaurantes, ao shopping, ao cinema, faço churrasco em casa com meus amigos. As pessoas já se acostumaram comigo na Granja, então é tranquilo. Quando vou ao colégio levar o Enzo ou ao supermercado, as pessoas pedem para tirar foto. É legal. Fui bem recebido.
RC: Fale de sua relação com a Fabiana.
AF: Estamos casados há seis meses. Não sou um cara ciumento. Todas as mulheres com as quais me envolvi tinham o corpo Ou a personalidade diferenciada. Cláudia Raia está aí como prova. A Fabi é maravilhosa e me deu este grande presente, que é o Enzo. Casei num momento de muita paz, tranquilidade e focado no meu trabalho. Ela é muito segura, apesar de o meu passado incomodar um pouco.
RC: Você foi muito gastão. E o dinheiro, nessa história toda, como fica?
AF: O dinheiro fica com a Fabiana; ela é quem administra tudo. Eu era muito gastão. Vivia intensamente 24 horas por dia e gastando dinheiro. Conheci o mundo quase inteiro e o Brasil de ponta a ponta. Fui rico duas vezes e fiquei duro. Frequentei os melhores lugares, como também cheguei à sarjeta. Hoje é tudo diferente. Faço coisas mais habituais, como ir à Disney com o Enzo. Viajaremos em breve.
O coração de Frota é todo dela
Dona de casa, mãe do Enzo, esposa de Frota e musa da Escola de Samba Porto da Pedra, no Carnaval 2012, Fabiana Rodrigues, 30, esbanjou simpatia durante a entrevista. Bailarina clássica por formação, a esposa de Frota já mostrou seu talento e corpão musculoso no Programa do Ratinho, onde dançou por três anos, e no Domingão do Faustão. De lá saiu com um carro zeroquilômetro após vencer uma prova. Fez muitos trabalhos como modelo, profissão que lhe despertou grande interesse para o mundo da moda. Atualmente, dedicase a sua loja virtual de moda praia e fitness, que estará em breve no ar. Paralelamente a isso, faz parte do elenco de apoio de A Praça é Nossa, atua no quadro Batman e Robin e está no ar no quadro Quem Não Canta, Dança, no Programa do Raul Gil.
Quando o assunto é o casamento, Fabi não dispensa elogios. “Frota é tranquilo, romântico, faz o café da manhã todos os dias e adora dar flores”, confessa ela, que garante nunca ter assistido a nenhum filme erótico do maridão. A dançarina conheceu Frota no fim de 2010. Ela atuava como a Proibida do Funk, e ele encarou o desafio de produzir uns bailes funks pelo Brasil afora.
Fases polêmicas, frases importantes.
Drogas: “Saí das drogas sozinho. Se alguém precisar de um exemplo de vida que foi ao fundo do poço com as drogas, se reergueu e deu a volta por cima, sou eu”.
Descriminalização: “Se o Brasil tivesse a organização de Amsterdã, talvez desse certo. Mas, não é viável. Muita gente se beneficia com o tráfico de drogas”
Filme com a travesti Bianca Soares: “Eu fiz, ganhei dinheiro e tinha plena consciência de que iria chocar as pessoas. Milhões de homens estão voltando agora para os seus lares, para suas esposas e filhos e fazem muito pior”.
Flamengo: “Para mim é uma religião. Na década de 80 fui diretor da arquibancada da Torcida Jovem do Flamengo, no auge do time. Deixei de lado porque fui jurado de morte pelas torcidas do Vasco e do Fluminense”.
A vencedora de A Fazenda, Joana Machado: “Ela não teve ética nem gratidão. Mas dia 8 de maio isso acaba. Existe um contrato assinado no qual ela teria de pagar um percentual por eu ter viabilizado a participação dela no reality”.
Estilo Frota: “Depois do Mário Gomes, quem ficou sem camisa em novela fui eu. Fui o
segundo desta geração, seguido Humberto Martins e Marcos Pasquim”.
Passado: “O que eu fiz ou deixei de fazer está no passado. Sei que não posso apagá-lo, mas mereço uma chance. Sou firmeza, não fujo dos problemas e se a vida foi cruel comigo, é porque eu também fui cruel com ela. Minha faculdade foi a rua”.











