O empreendimento “Reserva Raposo” foi discutido, nesta quinta feira (3/9), em audiência pública pela Comissão de Finanças e Orçamento de São Paulo para entender quais as vantagens desse projeto, impactos ambientais e readequações sociais elas trarão aos moradores, a fauna e a flora do local. Além de representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, da CET (companhia de engenharia de tráfego) e da construtora Rezek, responsável pela contrução do empreendimento, estiveram na audiência moradores e representantes de uma Cohab que levaram problemas ocasionados pela obra.

A Reserva Raposo é uma mega construção que envolve outras promessas que vão desde a implantação de um corredor de ônibus na rodovia até a vinda do metrô para Cotia (está previsto para ser a linha Bordô e tem projetos para chegar até a granja Viana). De acordo com a Resek, construtora responsável, a Reserva Raposo é um dos maiores projetos da história de São Paulo e proposta vai muito além de entregar 19 mil apartamentos, respectivamente com capacidade para 600 mil moradores. Será uma obra de um bairro planejado correspondente a uma área de 450 mil metros quadrados, com duas unidades básicas de saúde, ciclovia, parques públicos, auditório, biblioteca, Cemei Escola, seis unidades de CEIs (Creche), um centro de idosos e uma base de polícia militar. A previsão é de que a obra seja concluída em 2026, mas muitos apartamentos já estão em construção.
Apesar dos lados positivos, as obras da reserva tem afetado os moradores das áreas vizinhas que alegaram sofrer com deslizamentos de terra decorrentes de interferência no meio ambiente, quando chove; migração de espécies de animais silvestres que vão desde Saguis até Tucanos; e problemas imediatos quanto à mobilidade urbana local. Foi apontado que devido às obras, um grande volume de veículos pesados tem tornado a circulação no bairro muito difícil aos moradores. Além disso, há áreas ocupadas que está carecendo de atenção urgente, a qual foi uma questão de destaque na audiência.


Entre os convidados estava Felipe Valentim, que reside na Cohab Raposo e representava o lado dos moradores da região. Ele questionou sobre a fauna que sofre com a obra e também mostrou fotos de como a chuva causou deslizamentos de terra na área construída. Argumentando que o projeto foi feito dentro de um escritório que não conhece a realidade das pessoas que vivem naquela área e como desde já o empreendimento está impactando na vida de muitas pessoas, Felipe pede então que haja diálogo com os moradores: “Isso tem um lado bastante positivo, pois 60 mil pessoas terão moradia de qualidade em um bairro planejado que é bem bacana. Inclusive eu moro de aluguel, muitas pessoas que são moradoras da Cohab Raposo moram de aluguel. Mas também a gente não pode deixar de considerar as questões que já acontecem e ainda as futuras. Talvez seja (uma obra) de uma dimensão que a população local não compreenda e que seria interessante haver um diálogo”.
Em contrapartida, o representante da construtora Rezek, Márcio Aidar, rebateu as questões levantadas declarando que, para a obra ser aprovada, foram feitos estudos sobre os impactos no meio ambiente e todo o projeto foi acompanhado pela EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), do contrário não teria sido iniciada. Aidar explicou que muitos dos problemas apresentados pelos moradoras são decorrentes de lixo e esgotos descartados indevidamente por eles e que a Rezek já chegou até a recolher parte desses itens, mas em decorrência das invasões, ainda não chegaram em uma solução. “O empreendimento foi desde o início pensado com conceito social. Na linha do que o Felipe disse, teve algumas contribuições do Parque Juliana, uma invasão de uma área onde o esgoto está sendo jogado de uma forma indevida desde 2018. Tem uma série de nichos que são proliferados ali e até agora segue também sem solução e também contribui para essa água que vem.”
Por intermédio de seu assessor, o Vereador Gilberto Natalini questionou duas questões sobre esse projeto na prática. O primeiro, sobre a validade da licença ambiental e os impactos do empreendimento na vizinhança e no meio ambiente. A preocupação, nesse caso, foi relacionada ao tamanho do empreendimento. O assessor, Antônio Castello Branco, também falou sobre a área de influência do empreendimento, que de acordo com ele irá alcançar mais de um município: São Paulo, Osasco e até mesmo Cotia, que por causa da Raposo Tavares, poderá ter um impacto em sua mobilidade. “Como a gente sabe, o empreendimento é uma cidade. 60 mil habitantes é uma situação urbanística na região que não é boa, né? A Raposo Tavares há anos sofre com trânsito, então a gente tem que tentar achar uma maneira de minimizar esse impacto, não só na questão urbanística mas ambiental. O desmatamento e a movimentação de terra tem causado impacto na fauna e na flora do local”, disse.
Com base nos desdobramentos da obra para os outros municípios da zona oeste próximos à Raposo Tavares, foi requerido que o licenciamento da Reserva Raposo tivesse acompanhamento por um órgão estadual e não só no âmbito municipal, como ocorreu em situações parecidas com outros empreendimentos, como o Conjunto São Bento na zona leste ou o Parque dos Búfalos na zona sul, que precisaram ser licenciados na Secretaria do Verde e no órgão estadual. Contudo, o assessor garantiu que a ação do Vereador Natalini está em fase final e, de acordo com os principais pontos discutidos nesta quinta feira, será preciso que o empreendimento seja adequado para minimizar os impactos. “Hoje, conforme o nosso jurídico passou aqui, a ação popular do vereador está aguardando encerramento pra fase de instrução da ação civil pública junto com o Ministério Público, então agora o que resta é adequar esse empreendimento às necessidades urbanísticas e hoje a gente vê uma oportunidade de debater esses assuntos com os moradores da região, com o legislativo e com o empreendimento e tentar achar essas contrapartidas para o local”.
No encerramento do debate sobre a Reserva Raposo, o Vereador Antônio Donato concluiu que, diante dos prós e contras apresentados, impasses ambientais e urbanos que estão aparecendo aos residentes da região e outros que ainda podem surgir só podem ser bem solucionados através do “diálogo”. “Tem uma série de ajustes, diálogo, que pode permitir que integremos os bairros, que não sejam apartados, que os vizinhos tenham uma boa relação”, disse sobre a importância do dialogo na resolução dos dilemas do empreendimento Reserva Raposo.

Por Eric Ribeiro

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