Depois de alguns e-mails recebidos pela nossa redação do ambientalista Marcelo Torres, combinamos realizar um passeio pelo bolsão residencial Gramado, localizado no bairro de nome homônimo, na cidade de Cotia, para averiguar a situação do local descrita nas mensagens digitais.
Durante nosso passeio, visitamos alguns locais dentro do condomínio que poderiam dar grande notoriedade ao endereço, por iniciativas positivas, como a Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista (Fada), uma instituição que tem a meta de estimular crianças, jovens e adultos autistas no desenvolvimento de suas habilidades físicas e emocionais, e a Associação Toca das Hortênsias, que abriga idosos com Mal de Alzheimer.
Mas o grande destaque do condomínio ficou por conta do abandono em sua grande estrutura e pela falta de fiscalização em relação à reserva ambiental localizada dentro do Gramado.
“Muitas vezes eu acordo de madrugada como o barulho de motosserras derrubando árvores bem próximas a minha casa. Uma cidade como Cotia deveria tem uma estrutura de fiscalização ambiental mais ativa”, declara Marcelo.
Com mais de 1.9 milhões de metros quadrados, o loteamento inaugurado há 32 anos, pertence ao Cinturão Verde, reserva da biosfera, patrimônio da humanidade, tombada pela Unesco.
“Esta é uma área de interesse ambiental, ou seja, uma ZIA, que tem chancela da Prefeitura de Cotia. Então por que não é cuidada com a importância que ela merece?”, indaga Torres.
Já bem próximo à casa de Marcelo encontra-se um lago, que segundo o ambientalista foi projetado pelo Departamento de Estrada de Rodagem (DER), para que sua água fosse utilizada para a construção do Rodoanel.
“Hoje em dia, mesmo com a placa de aviso com os dizeres proibido nadar e pescar, a população que mora aqui próximo ao lago não respeita. Eu tenho em casa alguns boletins de ocorrência de crianças que morreram afogadas. Acontece sempre”, declara o ambientalista.
Pelas ruas, desvia-se de um buraco para cair em outro, isto quando é possível transitar por elas, pois os caminhões que circulam pela região deformou o pouco de massa asfáltica que sobrou em algumas vias.
A falta de iluminação também é visível em várias ruas, aliás, este é um fator que deixa os perigos invisíveis durante a noite.
“Trouxe um funcionário da Prefeitura de Cotia em meu carro para rodar pelas ruas abandonadas pela AES Eletropaulo, mas até agora nada. Nenhuma providência foi tomada”, declara Torres.
Próxima à entidade Fada encontra-se um conjunto de esqueletos de prédios que embargados
há cerca de uma década, e até o momento nada foi feito para demolir ou terminar a estrutura.
“Há indícios que o local foi vendido a empresários, por um valor muito abaixo do mercado, com o intuito da construção de um grande laboratório”, diz Marcelo.
Ainda próximo ao Fada também encontra-se os Centros de Detenção Provisórios 1 e 2, que até o ano de 2007 deu muita dor de cabeça aos moradores do condomínio, pois a falta de tratamento dos esgotos e por causa de duas bombas sem manutenção adequada, despejava 63 metros cúbicos por hora de dejetos no Rio Ipê.
“Não acredito que o problema foi totalmente resolvido. Ainda acho que as bombas que suprem o complexo não dão conta do esgoto produzido pelo centro de detenção”, declara o ambientalista.
Outro rio que cruza o bairro do Gramado é o Carapicuíba, que hoje encontra-se bem assoreado. “Há alguns anos atrás batalhamos para que a manutenção adequada seja realizada, mas hoje até tubos de concreto vemos pelas margens do rio, com a má intenção da administração pública de canalizá-lo”.
De acordo com Torres, vários pedidos para solucionar os problemas do bairro foram protocolados na Prefeitura de Cotia, porém até agora nenhum de seus pedidos foi respondido.
“Os membros de trabalham no setor público, responsável pela manutenção de vias e preservação do meio ambiente nessa cidade, imaginam que fazem um favor a população”, declara Marcelo.
Procuramos Benedito Simão, responsável pela pasta de Serviços e Obras de Cotia, para falar sobre os problemas do bairro do Gramado, porém o secretário preferiu não se pronunciar.












