CADÊ A POLÍCIA?

Que tal morar na Granja Viana e não ter mais o direito de dormir em silêncio, ouvindo apenas o pio das corujas ou o estrilo dos grilos, ou, numa linda noite de Lua cheia, dar-se ao luxo de dormir com a vidraça aberta para que o reflexo prateado ilumine seu quarto? Por quê?

Porque outras pessoas se dão ao direito de fazer um baile funk bem debaixo de sua janela. “Ah! Chame a polícia”, diriam alguns.

Todo sábado à noite, a partir da meia-noite, já traumatizada, fecho todas as janelas ao começar a ouvir o incômodo e chamo a polícia. Após alguns minutos ouvindo uma gravação, sou atendida por um policial que informa que a reclamação foi registrada e será encaminhada para a viatura mais próxima.

Enquanto isso, o que acontece é apenas o aumento da intensidade e do volume dos já animadíssimos frequentadores do baile. O pior de tudo é que você nem consegue mais saber de onde vem tamanha falta de respeito. Após três ou quatro horas tentando dormir, ouvindo a mesma batida, constante, imutável, insuportável e cada vez mais alta, você vê essa tortura invadindo toda a sua casa e o seu cérebro. Já vencida pelo cansaço, penso: “Agora eu durmo de qualquer maneira”. Mas, quando vejo, já são cinco horas da manhã de domingo e a tal da viatura mais próxima deve estar muito longe, pois ainda não chegou. Tudo continua exatamente igual, ou pior.

É muito triste ver no que está se tornando aquele que parecia ser o melhor lugar do mundo para se viver. Mais triste, ainda, é a impunidade, o império da falta de respeito e o descaso. Afi nal, de onde vem esse barulho, esse abuso?

Onde há um pedaço de terra que não pertence a nenhuma prefeitura, pois se trata de uma terra de ninguém? A Rua Roma, que fica bem no limite do município.

Ninguém assume a responsabilidade de impedir esse tipo de abuso e de falta de respeito com a vizinhança.

Sinceramente, eu estou desistindo. Acho que vou embora daqui.

Adriana Guimarães, Granja Viana, Cotia (SP)

 

Artigo anteriorSEM ÁGUA, SEM LUZ
Próximo artigoABANDONO