No final do mês de outubro o Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), negou o pedido de inclusão na rede pública do medicamento cetuximabe para tratamento do câncer colorretal metastático.
Os sintomas do câncer colorretal só aparecem quando o tumor já está mais desenvolvido. Sangramento nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e constipação alternados), necessidade frequente de ir ao banheiro, com sensação de evacuação incompleta, dor ou desconforto abdominal ou anal, fraqueza, anemia, sensação de gases ou distensão e perda de peso sem causa aparente são sinais de alerta.
Alimentação e hábitos de vida saudáveis ajudam na prevenção da doença. Dieta rica em fibras, frutas e vegetais frescos parecem ter efeito protetor sobre a doença enquanto que o consumo de gordura animal e de álcool são fatores de risco reconhecidos.
A obesidade, o sedentarismo e o tabagismo, também estão ligados ao aparecimento do câncer de intestino. Pessoas com antecedentes familiares de pólipos benignos, câncer do intestino, retocolite ulcerativa, câncer de mama, ovário ou útero devem procurar um médico.
A prevenção é realizada com a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, exame que ajuda no diagnóstico e em alguns casos permite a remoção de pólipos, precursores do câncer do intestino.
O medicamento cetuximabe é um anticorpo monoclonal utilizado em todo o mundo para bloquear o crescimento das células tumorais de maneira precisa, preservando os tecidos saudáveis.
Diversos estudos já comprovaram o benefício desse tratamento em pacientes com câncer colorretal metastático com gene RAS selvagem. Um deles, o estudo Fire-3, mostrou que pelo menos metade dos pacientes pode sobreviver por mais de 33 meses1.
Já o estudo Crystal, mostrou que o tratamento com cetuximabe manteve a qualidade de vida dos pacientes”
Hoje, o câncer colorretal é o terceiro mais incidente na população brasileira: o segundo entre as mulheres e o terceiro entre os homens.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), os números de novos casos no Brasil devem superar 32 mil e as mortes devem chegar a 15 mil por conta do diagnóstico tardio ou falta de tratamento adequado.
Apesar de ser uma das neoplasias malignas mais passíveis de cura, chegando a 90% para pacientes no estágio inicial, grande parte é diagnosticada em estágio avançado, por se tratar de uma doença silenciosa e sem incentivo à prevenção.
“O acesso a terapias inovadoras no Brasil é uma questão que precisa ser debatida. Não podemos aceitar mais uma recusa à incorporação de um medicamento que pode dar ao paciente mais tempo e qualidade de vida. Sabemos que mais de 12 mil pacientes em estágio metastático do câncer colorretal estão em tratamento no SUS.Metade desses pacientes poderia se beneficiar deste medicamento garantindo uma qualidade de vida e uma possível cura, mas ao invés disso, são tratados com quimioterápicos paliativos com alto impacto para o paciente e familiares”, diz Romilza Medrado, presidente do Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer (NASPEC).
“É preciso que tanto a sociedade quanto as autoridades governamentais se mobilizem para a mudança dessa realidade, uma vez que existem medicamentos modernos e aprovados no País com este fim”.
A terapia alvo com cetuximabe é indicada para o câncer colorretal metastático sem mutação do gene RAS nas células tumorais. A partir de um teste de biomarcadores genéticos, o médico identifica os pacientes que melhor respondem à terapia.
As estimativas apontam que 47% dos pacientes dos pacientes metastáticos são elegíveis à droga.
O cetuximabe foi aprovado pela Anvisa em 2009, e é reembolsado pelos planos de saúde e utilizado em alguns centros públicos de referência no tratamento do câncer.
“É urgente a instauração de uma política pública para enfretamento do câncer colorretal, uma vez que se trata do terceiro mais incidente no mundo. Precisamos de campanhas de conscientização, de incentivo a uma alimentação mais saudável, rica em fibras, de rastreamento da doença e também de acesso aos tratamentos mais adequados”, afirma Romilza.














