Foi a primeira fábrica instalada em Cotia, mas várias pessoas, quando questionadas sobre a industria de fios de tecido Calfat, recordam que a empresa faliu e que muitos trabalhadores não foram indenizados. Apesar deste final lamentável, muitos operários comentam, ainda hoje, que suas vidas melhoraram com a implantação da fábrica no bairro do Atalaia, em 1953.

Do lado direito da foto, a construção do novo escritório da empresa e ao fundo a casa de força. A fábrica ficava do lado esquerdo do escritório. Do lado da casa de força pode-se observar um Mercedes 59 e na frente da construção dois DKVs, carros da época.

Anterior do laboratório e alguns funcionários. A pessoa de costas na foto é Nicolau Calfat.

Antônio Benedito Rodrigues de Oliveira, o conhecido Toninho, que durante 18 anos foi funcionário administrativo da Calfat, recorda, com muita saudade, aquela época e diz que se pudesse voltar no tempo, trabalharia na empresa novamente. Conta o Sr. Toninho que a fábrica e suas dependências localizavam-se onde hoje estão o Posto de Saúde, do Atalaia, e a escola Osny Fleury. A entrada para a fábrica ficava onde atualmente está o posto de gasolina (do Atalaia) e fazia divisa com o campo de futebol. Do lado da fábrica passava a Estrada São Paulo – Paraná, depois rebatizada de Raposo Tavares.

Capela construída pela Família Calfat – devota de Nossa Senhora Aparecida – onde hoje fica o portão de entrada do Posto de Saúde, do Atalaia, próximo ao portão.

Agustinho Mendes, hoje taxista e conhecido pelo apelido de “Especial”, começou a trabalhar na empresa com 14 anos e lembra que naquela época recebia meio salário mínimo, por ser menor de idade. Assim determinava a lei. Mendes lembra que trocou a lavoura pela fábrica e sua vida melhorou muito. Aos domingos fazia hora extra e os funcionários que apareciam para trabalhar recebiam lanches. Benedita Ramos de Oliveira trabalhou apenas quatro meses na fábrica e diz que logo que começaram as dificuldades financeiras da empresa, ela saiu com medo de não receber. “Dona Benedita do Bar” como é conhecida, trabalhou na seção de fiação e ainda guarda na memória quando pegou fogo na fábrica.

Uma personagem folclórica dessa época é Benedita Antonia da Silva Coelho, conhecida até hoje como dona “Ditinha Benzedeira”. Ditinha não trabalhou diretamente na fábrica, mas servia comida a alguns funcionários. Ela conta que atendia os funcionários das três turmas da fábrica. Os moços que ia comer eram solteiros e vinham de Minas Gerais. Ditinha conta ainda que teve uma premonição de que alguma coisa ia acontecer a um deles. Dias depois um rapaz foi consertar o telhado da fábrica, caiu e morreu.

Casa de força. Os três geradores de energia também funcionavam com motores a óleo diesel, para os dias em que faltasse energia elétrica.

Joel Francisco, conhecido como “Paulistinha”, também trabalhou na Calfat e lembra que no dia 11 de Outubro de1978 foi decretada a falência do Cotonifício Demétrio Calfat S/A – Codeca. Ele diz que a empresa admitia muitos menores, ele inclusive, que começou a trabalhar em 23 de janeiro de 1958, com um salário de Crz 6,66 (cruzeiros) por hora. Com muito orgulho, ele mostra sua carteira profissional da época, quando tinha 15 anos, e outra, quando já maior de idade. Artur Italiano, que era mestre-geral da empresa, conta que a Família Calfat chegou ao Brasil em 1920 e abriu a sua primeira empresa na rua Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo. Com o passar do tempo, foram proibidas industrias dentro da cidade e a família precisou transferir suas instalações para outros locais. A industria de fiação foi transferida para Cotia, onde funcionou por 25 anos. Paulistano guarda em sua memória o nome de cada um dos proprietários da Calfat: Alfredo, Inácio, Eduardo, João e Nicolau.

O caminhão da foto está carregado com fios de algodão para ser levado ao seu destino. O motorista é Arnaldo Gabriel e seu ajudante, Jacó.

Todas as pessoas são entrevistadas ressaltam a importância da empresa para o progresso da cidade e o carinho dos Calfat para com seus funcionários.

 


Marcos Roberto Bueno Martinez é historiador e foi o organizador do projeto Conhecendo Cotia que levava alunos aos pontos históricos do município. Ele também é autor do livro Cotia: Memória & Imagem.