Certo dia estava subindo pela avenida José Félix de Oliveira, localizada na Granja Viana, em Cotia, e me deparei com o corriqueiro trânsito que a via reserva aos motoristas. A minha meta era ir à cidade de Barueri, contando por dentro de Carapicuíba.
Infelizmente esta foi uma péssima ideia, porque o tráfego na avenida parou de vez.
Me arrependi, entrei em um posto de gasolina, fiz o retorno, voltei para a rodovia Raposo Tavares, e em meia hora, pela estrada Fernando Nobre, estava em meu destino.
Perdi preciosos dez minutos parados em uma avenida, mas o arrependimento me deu lucidez para tomar uma nova decisão e mudar meu caminho.
As pessoas geralmente colocam a palavra arrependimento como um sentimento ruim. Porém, se ele nos dá ferramentas para mudar nossos caminhos, nossos destinos, nossas escolhas, porquê taxá-lo dessa forma.
Mesmo que a palavra arrependimento possa expressar pesar ou lamentação pelo mal cometido, pela escolha ruim, é um ótimo alerta para reparar erros.
Cursou a faculdade errada e se arrependeu aos 40 anos, faça outra faculdade. A satisfação pessoal muitas vezes cobre o prejuízo causado pelo tempo.
Foi ríspido com alguém, desculpe-se. Esta é uma das ações humanas mais nobres.
Comeu aquele pedaço enorme de bolo de chocolate quando já estava tento êxito em sua dieta? Esqueça e recomece-a.
O único arrependimento, que infelizmente não tem como mudar, é no leito de morte arrepender-se na não ter tomado as medidas necessárias para ser feliz.
Saul Queiroz é autodidata, inclusive na arte de inventar pequenos currículos de três linhas para o final de suas crônicas. Exímio domador de lobos, Saul cuida com muita justiça de suas feras internas.














