O verão é a época favorável para a propagação de doenças como a febre pelo vírus zika, a febre chikungunya e a dengue, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegpypti, e, por isso, alguns cuidados são necessários para evitá-las. A melhor forma de combater o vírus é eliminando os criadouros onde possam ser encontrados focos do mosquito. E para isso é necessário evitar o acúmulo de água parada em quintais, pneus velhos, garrafas e manter sempre fechadas as caixas d’água.

De acordo com João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o calor e as chuvas formam um ambiente favorável para que o inseto se desenvolva. “Com os temporais típicos de verão há um aumento de criadouros e os ovos aparecem rapidamente devido às altas temperaturas”, explica o especialista, que ressalta também que a prevenção ainda é a melhor maneira de combater o vírus. “É importante cuidar da limpeza da casa, principalmente do quintal, tomar cuidado para não deixar destampados recipientes que possam acumular água parada e adotar o uso de repelentes ao longo do dia”, esclarece o médico.

Segundo o infectologista, não há um tratamento específico para pacientes diagnosticados com dengue, doença cujos sintomas são semelhantes aos de uma gripe. “O recomendado é que, ao identificar os sinais como manchas vermelhas pelo corpo, dor de cabeça, dores musculares intensas e falta de apetite, a pessoa procure imediatamente a ajuda de um profissional”, afirma o médico.

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) alerta sobre importância de adotar medidas preventivas eficazes contra a enfermidade, que pode agravar doenças cardiovasculares. São necessários cuidados preventivos mais eficazes para pacientes cardíacos, cujo quadro pode agravar-se caso contraiam a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Além disso, ao sinal de qualquer sintoma suspeito, o médico deve ser procurado de imediato. O presidente da Socesp, José Francisco Kerr Saraiva, explica que o risco maior refere-se aos portadores de doenças coronarianas, fibrilação atrial e próteses valvares, tratadas com o ácido acetilsalicílico (com nomes comerciais como Aspirina e AAS), de outros antiagregantes (como Clopidogrel, Ticagrelor) e anticoagulantes (portadores de próteses valvares, fibrilação atrial).

Todos esses medicamentos são contraindicados na ocorrência da dengue, pois ampliam o risco de hemorragias potencialmente presentes nessa doença. Assim, a combinação da dengue com os remédios aumenta de maneira expressiva a possibilidade de sangramentos. Por isso, a importância de redobrar a prevenção e de, aos primeiros sintomas suspeitos, procurar de imediato assistência médica. Em caso de confirmação da doença, o médico infectologista, que cuidará da dengue, poderá trabalhar em conjunto com o cardiologista, buscando a melhor opção de tratamento para cada paciente.

A indicação do ácido acetilsalicílico para o controle de algumas doenças cardiovasculares tem o propósito de “afinar” o sangue, evitando assim a formação de coágulos. Nos casos de dengue, a recomendação do Ministério da Saúde é para suspender o uso de medicamentos com essa substância, que agrava o potencial de hemorragias da doença. “Por isso, é muito importante alertar a população sobre esses riscos e a necessidade de buscar ajuda médica imediata, para que se equilibre o paciente cardíaco durante o acometimento da dengue”, ressalta Dr. Saraiva.

A dengue é uma doença virótica febril aguda, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. Os sintomas mais comuns, normalmente manifestados após três dias da picada, são febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos. A dengue hemorrágica é a forma mais grave, pois pode causar sangramento e apresenta risco de morte.

Os números da OPAS
A dengue nas Américas atingiu o recorde de casos já registrados, com mais de 2,7 milhões, incluindo 22.127 graves e 1.206 mortes notificadas até o fim de outubro de 2019, conforme nova atualização epidemiológica da OPAS. A maior epidemia anterior havia ocorrido em 2015. Os 2.733.635 casos de 2019 são 13% superiores aos ocorridos naquele ano. Porém, a taxa de letalidade (proporção de mortes) foi 26% menor este ano em comparação com 2015.

O Brasil teve o maior contingente de casos em números absolutos, com 2.070.170 notificações. O México registrou 213.822; a Nicarágua, 157.573; a Colômbia, 106.066; e Honduras, 96.379. Os países com as maiores taxas de incidência a cada 100 mil habitantes foram: Belize, com 1.021; El Salvador, 375; Honduras, 995,5; e Nicarágua, 2.271. Nesse critério, o Brasil é o quinto com a maior taxa de incidência nas Américas, com 711,2 casos por 100 mil habitantes.

Devido à epidemia, a OPAS recomenda que os governos fortaleçam a vigilância de doenças, bem como o controle dos mosquitos que transmitem dengue, envolvendo comunidades em atividades de prevenção e controle.

Em Cotia

Para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti no município, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Cotia possui um setor especializado que faz vistas diariamente nas residências e, quinzenalmente, em Pontos Estratégicos (Empresas de reciclagem, borracharia, cemitério, etc.), além de colégios, prédios públicos, entre outros. Em 2019 os Agentes de Combate as Endemias realizaram 44 mil visitas nas casas de todo município durante o ano. Agora em 2020, até o dia 14 desse mês, mais de 1.200 imóveis já foram visitados.
Quando encontram algum foco do mosquito transmissor, os agentes recolhem amostras para fazer a Avaliação de Densidade Larvária (ADL). Em casos específicos, também entregam aos moradores telas de proteção para cobrirem as caixas d’aguas, atendem denúncias de focos de dengue, e realizam a remoção de entulhos e mutirões como o “Cata Treco”.
Os agentes orientam sobre os moradores realizarem pequenas ações como evitar acúmulo de água em pneus velhos e garrafas em geral, colocar telas nas caixas d’águas, areia nos vasos de plantas, realizar, periodicamente, e as limpezas de piscinas e calhas O Setor da Dengue da prefeitura fica na Rua Japão, 13, no Jardim São Luís.
Informações: 4154-6785.

 

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