Delícias de Natal

GASTRONOMIA

Pratos tradicionais na mesa de famílias granjeiras

Como é bom enfeitar a casa e degustar aqueles pratos saborosos que se encontram na mesa formando um verdadeiro banquete. A REVISTA CIRCUITO visitou a residência de famílias da região para descobrir o que não pode faltar na ceia de Natal.

Cada país tem, em sua ceia de Natal, algumas peculiaridades. Os russos, por exemplo, evitam a carne; e os jamaicanos usam e abusam das ervilhas em suas receitas para a ceia de Natal. Na Alemanha come-se carne de porco. Pratos tradicionais de tempero forte também são muito comuns durante a ceia de Natal. Na Austrália, onde as festividades natalinas acontecem durante o verão, as pessoas costumam fazer a ceia de Natal em praias.

Pernil do Baraúna
FAMÍLIA BARAÚNA

A residência do simpático casal Cíntia e José Roberto Baraúna já está toda enfeitada para o Natal. E a receita apresentada, preparada pelo chefe da família, é costumeira na casa de muitos brasileiros. O pernil do Baraúna, como é tradicionalmente conhecido pelos amigos, levou quatro dias para ficar pronto, com a fumaça se espalhando por toda a cozinha e um sabor indescritível.
O pernil do Baraúna começou a ser feito numa brincadeira entre amigos e com cunho beneficente, e hoje faz parte das datas comemorativas da família. A receita não é difícil, porém trabalhosa. Como o próprio cozinheiro contou, é fundamental que o prato seja preparado com paciência, já que a carne fica por dois dias marinada no tempero e leva cerca de nove horas para ficar pronta no fogão a lenha.

O TEMPERO
O tempero não possui medidas regradas. “É tudo no ‘olhometro’”, como ele mesmo explica. Sal, pimenta dedo-de-moça, pimenta-doreino, orégano, manjericão, salsinha, cebolinha, vinho, cerveja e limão são batidos no liquidificador, formando um caldo que é injetado no pernil cru por meio de furos que são feitos em toda a carne.

Depois disso, a peça vai para dentro do saco plástico com o restante do tempero que sobrou no liquidificador. A cada meio dia, Baraúna movimenta a carne para que o tempero se espalhe.

O MOLHO
Um molho é servido juntamente com o pernil pronto. Cebola, tomate e pimentões amarelo, verde e vermelho são refogados em banha de porco, com alho e demais temperos a gosto. A quantidade também é relativa e depende do tamanho do pernil.

Depois de pronto, a decoração pode ser feita com frutas em volta do pernil. Acompanha: tutu de feijão, couve refogada, linguiça apimentada, arroz e torresminho.

Dica: Jogue um pouco do molho sobre o arroz branco. Fica simplesmente divino.

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Docinho de Nozes
FAMÍLIA POMPÉIA

A decoração de Natal na casa da família Pompéia é diferente do que se costuma ver. O pinheiro dá espaço a uma árvore de pitanga, e a neve não existe.
Os enfeites são todos produzidos pelos membros da família, que se dedicam a fazer biscoitinhos em formato de estrelinhas e sinos. Todos os que participam da ceia levam um enfeite comestível como lembrança.
Gilda Pompéia herdou da mãe as mãos de fada para preparar doces deliciosos. E, hoje, passa as receitas para sua filha de 11 anos, que sempre a ajuda a preparar o Docinho de Nozes, dando continuidade a essa tradição de anos.
Gilda é a mais nova de 12 filhos. Todos iam à Missa do Galo, dia 24, e, quando chegavam em casa, tinha um presentinho para cada filho em volta da árvore e uma mesinha com o docinho de nozes, além do pão salgado preparado pela avó.
O gosto é especial. Para Gilda, tem sabor de infância, da volta da missa, do presente e da comunhão. No outro dia, o que sobrava dos docinhos de nozes podia ser comido junto com os pratos típicos que formavam o almoço: o pernil, a farofa, a salada e o bolo de nozes.
“Este docinho é típico da nossa família. Não sei com quem minha mãe aprendeu, mas tenho certeza de que não foi com a mãe dela, que não era uma boa cozinheira”, explica Gilda.
Segundo ela, provavelmente, tenha sido com a sogra, sua avó paterna, que era uma vovó sinhá, doceira de mão cheia. A maior parte das receitas de família foi criada por ela.

A PREPARAÇÃO
Para uma lata de leite condensado, usa-se uma xícara e meia de nozes moídas. É essencial que se utilize um pouquinho de leite na lata do leite condensado para tirar o restante que fica no fundo.

Misture-o com as nozes em uma panela no fogo baixo e mexa até a mistura soltar completamente do fundo. No dia seguinte, quando estiver frio, pode enrolar e polvilhar com o açúcar de confeiteiro, por ser mais delicado. Quem preferir, pode polvilhar com açúcar granulado.

Dica: a panela pequena facilita mexer a mistura com rapidez.

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Cada família tem suas receitinhas secretas para a ceia de Natal. Algumas preferem as receitas tradicionais, apesar de os pratos inovadores ganharem cada vez mais espaço.

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Torta Mil Folhas
FAMÍLIA FURQUIM

A Torta Mil Folhas é solicitada quase sempre na residência de Silvio e Laila Furquim, principalmente no Natal. E, mais uma vez, é o homem da casa que vai para a cozinha preparar essa delícia. Apesar da profissão de engenheiro, Silvio adora cozinhar, e suas especialidades são os bolos e as tortas doces. “Eu sempre fiz o bolo dos aniversários dos meus filhos, e os amigos começaram a experimentar e a gostar”, afirma ele. E a explicação para isso é a decepção que tinha quando ia fazer encomendas de doces para as festinhas, já que muitos produtos são de baixa qualidade e a utilização de produtos sintéticos é muito comum.
A receita da Torta Mil Folhas é antiga, e foi passada de mãe para filho. Não é um prato que fica superbonito, mas é fácil de fazer, e o sab
or é algo incomparável.

A MASSA

Antes, Silvio Furquim fazia a massa da Mil Folhas. Hoje, ele compra a massa folhada, que, depois de aberta, é dividida em três partes e assada em forno aquecido em alta temperatura. Depois de dourar, tire do forno e deixe-a esfriar.

O CREME

Leite, gema de ovo, maisena e açúcar devem ser colocados em uma panela. Não pare de mexer até que a mistura esteja no ponto (ligeiramente engrossada). O ideal é que você vá experimentando o creme para que o sabor fique de acordo com o seu paladar.
Para oito porções: ·
· 2 xícaras (chá) de leite
· 1/3 de xícara (chá) de açúcar
· 1/4 de xícara (chá) de maisena
· 3 gemas

Dica: na preparação do creme, não coloque a maisena de uma vez só, para não empelotar. Dissolva-a em um pouquinho de leite primeiro.

A MONTAGEM

Em um recipiente, intercale a massa e o creme. Jogue o creme por cima da última folha da massa e polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Dica: quando for colocar o creme, jogue chantilly também. O sabor fica especial.
Acompanha: sorvete ou champagne.

Laila e Silvio garantem: não sobra nenhum pedaço da Mil Folhas para o dia seguinte.

 

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