Cidadania: Com apoio de Habib’s, Banco de Alimentos bate recorde de arrecadação

Com a proposta de apoiar a iniciativa do Banco de Alimentos de combate à fome e ao desperdício de alimentos, a rede brasileira de fast food Habib´s tornou-se parceira da organização que é pioneira no Brasil no conceito de colheita urbana.

Em abril, primeiro mês de parceira, a ONG Banco de Alimentos estabeleceu um novo recorde na arrecadação deste ano: 41.137,20 quilos de alimentos, dos quais 22.947 quilos foram doados pelo Habib´s.

Na prática, mais de 41 toneladas de alimentos deixaram de ir para o lixo e transformaram-se em refeições para crianças, jovens e adultos em situação de risco social.

A parceria prevê a doação do excedente de produção do Habib´s. O Banco realiza a retirada dos alimentos – que consistem em hortifrútis – de terça-feira a sábado, no centro de distribuição da rede localizado na cidade de Itapevi (SP).

Os alimentos doados pela rede estão sendo utilizados na complementação alimentar de mais de 21 mil pessoas que são assistidas pelas 43 instituições atendidas pelo Banco de Alimentos.

De acordo com a economista Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da Ong Banco de Alimentos, a parceria mostra que o Habib´s é uma empresa com profundo senso de responsabilidade empresarial.

“Muitas pessoas têm a noção equivocada de que existe uma lei que proíbe as pessoas físicas e jurídicas de doarem alimentos. O que ocorre, na verdade, é que não existe uma lei que proteja o doador de uma possível ação civil ou criminal, caso haja uma queixa de intoxicação. Este fato faz com que a maioria dos possíveis doadores opte por jogar fora ou incinerar os alimentos, em vez de doá-los”, declara Luciana.

A economista acrescenta que este fato pode explicar o fenômeno da não doação de alimentos, mas não justificá-lo.

“Nós, do Banco de Alimentos, tomamos a responsabilidade da doação perante o doador  e nos garantimos com os receptores de alimentos, que inspecionam todo o lote doado e atestam, por escrito, que o que estão recebendo está em condições perfeitas para o consumo. Com esse procedimento demonstramos que este tipo de atuação é possível e faz grande sentido”, afirma.

Desperdício, a origem da fome

O Banco de Alimentos atua firmemente tratando o problema da fome na origem – na educação e no comprometimento de cada brasileiro para solução da questão.

Hoje, o Brasil produz, aproximadamente, 26% a mais do que o necessário para alimentar a população.

Na prática, produz muito além do que precisa e desperdiça quase 60% da produção. Em contrapartida, existem milhares de pessoas em situação de insegurança alimentar – ocasião em que o alimento está disponível, porém não em quantidade e qualidade suficiente para manutenção da saúde. Além disso, o país desperdiça recursos naturais para produzir todo esse alimento.

Em média, o Brasil desperdiça 39 milhões de quilos de alimentos no Brasil –  quantia que daria para alimentar cerca de 19 milhões de pessoas diariamente com café da manhã, almoço e jantar. O desperdício tem um custo alto para o país: R$ 12 bilhões.

Para Luciana, o desperdício de alimentos está presente em toda a cadeia. “O desperdício está em 20% no plantio e na colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria; 1% no varejo; e 17% no consumidor”, diz a economista.

Banco de Alimentos

Fundado em 1998 a partir da iniciativa civil e pioneira da economista Luciana C. Quintão, o Banco de Alimentos é uma associação civil que atua com o objetivo de minimizar os efeitos da fome e combater o desperdício de alimentos, permitindo que um maior número de pessoas tenha acesso a alimentos básicos e de qualidade e em quantidade suficiente para uma alimentação saudável e equilibrada.

Os alimentos distribuídos são excedentes de comercializações, perfeitos para o consumo. A distribuição possibilita a complementação alimentar a todas as pessoas assistidas pelas 43 instituições cadastradas no projeto, ou seja, mais de 21 mil pessoas.

Desde janeiro de 1999 até dezembro de 2013, o Banco de Alimentos arrecadou 5.286.935,91 quilos de alimentos – base para 49.772.953 refeições que beneficiaram mais de 21 mil pessoas (entre crianças, jovens, adultos e idosos) por dia, evitando um grande desperdício.

Além disso, ministrou palestras em faculdades e empresas, orientou 53 projetos científicos, realizou 31 trabalhos de orientação nutricional em instituições e supervisionou mais de 100 estagiários de Nutrição, como também estagiários de Administração Pública e de Engenharia de Produção.

A organização civil criou empregos, gerou renda, economizou para o Estado de São Paulo nas três esferas, diminuiu o lixo da cidade e ajudou a garantir a formação de milhares de crianças com o objetivo de se tornarem cidadãos economicamente ativos e incluídos na sociedade. 

 

 

 

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