Feira Antropofágica de Opinião celebra 90 anos do Manifesto Antropófago, 50 anos da Primeira Feira Paulista de Opinião e o bicentenário de Karl Marx
De 31 de maio a 02 de junho a Companhia Antropofágica de Teatro ocupa a Oficina Cultural Oswald de Andrade com a III Feira Antropofágica de Opinião, um grande festival em que se reunirá mais de quarenta coletivos culturais e grupos teatrais brasileiros para refletir artisticamente sobre a atualidade do Brasil.
“O que Pensa Você do Brasil de Hoje?” – Foi com esse questionamento que Augusto Boal – idealizador do Teatro do Oprimido – reuniu em 1968 importantes artistas da época que foram chamados a responder essa pergunta, originando um espetáculo coletivo que se tornou um marco histórico da arte socialmente engajada: a Primeira Feira Paulista de Opinião.
O espetáculo produzido em 1968 pelo Teatro de Arena com direção de Augusto Boal, a Primeira Feira Paulista de Opinião reuniu alguns dos mais atuantes dramaturgos do período, como Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade e Plínio Marcos, atrizes como Aracy Balabanian, Cecília Thumim Boal e Myriam Muniz, além de compositores como Edu Lobo, Caetano Veloso, Ary Toledo, Sérgio Ricardo e Gilberto Gil. Todos esses artistas criaram obras em torno da seguinte questão: “O que pensa você do Brasil de hoje?” Naquele momento a montagem uniu a categoria teatral paulista e carioca na luta contra as ações autoritárias da Censura.
Cinquenta anos depois, inspirados por este espetáculo, a Companhia Antropofágica se prepara para realizar a terceira edição da Feira Antropofágica de Opinião, um encontro festivo de artistas dedicados em suas mais variadas propostas estéticas, à apreensão crítica da realidade brasileira. A mesma intenção de 1968, porém colocada para nossos tempos.
Com três dias de duração, a III Feira Antropofágica de Opinião deste ano representa um triplo aniversário. Além dos 50 anos da Primeira Feira Paulista de Opinião, esta edição marca os 90 anos do Manifesto Antropófago – obra de Oswald de Andrade que é uma das referências no processo artístico da Companhia Antropofágica. E celebra ainda o bicentenário de nascimento do filósofo e sociólogo Karl Marx.
Com edições anteriores realizadas no Tendal da Lapa e Memorial da América Latina, a escolha do local desta edição, a Oficina Cultural Oswald de Andrade, se deu propositalmente por conta desta celebração.
Intervenções artísticas serão desenvolvidas pela Antropofágica junto a alguns dos artistas convidados tendo como mote o manifesto de Oswald de Andrade, e apresentadas ao longo dos três dias da Feira, que contará com artistas, coletivos e pensadores de diversas linguagens (teatro, música, cinema e artes visuais) reunidos para uma reflexão social sobre a atual situação do Brasil através da criação artística.
Um ciclo de palestras e debates foi realizado em março como uma espécie de aquecimento da feira. Nomes como Maria Sílvia Betti (professora doutora da USP) e Jean Tible (professor doutor do DCP-USP), se reuniram com participantes desta edição da feira para refletir sobre temas relacionados a essa edição como o Panorama dos 50 Anos da Feira Paulista de Opinião.
Entre os nomes confirmados para esta edição da Feira estão: Arlequins Grupo de Teatro (Guarulhos), Brava Cia, Cia. do Feijão, Cia. dos Inventivos, Cia. Estável, Cia. Estudo de Cena, Cia. Les Commediens Tropicales, Cia. Teatral Boccaccione (Ribeirão Preto), Cia. Teatral Os Satyros, Cia. Teatro Documentário, Cia. Teatro dos Ventos (Osasco), Coletivo de Galochas, Dolores Boca Aberta, Engenho Teatral, Grupo Buraco D’Oráculo, Grupo Clariô de Teatro (Taboão da Serra), Grupo Pandora de Teatro, Grupo Redimunho de Investigação Teatral, Grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente), Kiwi Cia de Teatro, Mamulengo da Folia (Guararema), Núcleozonautônoma (Santo André), Teatro da Neura (Suzano), Elaine Guimarães, Quem, Nós?, Coletivo Tela Suja Filmes, Coletivo Zagaia, Alípio Freire, Cássio Brasil e Coletivo Mirante, entre outros.
Além da própria continuidade do fórum artístico que a Feira tem se tornado, a intenção é que seja estabelecido um diálogo importante com o atual momento histórico do país. A população será convidada a participar deste espaço de encontro e debate sobre a sociedade em que vivemos.















