O Projeto Climántica nasce em 2006 na Universidade de Santiago, Espanha e, 15 anos depois, tem projeção internacional. Com o objetivo de trabalhar a conscientização ambiental de alunos entre o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio, a iniciativa tem como premissa que os jovens pensem questões ambientais locais, para que sejam resolvidas de forma internacional: o jovem apresenta a sua realidade e, ao conhecer as propostas dos outros estudantes, começa a pensar coletivamente.

Quem trouxe a ideia aos alunos do 8° ano da Escola Granja Viana foi a professora de espanhol Priscila Maria Reis. A educadora conta que seus alunos identificaram problemas, coisas que causavam estranhamento, levantaram hipóteses, justificaram a importância de cada questão e foram aos locais mapeá-los e fotografá-los, para que estudantes de outros lugares pudessem ter noção visual de suas realidades.

Arthur Dias, 13 anos

Os selecionados para participar da competição foram Arthur Dias, Giovanna Marini e Helena Brasca. Para Arthur, a poluição causada pelos carros que passam pela Rodovia Raposo Tavares é um problema para a região, principalmente para aqueles que moram nas proximidades do local. Estudando o assunto, ele descobriu que são realizadas blitz para identificar veículos que emitem mais poluentes do que o permitido por lei. Arthur acredita que deveria haver maior fiscalização e educação dos motoristas.

Em suas pesquisas, encontrou a queixa de uma moradora de Cotia sobre uma fábrica que produzia pó e poluía as casas. Passou a investigar se o material era prejudicial e de que forma impactava a vizinhança. “Gostei muito da atividade. É importante saber o que está acontecendo onde moramos. Fiquei muito feliz que meu trabalho foi um dos selecionados e muito orgulhoso de representar a escola e o Brasil em um trabalho sobre meio ambiente”, comentou.

Giovanna e Helena, que trabalharam juntas, contam que a ideia buscou conscientizar as pessoas a respeito do que acontece nos rios de Cotia, justificando que “eles estão muito poluídos e se transformando em esgoto a céu aberto”. As meninas usaram como base um córrego que tem vários afluentes, ou seja, passa por diversas regiões e acaba recebendo muitos resíduos de casas e comércios.

Elas querem chamar a atenção para a necessidade de diminuir a produção do lixo, reciclá-lo, tratar o esgoto e substituir aquilo que seja composto por materiais não recicláveis. Giovanna conta que sua família já usa canudos de metal no lugar dos descartáveis: “Eu me sinto bem em relação a esse trabalho. A conscientização é a única forma da gente pensar no futuro. Só assim não iremos vivenciar mais o que estamos passando. A gente precisa respeitar o meio ambiente”, acredita a jovem. E Helena completa: “É muito bom saber que estou ajudando. A Priscila (professora) nos entende e nos ajuda também”.

A professora explica que os estudantes participaram de palestra virtual com professores da universidade, em que projetos relacionados a melhorias foram apresentados. Depois, conversaram com um jovem mexicano indicado ao Prêmio Nobel da Paz por sua proposta de educação, para que pudessem ver o poder de ação que são capazes de ter. Nas aulas de espanhol, os alunos discutiram o conceito “cidade sustentável” e analisaram o ranking do estado de São Paulo, no qual Cotia ocupa a 534a posição entre 645 municípios. Foi, então, que começaram a pensar o que poderiam fazer para contribuir.

Priscila Maria Reis, professora de espanhol

“Se eu disser que acredito muito, é verdade. Falo isso de coração. Entender que o caminho é transformar, ter a educação como transformação. Eu abraço muito isso”, afirma Priscila. “Foi uma mobilização bacana. Os alunos se sentiram empoderados no sentido de ‘eu sou capaz de encontrar um problema, eu sou capaz de encontrar uma solução’”, acrescenta.

Os autores dos trabalhos que se destacarem serão convidados a uma semana na Espanha ou Portugal para que, juntos, combinem seus olhares e pensem em como resolver os problemas. Vote nas propostas dos estudantes no site do projeto.

Por Giovana Lins Barbosa

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