A pauta sustentabilidade nunca esteve tão em voga em discussões como após esse ano tão complexo que passou. 2020, um período marcado por pandemia e crises sanitária e financeira, despertou na sociedade a preocupação com as nossas atitudes e nossa forma de consumir os recursos naturais. Samuel Myers, pesquisador de saúde planetária na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, afirma que a capacidade de mudança coletiva de comportamento demonstrada durante a crise da covid-19 pode ser um passo para “grande virada” na questão do clima.
Na pandemia, as pessoas passaram mais tempo dentro de casa e, por consequência, a quantidade produzida de lixo aumentou. De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Resíduos Especiais (Abrelpe) e pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos no Brasil (ISWA), a coleta de materiais recicláveis aumentou entre 25% e 30%, mas boa parte do lixo recolhido têm sido encaminhado para os aterros sanitários. Apesar disso, é o lixo orgânico que representa mais de 50% do que é despejado lá. Além de separar o lixo reciclável, também podemos aproveitar o resíduo orgânico em casa através da compostagem.
“A compostagem é um processo biológico de transformação de resíduos orgânicos em adubo pela ação de microrganismos, principalmente bactérias”, explica Rafael Zarvos, especialista em Gestão de Resíduos Sólidos e fundador da Oceano Resíduos.
Para quem está começando, ele deixa duas dicas: comprar uma composteira doméstica ou fazer o próprio vaso-compostor. O primeiro método utiliza minhocas, e o segundo método utiliza matéria seca, mas ele garante que nenhuma das duas opções libera odor. Dessa forma, se transforma lixo em alimento ao invés de ter o mesmo resíduo liberando toxinas que prejudicam o meio ambiente em aterros sanitários.
“Estamos atravessando um momento ímpar onde podemos observar a quantidade de resíduos que geramos em nosso dia a dia. É a oportunidade de começarmos a repensar os nossos hábitos. A compostagem, somada à separação dos resíduos recicláveis, contribui para fecharmos o ciclo”, reforça Zarvos.
Ainda sobre hábitos que aumentaram durante o isolamento social, o cultivo de hortaliças em casa também cresceu exponencialmente no ano passado e essa tendência segue firme para quem começou a ter uma horta em casa, atraindo também novos interessados.
“Existem várias motivações para se ter uma horta em casa que vão desde ter alimentos extremamente frescos disponíveis para consumo, utilizar essa atividade como ferramenta de conhecimento, conexão com a natureza e até mesmo como terapia”, explica Diana Werner, presidente da ISLA Sementes.
Diante dessa tendência, a ISLA, que lançou o primeiro Clube de Assinatura de Sementes do Brasil em 2019, readequou a entrega das sementes de sua curadoria, fazendo com que a assinatura de cada plano seja enviada uma vez ao ano, e assim, reduzindo impactos ao meio ambiente. Além disso, aumentou o leque de opções para os mais diversos formatos de horta em casa, tendo como opções assinaturas para plantio em varandas e jardins, vasos e floreiras e microhortas.
















