Marcos Sá escreve sobre a “Música Pornográfica Brasileira”

Nosso colunista escreve sobre a MPBxxx: "letras pornográficas com ritmos, que estão mais para barulho do que para música, que ferem os ouvidos e sangram a inteligência e a sensibilidade de quem ouve"

MPBxxx não é o título de um filme pornô ou de um folhetim de cabaré. Trata-se do novo estilo musical brasileiro, a MPBxxx. Música Pornográfica Brasileira. Veja a lista com os nomes de algumas das músicas mais tocadas no Top Brasil de hoje. Dentre as mais ouvidas pelo distinto público, destaco algumas das pérolas, de acrílico, do cancioneiro popular brasileiro, que já teve intérpretes e compositores como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Rita Lee, Cazuza, Renato Russo, Roberto Carlos e Chico Buarque, entre outros, e agora vai de Pabllo Vittar, Zé Felipe, Mc Poze do Rodo, Raí Saia Rodada, MC Talibã, McJhenny, Mad Dogz, MC Meno K, Pegador, Mc Branquinha, Jonas Esticado e Mc Kevin, entre outros poetas. Tire as crianças da sala! Todos os títulos musicais que você vai ler a seguir são reais e se destacam entre os mais ouvidos no Brasil. Desculpe o palavrório, mas a barra é pesada! Aí vai! Segue o Top Brasil publicado no Deezer, que tal qual o Spotify, é um aplicativo de streaming musical, disponível nos celulares: “Tapão na Raba, Senta Danada, Se essa bunda fosse minha, Eu rebolo sim, Vou te botar, Deixa de onda (Porra nenhuma), Xerecard, Volta Rapariga, Mulher Cama, Chega e senta, Esqueceu foi porra, Foi pá pum, Mete um block nele, Alô Ambev, Chamo teu vulgo malvadão (Ela vem de quatro), Triste com Tesão, Rolê, A cara do crime e nós incomoda, Cai  devagarinho até embaixo, Uma Cavala mesmo, Senta pra carai, É só botada, Só tapão nervoso VS toma catucada violenta”. Até o corretor ortográfico do meu notebook pirou por aqui, mas escrevi como está lá no Deezer, para quem quiser conferir. Recomendo não ouvir perto das crianças, nem perto de ninguém. Aliás, não ouça. Apaixonado por música que sou, desde sempre curti todos os gêneros musicais. Nunca tive preconceito musical contra gênero algum. Ouço de tudo, e é óbvio que tenho minhas preferências, mas gosto de pesquisar as tendências e entender o que está bombando nos ouvidos brasileiros. Tendência que, lamentavelmente, permeia o mundo, já que as Top 100 dos Estados Unidos são tão ruins quanto as nossas, com rappers e MCs, chutando o balde e enfiando o pé na jaca, com linguajar chulo e sem barreiras, perdendo totalmente a noção do ridículo e do aceitável fonograficamente. Qual o limite dessa turma? Tive o trabalho de ouvir algumas das obras primas acima e, infelizmente, o resultado é lamentável, e posso garantir que os conteúdos são muito piores que os títulos. Verdadeiras baixarias, vindas das catacumbas do cérebro humano. Letras pornográficas com ritmos, que estão mais para barulho do que para música, que ferem os ouvidos e sangram a inteligência e a sensibilidade de quem ouve. Não se trata de puritanismo, mas sim de um mínimo de bom gosto, decência e respeito, principalmente com as mulheres que ali são tratadas com desprezo, como objetos sexuais e com total desrespeito. O pior não é os caras fazerem essas porcarias e sim alguém, ou alguns, pagarem para ouvir e elevarem os autores à categoria de subcelebridades. Alguns dos intérpretes (?), têm milhões de seguidores e estimulam à violência sexual e o consumo às drogas. Tudo dentro dos lares no ouvido das crianças, e ao alcance de um clique. A baixaria rola solta. E depois o povo reclama dos políticos, se é isso que temos como cultura musical, em breve vamos achar o Tiririca um filósofo, perto dos intérpretes da MPBxxx.


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas

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