Alguns moradores da Fazendinha, na Granja Viana, flagraram nos últimos meses grupos com mais de dez quatis circulando pelas ruas do bolsão residencial. Os animais são vistos, principalmente, pela manhã, segundo as pessoas ouvidas pela reportagem.
Há pouco mais de um mês, uma cachorra da raça Doberman foi atacada por quatis e ficou bastante ferida. Flávio, tutor da cachorra, disse que a única solução, no momento, é instalar uma cerca elétrica para prevenir novos acidentes. “Não tem mais o que fazer. Por enquanto, só me resta essa opção para não corrermos novos riscos”, disse.
O doutor Daniel Lima, veterinário do Studio Pet, localizado na Av. São Camilo, 1003, em Carapicuíba, foi quem atendeu a Doberman. Ele relatou os riscos que o ataque de um quati pode oferecer a um animal.
“Grandes lesões de pele e/ou musculatura, podendo causar grande sangramento e infecção bacteriana secundária. Nos cães pequenos ou gatos, pode haver perfuração de abdômen, tórax e grandes vasos”, alertou, ressaltando que o quati, normalmente, “só ataca quando se sente ameaçado, acuado ou é atacado pelo cão”.

Quati nas ruas da Fazendinha. Foto: Guilherme Faccio

Outro morador da Fazendinha conseguiu flagrar um grupo com mais ou menos 14 quatis. Guilherme Faccio disse que estava indo para o trabalho, quando flagrou os animais na rua. “Eles estavam despreocupados. O grupo começou a ir embora, porque tem um matagal e eles subiram uma cerca e foram para o outro lado do mato. Teve um que até parou e eu consegui bater uma foto”, relata.
Moradora da Fazendinha há 36 anos, Denise Faccio disse não se incomodar com a presença dos animais silvestres. “Como escolhi viver na natureza, nada me incomoda, nunca dedetizamos nossa casa e nunca tive nenhum problema. Vim para cá quando me casei e tive meus filhos criados no quintal, já pegamos cobras, aranhas pela casa; várias vezes, marimbondos e abelhas construíram suas casas nos coqueiros e nada aconteceu”, disse.
DESMATAMENTO É A CAUSA PRINCIPAL
Para o biólogo Diógenes Oliveira, o desmatamento que vem ocorrendo na região é a principal causa para o aparecimento de quatis na cidade. Segundo o especialista, os animais que habitam na mata atlântica não conseguem se refugiar em outro local e acabam invadindo as residências, seja por procura de alimento ou abrigo.
“Os quatis, por serem bem curiosos e um dos animais nativos dessa região, sofrem muito com o desmatamento desenfreado, e, portanto, estão constantemente sendo avistados nas residências”, explica.
O QUE FAZER QUANDO VER UM QUATI?
O veterinário Daniel Lima que também é morador da Granja, recomenda que as pessoas não devem alimentar os animais silvestres que estão na natureza, para evitar que eles se sintam ‘à vontade’ nas residências.
“Devemos preservar as áreas verdes da Granja para manter a sobrevivência e o ecossistema desses animais. Desta forma, também vão invadir menos as residências”, destaca.
Ao ver um ou mais quatis, o recomendável, para o biólogo Diógenes Oliveira, é ligar para a Guarda Civil Ambiental. Ele também recomenda não colocar as mãos no animal e nem se aproximar dele, pois eles atacam quando se sentem ameaçados.
“O ideal é ligar para a Guarda Civil Ambiental. Eles estão capacitados para esses tipos de ocorrência. Eles vão capturar o animal e vão colocá-lo em outro local que seja apropriado para ele ou até mesmo para um órgão ambiental responsável da região. É para ligar, e não tentar capturá-lo sozinho”, orienta. 
Por José Rossi Neto
*A foto da capa é meramente ilustrativa 
 

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